Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

João 9 a 12 (dia 254)

JOÃO 9

Jesus e um cego


1 Jesus ia caminhando quando viu um homem que tinha nascido cego. 2 Os seus discípulos perguntaram:

— Mestre, por que este homem nasceu cego? Foi por causa dos pecados dele ou por causa dos pecados dos pais dele?


3 Jesus respondeu:

— Ele é cego, sim, mas não por causa dos pecados dele nem por causa dos pecados dos pais dele. É cego para que o poder de Deus se mostre nele. 4 Precisamos trabalhar enquanto é dia, para fazer as obras daquele que me enviou. Pois está chegando a noite, quando ninguém pode trabalhar. 5 Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo.

 

6 Depois de dizer isso, Jesus cuspiu no chão, fez um pouco de lama com a saliva, passou a lama nos olhos do cego 7 e disse:

— Vá lavar o rosto no tanque de Siloé. (Este nome quer dizer “Aquele que Foi Enviado”.)


O cego foi, lavou o rosto e voltou vendo. 8 Os seus vizinhos e as pessoas que costumavam vê-lo pedindo esmola perguntavam:

— Não é este o homem que ficava sentado pedindo esmola?


9 — É! — diziam alguns.

— Não, não é. Mas é parecido com ele! — afirmavam outros.


Porém ele dizia:

— Sou eu mesmo.


10 — Como é que agora você pode ver? — perguntaram.


11 Ele respondeu:

— O homem chamado Jesus fez um pouco de lama, passou a lama nos meus olhos e disse: “Vá ao tanque de Siloé e lave o rosto.” Então eu fui, lavei o rosto e fiquei vendo.


12 — Onde está esse homem? — perguntaram.


— Não sei! — respondeu ele.






Os fariseus fazem perguntas


13 Então levaram aos fariseus o homem que havia sido cego. 14 O dia em que Jesus havia feito lama e curado o homem da cegueira era um sábado. 15 Aí os fariseus também perguntaram como ele tinha sido curado.

— Ele pôs lama nos meus olhos, eu lavei o rosto e agora estou vendo — respondeu o homem.


16 Alguns fariseus disseram:

— O homem que fez isso não é de Deus porque não respeita a lei do sábado.


E outros perguntaram:

— Como pode um pecador fazer milagres tão grandes?


E por causa disso houve divisão entre eles. 17 Então os fariseus tornaram a perguntar ao homem:

— Você diz que ele curou você da cegueira. E o que é que você diz dele?

— Ele é um profeta! — respondeu o homem.


18 Os líderes judeus não acreditavam que ele tinha sido cego e que agora podia ver. Por isso chamaram os pais dele 19 e perguntaram:

— Esse homem é filho de vocês? Vocês dizem que ele nasceu cego. E como é que agora ele está vendo?


20 Os pais responderam:

— Sabemos que ele é nosso filho e que nasceu cego. 21 Mas não sabemos como é que ele agora pode ver e não sabemos também quem foi que o curou. Ele é maior de idade; perguntem, e ele mesmo poderá explicar.


22 Os pais disseram isso porque estavam com medo, pois os líderes judeus tinham combinado expulsar da sinagoga quem afirmasse que Jesus era o Messias. 23 Foi por isso que os pais disseram: “Ele é maior de idade; perguntem a ele.”


24 Então os líderes judeus chamaram pela segunda vez o homem que tinha sido cego e disseram:

— Jure por Deus que você vai dizer a verdade. Nós sabemos que esse homem é pecador.


25 Ele respondeu:

— Se ele é pecador, eu não sei. De uma coisa eu sei: eu era cego e agora vejo!

26 — O que foi que ele fez a você? Como curou você da cegueira? — tornaram a perguntar.


27 O homem respondeu:

— Eu já disse, e vocês não acreditaram. Por que querem ouvir isso outra vez? Por acaso vocês também querem ser seguidores dele?


28 Então eles o xingaram e disseram:

— Você é que é seguidor dele! Nós somos seguidores de Moisés. 29 Sabemos que Deus falou com Moisés; mas este homem, nós nem mesmo sabemos de onde ele é.


30 Ele respondeu:

— Que coisa esquisita! Vocês não sabem de onde ele é, mas ele me curou. 31 Sabemos que Deus não atende pecadores, mas ele atende os que o respeitam e fazem a sua vontade. 32 Desde que o mundo existe, nunca se ouviu dizer que alguém tivesse curado um cego de nascença. 33 Se esse homem não fosse enviado por Deus, não teria podido fazer nada.


34 Eles disseram:

— Você nasceu cheio de pecado e é você que quer nos ensinar?


E o expulsaram da sinagoga.






A cegueira espiritual


35 Jesus ficou sabendo que tinham expulsado o homem da sinagoga. Foi procurá-lo e, quando o encontrou, perguntou:

— Você crê no Filho do Homem?


36 Ele respondeu:

— Senhor, quem é o Filho do Homem para que eu creia nele?


37 Jesus disse:

— Você já o viu! É ele que está falando com você!


38 — Eu creio, Senhor! — disse o homem. E se ajoelhou diante dele.


39 Então Jesus afirmou:

— Eu vim a este mundo para julgar as pessoas, a fim de que os cegos vejam e que fiquem cegos os que veem.

 

40 Alguns fariseus que estavam com ele ouviram isso e perguntaram:

— Será que isso quer dizer que nós também somos cegos?


41 — Se vocês fossem cegos, não teriam culpa! — respondeu Jesus. — Mas, como dizem que podem ver, então continuam tendo culpa.







JOÃO 10

Jesus, o pastor verdadeiro


1 Jesus disse:

— Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não entra no curral das ovelhas pela porta, mas pula o muro é um ladrão e bandido. 2 Mas quem entra pela porta é o pastor do rebanho. 3 O porteiro abre a porta para ele. As ovelhas reconhecem a sua voz quando ele as chama pelo nome, e ele as leva para fora do curral. 4 Quando todas estão do lado de fora, ele vai na frente delas, e elas o seguem porque conhecem a voz dele. 5 Mas de jeito nenhum seguirão um estranho! Pelo contrário, elas fugirão, pois não conhecem a voz de estranhos.


6 Jesus fez esta comparação, mas ninguém entendeu o que ele queria dizer.






Jesus, a porta


7 Então Jesus continuou:

— Eu afirmo a vocês que isto é verdade: eu sou a porta por onde as ovelhas passam. 8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e bandidos, mas as ovelhas não deram atenção à voz deles. 9 Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair e achará comida. 10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa.






Jesus, o bom pastor


11 — Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a vida pelas ovelhas. 12 Um empregado trabalha somente por dinheiro; ele não é pastor, e as ovelhas não são dele. Por isso, quando vê um lobo chegando, ele abandona as ovelhas e foge. Então o lobo ataca e espalha as ovelhas. 13 O empregado foge porque trabalha somente por dinheiro e não se importa com as ovelhas. 14-15 Eu sou o bom pastor. Assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai, assim também conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem. E estou pronto para morrer por elas. 16 Tenho outras ovelhas que não estão neste curral. Eu preciso trazer essas também, e elas ouvirão a minha voz. Então elas se tornarão um só rebanho com um só pastor.

17 — O Pai me ama porque eu dou a minha vida para recebê-la outra vez. 18 Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha própria vontade. Tenho o direito de dá-la e de tornar a recebê-la, pois foi isso o que o meu Pai me mandou fazer.


19 Quando ouviu isso, o povo se dividiu outra vez. Muitos diziam:

20 — Ele está dominado por um demônio! Está louco! Por que é que vocês escutam o que ele diz?


21 Outros afirmavam:

— Quem está dominado por um demônio não fala assim! Será que um demônio pode dar vista aos cegos?






O povo rejeita Jesus


22 Era inverno, e em Jerusalém estavam comemorando a Festa da Dedicação. 23 Jesus estava andando pelo pátio do Templo, perto da entrada chamada “Alpendre de Salomão”. 24 Então o povo se ajuntou em volta dele e perguntou:

— Até quando você vai nos deixar na dúvida? Diga com franqueza: você é ou não é o Messias?


25 Jesus respondeu:

— Eu já disse, mas vocês não acreditaram. As obras que eu faço pelo poder do nome do meu Pai falam a favor de mim, 26 mas vocês não creem porque não são minhas ovelhas. 27 As minhas ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna, e por isso elas nunca morrerão. Ninguém poderá arrancá-las da minha mão. 29 O poder que o Pai me deu é maior do que tudo, e ninguém pode arrancá-las da mão dele. 30 Eu e o Pai somos um.


31 Então eles tornaram a pegar pedras para matar Jesus. 32 E ele disse:

— Eu fiz diante de vocês muitas coisas boas que o Pai me mandou fazer. Por causa de qual delas vocês querem me matar?


33 Eles responderam:

— Não é por causa de nenhuma coisa boa que queremos matá-lo, mas porque, ao dizer isso, você está blasfemando contra Deus. Pois você, que é apenas um ser humano, está se fazendo de Deus.


34 Então Jesus afirmou:

— Na Lei de vocês está escrito que Deus disse: “Vocês são deuses.” [ver Sl 82:6] 35 Sabemos que as Escrituras Sagradas sempre dizem a verdade, e sabemos que, de fato, Deus chamou de deuses aqueles que receberam a sua mensagem. 36 Quanto a mim, o Pai me escolheu e me enviou ao mundo. Então por que vocês dizem que blasfemo contra Deus quando afirmo que sou Filho dele? 37 Se não faço o que o meu Pai manda, não creiam em mim. 38 Mas, se eu faço, e vocês não creem em mim, então creiam pelo menos nas coisas que faço. E isso para que vocês fiquem sabendo de uma vez por todas que o Pai vive em mim e que eu vivo no Pai.


39 A essa altura tentaram novamente prendê-lo, mas Jesus escapou das mãos deles.


40 Ele voltou de novo para o lado leste do rio Jordão, foi para o lugar onde João Batista tinha batizado antes e ficou lá. 41 E muita gente ia vê-lo, dizendo:

— João não fez nenhum milagre, mas tudo o que ele disse sobre Jesus é verdade.


42 E naquele lugar muita gente creu em Jesus.







JOÃO 11

A morte de Lázaro


1 Um homem chamado Lázaro estava doente. Ele era do povoado de Betânia, onde Maria e a sua irmã Marta moravam. 2 (Esta Maria era a mesma que pôs perfume nos pés do Senhor Jesus e os enxugou com os seus cabelos. Era o irmão dela, Lázaro, que estava doente.) 3 As duas irmãs mandaram dizer a Jesus:

— Senhor, o seu querido amigo Lázaro está doente!


4 Quando Jesus recebeu a notícia, disse:

— O resultado final dessa doença não será a morte de Lázaro. Isso está acontecendo para que Deus revele o seu poder glorioso; e assim, por causa dessa doença, a natureza divina do Filho de Deus será revelada.


5 Jesus amava muito Marta, e a sua irmã, e também Lázaro. 6 Porém quando soube que Lázaro estava doente, ainda ficou dois dias onde estava. 7 Então disse aos seus discípulos:

— Vamos voltar para a Judeia.


8 Mas eles disseram:

— Mestre, faz tão pouco tempo que o povo de lá queria matá-lo a pedradas, e o senhor quer voltar?


9 Jesus respondeu:

— Por acaso o dia não tem doze horas? Se alguém anda de dia não tropeça porque vê a luz deste mundo. 10 Mas, se anda de noite, tropeça porque nele não existe luz.


11 Jesus disse isso e depois continuou:

— O nosso amigo Lázaro está dormindo, mas eu vou lá acordá-lo.


12 — Senhor, se ele está dormindo, isso quer dizer que vai ficar bom! — disseram eles.


13 Mas o que Jesus queria dizer era que Lázaro estava morto. Porém eles pensavam que ele estivesse falando do sono natural. 14 Então Jesus disse claramente:

— Lázaro morreu, 15 mas eu estou alegre por não ter estado lá com ele, pois assim vocês vão crer. Vamos até a casa dele.


16 Então Tomé, chamado “o Gêmeo”, disse aos outros discípulos:

— Vamos nós também a fim de morrer com o Mestre!






Jesus é a ressurreição e a vida


17 Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido sepultado. 18 Betânia ficava a menos de três quilômetros de Jerusalém, 19 e muitas pessoas tinham vindo visitar Marta e Maria para as consolarem por causa da morte do irmão. 20 Quando Marta soube que Jesus estava chegando, foi encontrar-se com ele. Porém Maria ficou sentada em casa. 21 Então Marta disse a Jesus:

— Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! 22 Mas eu sei que, mesmo assim, Deus lhe dará tudo o que o senhor pedir a ele.


23 — O seu irmão vai ressuscitar! — disse Jesus.


24 Marta respondeu:

— Eu sei que ele vai ressuscitar no último dia!


25 Então Jesus afirmou:

— Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; 26 e quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso?


27 — Sim, senhor! — disse ela. — Eu creio que o senhor é o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.






Jesus chora


28 Depois de dizer isso, Marta foi, chamou Maria, a sua irmã, e lhe disse em particular:

— O Mestre chegou e está chamando você.


29 Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi encontrar-se com Jesus. 30 Pois ele não tinha chegado ao povoado, mas ainda estava no lugar onde Marta o havia encontrado. 31 As pessoas que estavam na casa com Maria, consolando-a, viram que ela se levantou e saiu depressa. Então foram atrás dela, pois pensavam que ela ia ao túmulo para chorar ali.


32 Maria chegou ao lugar onde Jesus estava e logo que o viu caiu aos pés dele e disse:

— Se o senhor tivesse estado aqui, o meu irmão não teria morrido!


33 Jesus viu Maria chorando e viu as pessoas que estavam com ela chorando também. Então ficou muito comovido e aflito 34 e perguntou:

— Onde foi que vocês o sepultaram?

— Venha ver, senhor! — responderam.


35 Jesus chorou.


36 Então as pessoas disseram:

— Vejam como ele amava Lázaro!


37 Mas algumas delas disseram:

— Ele curou o cego. Será que não poderia ter feito alguma coisa para que Lázaro não morresse?






A ressurreição de Lázaro


38 Jesus ficou outra vez muito comovido. Ele foi até o túmulo, que era uma gruta com uma pedra colocada na entrada, 39 e ordenou:

— Tirem a pedra!


Marta, a irmã do morto, disse:

— Senhor, ele está cheirando mal, pois já faz quatro dias que foi sepultado!


40 Jesus respondeu:

— Eu não lhe disse que, se você crer, você verá a revelação do poder glorioso de Deus?


41 Então tiraram a pedra. Jesus olhou para o céu e disse:

— Pai, eu te agradeço porque me ouviste. 42 Eu sei que sempre me ouves; mas eu estou dizendo isso por causa de toda esta gente que está aqui, para que eles creiam que tu me enviaste.


 


 

43 Depois de dizer isso, gritou:

— Lázaro, venha para fora!


44 E o morto saiu. Os seus pés e as suas mãos estavam enfaixados com tiras de pano, e o seu rosto estava enrolado com um pano. Então Jesus disse:

— Desenrolem as faixas e deixem que ele vá.






O plano para matar Jesus

Mateus 26:1-5; Marcos 14:1-2; Lucas 22:1-2


45 Muitas pessoas que tinham ido visitar Maria viram o que Jesus tinha feito e creram nele. 46 Mas algumas pessoas voltaram e contaram aos fariseus o que ele havia feito. 47 Então os fariseus e os chefes dos sacerdotes se reuniram com o Conselho Superior e disseram:

— O que é que nós vamos fazer? Esse homem está fazendo muitos milagres! 48 Se deixarmos que ele continue fazendo essas coisas, todos vão crer nele. Aí as autoridades romanas agirão contra nós e destruirão o Templo e o nosso país.


49 Então Caifás, que naquele ano era o Grande Sacerdote, disse:

— Vocês não sabem nada! 50 Será que não entendem que para vocês é melhor que morra apenas um homem pelo povo do que deixar que o país todo seja destruído?


51 Naquele momento Caifás não estava falando por si mesmo. Mas, como ele era o Grande Sacerdote naquele ano, estava profetizando que Jesus ia morrer pela nação. 52 E não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo todos os filhos de Deus que estão espalhados por toda parte.


53 Então, daquele dia em diante, os líderes judeus fizeram planos para matar Jesus. 54 Por isso ele já não andava publicamente na Judeia, mas foi para uma região perto do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ficou ali com os seus discípulos.






55 Faltava pouco tempo para a Festa da Páscoa. Muitos judeus foram a Jerusalém antes da festa para tomar parte na cerimônia de purificação. 56 Eles procuravam Jesus e, no pátio do Templo, perguntavam uns aos outros:

— O que é que vocês acham? Será que ele vem à festa?


57 Os chefes dos sacerdotes e os fariseus queriam prender Jesus. Por isso tinham dado ordem para que, se alguém soubesse, contasse onde ele estava.







JOÃO 12

Jesus em Betânia

Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9


1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi ao povoado de Betânia, onde morava Lázaro, a quem ele tinha ressuscitado. 2 Prepararam ali um jantar para Jesus. Marta ajudava a servir, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3 Então Maria pegou um frasco cheio de um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela derramou o perfume nos pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e toda a casa ficou perfumada. 4 Mas Judas Iscariotes, o discípulo que ia trair Jesus, disse:

5 — Este perfume vale mais de trezentas moedas de prata. Por que não foi vendido, e o dinheiro, dado aos pobres?


6 Judas disse isso, não porque tivesse pena dos pobres, mas porque era ladrão. Ele tomava conta da bolsa de dinheiro e costumava tirar do que punham nela.


7 Então Jesus respondeu:

— Deixe Maria em paz! Que ela guarde isso para o dia do meu sepultamento. 8 Os pobres estarão sempre com vocês, mas eu não estarei sempre com vocês.






O plano para matar Lázaro


9 Muitas pessoas ficaram sabendo que Jesus estava em Betânia. Então foram até lá não só por causa dele, mas também para ver Lázaro, o homem que Jesus tinha ressuscitado. 10 Então os chefes dos sacerdotes resolveram matar Lázaro também; 11 pois, por causa dele, muitos judeus estavam abandonando os seus líderes e crendo em Jesus.






Jesus entra em Jerusalém

Mateus 21:1-11; Marcos 11:1-11; Lucas 19:28-40


12 No dia seguinte, a grande multidão que tinha ido à Festa da Páscoa ouviu dizer que Jesus estava chegando a Jerusalém. 13 Então eles pegaram ramos de palmeiras e saíram para se encontrar com ele, gritando:

— Hosana a Deus!
Que Deus abençoe aquele que vem
    em nome do Senhor!
Que Deus abençoe o Rei de Israel!
[Ver Sl 118:25-26]



14 Jesus procurou um jumentinho e o montou, como dizem as Escrituras Sagradas:

 

15 “Povo de Jerusalém, não tenha medo!
Veja! Aí vem o seu Rei,
montado num jumentinho!”
[Ver Zc 9:9]



16 Naquela ocasião os discípulos não entenderam isso. Mas, depois de Jesus ter voltado para a presença gloriosa de Deus, eles lembraram que isso estava escrito a respeito dele e também que era isso o que tinha acontecido.


17 A multidão que estava com Jesus quando ele havia chamado Lázaro para fora do túmulo e o tinha ressuscitado espalhou a notícia do que tinha acontecido. 18 E o povo foi encontrar-se com Jesus, pois ficou sabendo que ele tinha feito esse milagre. 19 Então os fariseus disseram uns aos outros:

— Não estamos conseguindo nada! Vejam! Todos estão indo com ele!






Alguns não judeus vão ver Jesus


20 Entre o povo que tinha ido a Jerusalém para tomar parte na festa, estavam alguns não judeus. 21 Eles foram falar com Filipe, que era da cidade de Betsaida, na Galileia, e pediram:

— Senhor, queremos ver Jesus.


22 Filipe foi dizer isso a André, e os dois foram falar com Jesus. 23 Então ele respondeu:

— Chegou a hora de ser revelada a natureza divina do Filho do Homem. 24 Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se um grão de trigo não for jogado na terra e não morrer, ele continuará a ser apenas um grão. Mas, se morrer, dará muito trigo. 25 Quem ama a sua vida não terá a vida verdadeira; mas quem não se apega à sua vida, neste mundo, ganhará para sempre a vida verdadeira. 26 Quem quiser me servir siga-me; e, onde eu estiver, ali também estará esse meu servo. E o meu Pai honrará todos os que me servem.






Jesus anuncia a sua morte


27 Jesus continuou:

— Agora estou sentindo uma grande aflição. O que é que vou dizer? Será que vou dizer: Pai, livra-me desta hora de sofrimento? Não! Pois foi para passar por esta hora que eu vim. 28 Pai, revela a tua presença gloriosa!


Então do céu veio uma voz, que dizia:

— Eu já a revelei e a revelarei de novo.


29 A multidão que estava ali ouviu a voz e dizia que era um trovão. Outros afirmavam que um anjo tinha falado com Jesus. 30 Mas ele disse:

— Não foi por minha causa que veio esta voz, mas por causa de vocês. 31 Chegou a hora de este mundo ser julgado, e aquele que manda nele será expulso. 32 E, quando eu for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim.


33 Ele dizia isso para indicar de que maneira ia morrer.


34 A multidão perguntou:

— A nossa Lei diz que o Messias vai viver para sempre. Como é que o senhor diz que o Filho do Homem precisa ser levantado da terra? Quem é esse Filho do Homem?


35 Jesus respondeu:

— A luz estará com vocês ainda um pouco mais. Vivam a sua vida enquanto vocês têm esta luz, para que a escuridão não caia de repente sobre vocês. Quem anda na escuridão não sabe para onde vai. 36 Enquanto vocês têm a luz, creiam na luz para que possam viver na luz.






O povo não crê


Depois que Jesus disse isso, foi embora e se escondeu do povo. 37 Eles tinham visto Jesus fazer todos esses milagres, mas não criam nele, 38 para que se cumprisse o que disse o profeta Isaías:

 

“Senhor, quem creu na nossa mensagem?
E quem viu que era o Senhor
    que estava agindo?”
[Is 53:1 - LXX]



39 Não podiam crer porque, como disse Isaías:

 

40 “Deus cegou os olhos deles
e fechou a mente deles,
para que não vejam, e não entendam,
e não se voltem para ele,
e sejam curados por ele.”
[Isaías 6:10 - LXX]



41 Isaías disse isso porque viu a revelação da natureza divina de Jesus e falou a respeito dele.

42 No entanto, muitos líderes judeus creram em Jesus, mas não falavam publicamente a favor dele para que os fariseus não os expulsassem da sinagoga. 43 Eles gostavam mais de ser elogiados pelas pessoas do que de ser elogiados por Deus.






As palavras de Jesus julgam


44 Jesus disse bem alto:

— Quem crê em mim crê não somente em mim, mas também naquele que me enviou. 45 Quem me vê vê também aquele que me enviou. 46 Eu vim ao mundo como luz para que quem crê em mim não fique na escuridão. 47 Se alguém ouvir a minha mensagem e não a praticar, eu não o julgo. Pois eu vim para salvar o mundo e não para julgá-lo. 48 Quem me rejeita e não aceita a minha mensagem já tem quem vai julgá-lo. As palavras que eu tenho dito serão o juiz dessa pessoa no último dia.

49 — Eu não tenho falado em meu próprio nome, mas o Pai, que me enviou, é quem me ordena o que devo dizer e anunciar. 50 E eu sei que o seu mandamento dá a vida eterna. O que eu digo é justamente aquilo que o Pai me mandou dizer.
  


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Daniel 8 a 11 (dia 218)

DANIEL 8

A visão do carneiro e do bode


1 No terceiro ano do reinado de Belsazar, eu tive outra visão. 2 Parecia que eu estava na beira do rio Ulai, em Susã, uma cidade cercada de muralhas, que fica na província de Elão. 3 De repente, vi perto do rio um carneiro que tinha dois chifres compridos. Um deles tinha nascido depois do outro, mas era mais comprido. 4 O carneiro estava dando chifradas para o oeste, para o norte e para o sul, e nenhum animal ou pessoa podia resistir ou escapar dos seus ataques. Ele fazia o que queria e ficava cada vez mais poderoso.


5 Eu estava pensando nisso quando vi um bode que vinha do oeste, correndo tão depressa, que as suas patas nem tocavam o chão. Ele tinha um chifre só, bem grande, que ficava entre os olhos. 6 Correu até o lugar onde estava o carneiro que eu tinha visto perto do rio e o atacou com toda a força. 7 Eu vi o bode, furioso, atacar o carneiro e quebrar os dois chifres dele, pois o carneiro não tinha força para se defender. O bode jogou o carneiro no chão e o pisou com as patas; e ninguém podia salvar o carneiro da fúria do bode. 8 Ele ficou ainda mais poderoso, mas, quando o seu poder chegou ao máximo, o seu chifre foi quebrado, e em lugar dele nasceram quatro chifres compridos, que cresciam para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste.


9 De um desses chifres nasceu um chifre pequeno, que foi crescendo e se estendendo para o sul, para o leste e para a Terra Prometida. 10 Cresceu tanto, que chegou até o lugar onde está o exército do céu, que são as estrelas; jogou na terra algumas delas e as pisou. 11 Chegou até a desafiar o comandante desse exército. Acabou com os sacrifícios diários que eram oferecidos a esse comandante e deixou o seu Templo todo estragado. 12 Em vez do sacrifício diário, foi apresentada uma oferta nojenta. Ele acabou com a verdadeira religião, e tudo o que fez deu certo.


13 Depois, ouvi dois anjos conversando, e um perguntou ao outro:
— Quanto tempo vai durar aquilo que apareceu na visão? Por quanto tempo essa oferta nojenta será apresentada em lugar do sacrifício diário? Por quanto tempo ficará estragado o Templo e derrotado o exército do céu?


14 E ouvi a resposta:
— Tudo isso vai acontecer depois de duas mil e trezentas tardes e manhãs, e durante esse tempo não serão oferecidos os sacrifícios. Depois disso o Templo será purificado.






O anjo Gabriel explica a visão


15 Eu estava procurando entender o que tinha visto, quando apareceu na minha frente um ser que parecia um homem. 16 E ouvi uma voz humana que vinha do rio Ulai e que gritou assim:
— Gabriel, explique a visão a esse homem.


17 Aí Gabriel chegou mais perto de mim, e isso me deixou muito assustado. Eu me ajoelhei e encostei o rosto no chão. E ele disse:
— Você, homem mortal, precisa entender a visão, pois ela é a respeito do tempo do fim.


18 Ele ainda falava quando desmaiei e caí de bruços no chão. Mas ele me pegou, me pôs de pé 19 e disse:
— Eu vou lhe contar o que vai acontecer quando passar a ira de Deus, pois essa visão é a respeito do tempo marcado para o fim. 20 O carneiro com dois chifres, que você viu, representa os reis da Média e da Pérsia. 21 O bode é o rei da Grécia, e o seu chifre grande é o primeiro rei desse país. 22 Os quatro chifres que nasceram quando o primeiro chifre foi quebrado representam os quatro reinos em que o país será dividido, mas esses reinos não serão tão poderosos como o primeiro. 23 Quando o fim desses reinos estiver perto, e as suas maldades tiverem chegado ao máximo, aparecerá um rei cruel e enganador. 24 Ele ficará cada vez mais poderoso, mas não pela sua própria força. Causará destruições terríveis, acabará com povos poderosos e também com o povo de Deus. Fará o que quiser e prosperará sempre. 25 Com a sua presença, ele enganará a todos; ficará cada vez mais orgulhoso e matará muitas pessoas à traição. Finalmente, ele desafiará a Deus, o Rei dos reis, mas será destruído sem o uso de força humana.


26 E Gabriel terminou assim:
— Você já ouviu a verdadeira explicação dos sacrifícios da tarde e da manhã. Mas não diga a ninguém o que quer dizer a visão que você teve, pois ainda vai demorar muito tempo até que ela se cumpra.


27 Eu, Daniel, passei vários dias abatido e doente. Depois, fiquei bom e comecei a tratar dos negócios do governo. Mas continuei muito preocupado com a visão, pois não conseguia entendê-la.






DANIEL 9

Daniel ora pelo seu povo


1 Dario, filho de Xerxes, do país da Média, era rei da Babilônia. 2 No primeiro ano do seu reinado, eu estava estudando os livros sagrados e pensando nos setenta anos que Jerusalém ficaria arrasada, de acordo com o que o Senhor Deus tinha dito ao profeta Jeremias. 3 Em sinal de tristeza, eu vesti uma roupa feita de pano grosseiro, sentei-me sobre cinzas, deixei de comer e orei com fervor ao Senhor Deus, fazendo-lhe pedidos e súplicas. 4 Orei ao Senhor, meu Deus, e fiz a seguinte confissão:


— Senhor Deus, tu és grande e poderoso! Tu guardas a aliança que fizeste com os que te amam e obedecem aos teus mandamentos e sempre lhes dás provas do teu amor. 5 Nós temos cometido pecados e maldades; fizemos coisas más e nos revoltamos contra ti; desobedecemos às tuas leis e aos teus mandamentos. 6 Não demos atenção aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos líderes, aos nossos antepassados, sim, a todo o povo de Israel. 7 Tu, ó Senhor, és sempre justo; mas agora sentimos vergonha, nós, o teu povo, tanto os que vivem na Judeia e em Jerusalém como os que tu espalhaste pelos países de perto e de longe. Tu fizeste isso porque eles se revoltaram contra ti. 8 Os nossos reis, os nossos líderes, os nossos antepassados, todos nós temos pecado contra ti, ó Senhor, e por isso estamos envergonhados. 9 Mas tu és misericordioso e estás pronto para nos perdoar, mesmo quando nos revoltamos contra ti. 10 Desobedecemos à tua ordem, ó Senhor, nosso Deus, e não seguimos as leis que nos deste por meio dos teus servos, os profetas. 11 Todo o povo de Israel quebrou os teus mandamentos e não obedeceu às tuas ordens. Pecamos contra ti, e por isso fizeste cair sobre nós as maldições e as desgraças que estão escritas na Lei de Moisés, servo de Deus. 12 Tu cumpriste as ameaças que fizeste contra nós e contra os nossos líderes e nos castigaste duramente. Nunca, em lugar nenhum, houve uma desgraça tão grande como a que caiu sobre Jerusalém, 13 e isso aconteceu de acordo com o que está escrito na Lei de Moisés. Mas mesmo assim nós não temos abandonado os nossos pecados, nem temos nos esforçado para seguir a tua verdade; não fizemos nada para agradar ao Senhor, nosso Deus. 14 Portanto, tu, ó Senhor, preparaste esse castigo e o fizeste cair sobre nós. Tu és o Senhor, nosso Deus; tu és justo em tudo o que fazes, e nós não temos dado atenção às tuas ordens.


15 — Ó Senhor, nosso Deus, tu mostraste o teu grande poder quando tiraste o teu povo do Egito, e a fama que ganhaste com isso continua até hoje. Mas nós temos pecado e feito o mal. 16 Ó Senhor, tu és misericordioso; portanto, não continues irado e furioso com Jerusalém, que é a tua cidade e o teu monte santo. Por causa dos nossos pecados e dos pecados dos nossos antepassados, os povos de todos os países vizinhos zombam de Jerusalém e do teu povo. 17 Ó nosso Deus, ouve a minha oração, atende a súplica deste teu servo. Para que todos saibam que tu, Senhor, és Deus, derrama as tuas bênçãos sobre o teu Templo, que agora está abandonado. 18 Ouve, ó meu Deus, e atende a minha oração. Abre os olhos, vê a nossa desgraça e olha para a tua cidade. Fazemos os nossos pedidos por causa da tua grande compaixão e não porque sejamos bons e honestos. 19 Ouve, ó Senhor! Perdoa-nos, Senhor! Atende-nos, Senhor, e vem ajudar-nos. Para que todos saibam que tu és Deus, não demores em nos socorrer, ó meu Deus, pois nós somos o teu povo, e Jerusalém é a tua cidade.






Gabriel explica a profecia


20 Eu continuei a orar, e a confessar os meus pecados e também os do meu povo, e a fazer ao Senhor, meu Deus, as minhas súplicas em favor do seu monte santo. 21 Ainda estava orando quando Gabriel, o mesmo anjo que eu já tinha visto na visão, veio voando rapidamente e parou perto de mim. Eram três horas, a hora do sacrifício da tarde.

22 Ele disse:


— Daniel, eu vim explicar o que quer dizer a visão. 23 Logo que você começou a orar, Deus atendeu o seu pedido. Deus o ama muito e por isso me mandou explicar a visão a você. Portanto, preste atenção e procure entender o que vou dizer.


24 — Daniel, o castigo do seu povo e da sua santa cidade vai durar setenta anos vezes sete, até que termine a revolta, e o pecado acabe. Então o seu povo vai conseguir o perdão dos seus pecados, e a justiça eterna de Deus será feita. A visão e a profecia serão cumpridas, e o santo Templo será inaugurado de novo. 25 Preste atenção, Daniel, e compreenda. Depois de ser dada a ordem para reconstruir Jerusalém, sete anos vezes sete vão passar até que chegue o líder escolhido por Deus. As novas ruas e muralhas de Jerusalém durarão sessenta e dois anos vezes sete, mas será um tempo de muito sofrimento. 26 No fim desse tempo, o líder escolhido por Deus será morto injustamente. Chegará um rei com o seu exército e destruirá a cidade e o Templo. O fim virá como uma enchente, trazendo a guerra e as destruições que Deus resolveu mandar. 27 Esse rei fará com muitos povos um acordo que durará sete anos; mas, quando passar metade desse tempo, ele acabará com os sacrifícios de animais e as ofertas de cereais no Templo. “O grande terror” será colocado no lugar mais alto do Templo e ali ficará até que aquele que fez isso seja destruído, conforme Deus resolveu.






DANIEL 10

A visão de Daniel na beira do rio Tigre


1 Durante o terceiro ano de Ciro como rei da Pérsia, eu, Daniel, também chamado de Beltessazar, recebi uma mensagem de Deus. A mensagem era verdadeira, mas muito difícil de entender; eu recebi a explicação por meio de uma visão. 2 Naquela ocasião, fiquei de luto por três semanas. 3 Durante aquele tempo, não comi nenhuma comida gostosa nem carne, não bebi vinho e não penteei o cabelo.


4 No dia vinte e quatro do primeiro mês do ano, eu estava na beira do grande rio Tigre, 5 quando, de repente, vi um anjo vestido com roupas de linho e usando um cinto de ouro puro. 6 O seu corpo brilhava como pedras preciosas, o rosto parecia um relâmpago, os olhos eram como tochas acesas, os braços e as pernas brilhavam como bronze polido, e a voz soava como o barulho de uma multidão.


7 Eu fui o único que vi essa visão. Os meus companheiros não viram nada, mas ficaram apavorados, e fugiram, e se esconderam. 8 Eu estava ali sozinho enquanto via essa visão impressionante. Fiquei pálido de medo e perdi as forças. 9 Quando ouvi o anjo falar, desmaiei e caí de bruços no chão. 10 Aí a mão de alguém me levantou, e eu fiquei de joelhos, apoiando-me nas palmas das mãos. 11 E o anjo me disse:
— Daniel, Deus o ama muito e me mandou falar com você. Fique de pé e preste atenção no que vou dizer.


Então eu fiquei de pé, tremendo dos pés até a cabeça. 12 Aí ele disse:
— Não fique com medo, Daniel, pois Deus ouviu a sua oração desde a primeira vez que você se humilhou na presença dele a fim de ganhar sabedoria. Eu vim em resposta à sua oração. 13 O anjo protetor do Reino da Pérsia lutou contra mim durante vinte e um dias. Mas Miguel, um dos anjos-chefes, veio me ajudar, pois eu estava lutando sozinho contra os reis da Pérsia. 14 Agora, eu vim explicar a você o que vai acontecer com o seu povo, pois essa visão é a respeito de coisas futuras.


15 Enquanto ele me dizia isso, eu fiquei calado, olhando para o chão. 16 De repente, um ser parecido com um homem tocou nos meus lábios; aí comecei a falar e disse ao anjo que estava na minha frente:
— Meu senhor, essa visão me deixou aflito, e estou me sentindo fraco. 17 Como é que eu, o seu criado, posso falar com o senhor? Estou completamente sem forças e quase não posso respirar.


18 Então ele me tocou de novo, e com isso senti as minhas forças voltarem.


19 Ele disse:
— Deus o ama. Portanto, não fique com medo. Que a paz de Deus esteja com você. Anime-se! Tenha coragem!


Então eu me senti bem mais forte e respondi:
— Fale, pois o senhor me deu novas forças.


20-21 Ele disse:
— Sabe por que eu vim falar com você? Foi para dizer-lhe o que está escrito no Livro da Verdade. Mas agora eu preciso ir lutar contra o anjo protetor da Pérsia. Quando a luta acabar, virá o anjo protetor da Grécia. Mas na minha luta contra eles não há ninguém para me ajudar, a não ser Miguel, o anjo protetor de Israel.






DANIEL 11


1 Ele tem a responsabilidade de me ajudar e defender.






Os reinos do Egito e da Síria


2 E o anjo continuou, dizendo:

— O que vou lhe dizer é a verdade. A Pérsia terá mais três reis; depois deles terá um quarto rei, que será o mais rico de todos. Com a sua grande riqueza ele será muito poderoso; reunirá todos os seus soldados e atacará o Reino da Grécia. 3 Depois, aparecerá outro rei, muito valente. O seu reino será imenso, e ele fará o que quiser. 4 Mas, quando o seu poder chegar ao máximo, o seu reino será desfeito e dividido em quatro partes. Os reis que vão ficar no lugar dele não serão seus descendentes e não terão o mesmo poder que ele tinha.


5 — O rei do Egito será poderoso, mas um dos seus generais será mais poderoso ainda e governará um reino maior. 6 Depois de alguns anos, o rei do Egito e o rei da Síria farão um acordo, e o rei do Egito dará a sua filha em casamento ao rei da Síria, para garantir a paz entre as duas nações. Porém o plano fracassará, pois ela, o marido, o filho e os empregados serão todos assassinados. 7 Mas, pouco depois disso, um parente dela se tornará rei e marchará com as suas tropas contra o exército do rei da Síria, entrará na fortaleza dos sírios e os derrotará. 8 Ele levará para o Egito as imagens dos deuses da Síria e objetos de valor feitos de ouro e de prata. Haverá alguns anos de paz entre as duas nações, 9 mas depois o rei da Síria procurará invadir o Egito. Porém ele será derrotado e voltará para a sua terra.


10 — Os filhos do rei da Síria se prepararão para a guerra e organizarão um exército poderoso. Um deles sairá com as suas tropas para conquistar o Egito e arrasará tudo como se fosse uma enchente. Invadirá o Egito e atacará a fortaleza do rei. 11 O rei do Egito ficará tão furioso, que sairá com o seu exército e atacará os sírios, que se entregarão aos egípcios. 12 O rei do Egito ficará muito orgulhoso por ter derrotado os sírios e por ter matado tantos soldados. Mas o seu poder durará pouco. 13 Depois, o rei da Síria reunirá um exército ainda maior e, após alguns anos, voltará com o seu grande exército bem-armado para atacar o Egito.


14 — Aí muitos povos se revoltarão contra o rei do Egito. Entre eles haverá alguns homens violentos da terra de Israel; eles se revoltarão, obedecendo a uma visão que tiveram, mas serão derrotados. 15 O rei da Síria virá com o seu exército, construirá rampas de ataque em volta de uma cidade protegida por muralhas e a conquistará. Nem mesmo os melhores soldados do exército egípcio poderão impedir o avanço das tropas sírias. 16 O inimigo fará tudo o que quiser com os soldados egípcios, e não haverá ninguém que resista. Ele invadirá a Terra Prometida e a conquistará completamente.


17 — Então o rei da Síria porá todo o seu exército em pé de guerra para lutar contra o Egito. A fim de derrotar o inimigo, ele fará um acordo com o rei do Egito e lhe oferecerá a filha em casamento. Mas não será bem-sucedido. 18 Aí ele atacará as cidades do litoral do mar Mediterrâneo e conquistará muitas delas. Mas um chefe militar estrangeiro acabará com o seu orgulho e o deixará envergonhado. 19 O rei da Síria voltará para atacar as fortalezas do seu próprio país, mas fracassará e será morto; e nunca mais se ouvirá falar dele.


20 — Em lugar dele, reinará outro rei, que mandará um oficial para cobrar impostos a fim de enriquecer o seu reino. Logo depois, esse rei será morto, mas isso não acontecerá no campo de batalha.


21 — O seguinte rei da Síria será um homem muito mau, que não terá direito de ser rei; mas ele disfarçará as suas más intenções e com intrigas conquistará o poder. 22 Ele derrotará todos os exércitos inimigos e matará o Grande Sacerdote. 23 Enganará os que fizerem acordos com ele e, mesmo com um pequeno exército, ele se tornará cada vez mais poderoso. 24 Atacará de surpresa as províncias mais ricas do país e nelas fará coisas terríveis, que os seus antepassados nunca fizeram. Repartirá com os seus soldados as riquezas, os bens e os objetos de valor que caírem nas suas mãos. E por um pouco de tempo ele fará planos para atacar as fortalezas do país.


25 — Confiando no seu poder e na sua coragem, ele marchará com o seu grande exército contra o rei do Egito. Este sairá para a batalha com um exército grande e poderoso, mas não vencerá, pois será traído 26 pelos seus próprios conselheiros, que o levarão à desgraça. O seu exército será derrotado, e muitos dos seus soldados serão mortos. 27 Então os dois reis terão um encontro e dirão mentiras, cada um procurando prejudicar o outro. Mas nenhum dos dois levará vantagem, pois ainda não terá chegado o tempo certo. 28 Depois, o rei da Síria voltará para o seu país, levando todas as riquezas que tiver conseguido na guerra. Planejará acabar com a religião do povo de Israel e fará contra eles o que quiser. Depois, voltará para o seu país.


29 — Quando chegar o tempo certo, ele marchará de novo com os seus soldados contra o Egito, mas desta vez não vencerá, como venceu na primeira vez. 30 Soldados virão do oeste em navios e o atacarão. Desesperado, ele desistirá da luta e, cheio de fúria, atacará novamente o povo de Israel, fazendo com eles o que quiser. Desta vez, ele seguirá o conselho dos judeus que abandonaram a sua religião. 31 Os seus soldados profanarão o Templo, acabarão com os sacrifícios diários e colocarão no Templo “o grande terror”. 32 Por meio de bajulação, o rei ganhará o apoio dos judeus que abandonaram a sua religião; mas aqueles que amam a Deus ficarão firmes e combaterão o rei. 33 Mestres sábios aconselharão o povo, mas por algum tempo serão mortos à espada ou no fogo, ou serão mandados para fora do país como prisioneiros, ou perderão todos os seus bens. 34 Durante este tempo de perseguição, o povo de Deus receberá a ajuda de alguns; mas muitos os ajudarão só por interesse próprio. 35 Alguns dos mestres sábios serão mortos, mas isso será um meio de purificar e aperfeiçoar o povo de Deus. Isso continuará até chegar o fim, no tempo marcado por Deus.


36 — O rei da Síria fará o que quiser. Ele será tão vaidoso, que pensará que está acima de todos os deuses e dirá coisas terríveis contra o Deus dos deuses. Ele fará tudo isso até que Deus o castigue; pois Deus o castigará, de acordo com o que já decidiu. 37 Esse rei não adorará os deuses que os seus antepassados adoravam, nem os deuses que as mulheres preferem, nem qualquer outro deus, pois ele acreditará que está acima de todos os deuses. 38 Mas ele adorará o deus protetor das fortalezas. A esse deus, que os seus antepassados não conheciam, esse rei oferecerá ouro, prata, pedras preciosas e outros objetos de valor. 39 Com a ajuda de pessoas que adoram um deus estrangeiro, ele defenderá as suas fortalezas. E todos os que o aceitarem como rei receberão honrarias, posições de autoridade e terras.


40 — Quando chegar o momento final, o rei do Egito atacará o rei da Síria, e este sairá ao seu encontro com todas as suas forças armadas, isto é, carros de guerra, a cavalaria e muitos navios. Como as águas de uma enchente, os seus soldados invadirão o Egito. 41 Ele invadirá também a Terra Prometida e matará milhares e milhares de pessoas; mas escaparão os povos de Edom e de Moabe e a maior parte do povo de Amom. 42 O seu exército ocupará muitos países; nem mesmo o Egito escapará. 43 Levará do Egito os tesouros de ouro e de prata e outros objetos de valor. E conquistará também a Líbia e a Etiópia. 44 Mas chegarão notícias do Leste e do Norte, que o encherão de medo. Furioso, ele sairá com os seus soldados, resolvido a matar muita gente. 45 Armará o seu acampamento entre o mar Mediterrâneo e o lindo monte sagrado. Mas morrerá, e não haverá ninguém para socorrê-lo.

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Nova Traduҫão na Linguagem de Hoje 2000 (NTLH) Copyright 2000 Sociedade Bíblica do Brasil. Todos os direitos reservados / All rights reserved.



Daniel 4 a 7 (dia 217)

DANIEL 4

Nabucodonosor tem outro sonho


1 O rei Nabucodonosor mandou aos povos de todas as nações, raças e línguas a seguinte mensagem:

— Felicidade e paz para todos! 2 Quero que todos saibam dos maravilhosos milagres que o Deus Altíssimo fez em meu favor. 3 Grandes são os seus milagres, e as coisas que ele fez são espantosas! Pois ele é o Rei eterno e reinará para sempre.


4 E continuou:
— Eu, Nabucodonosor, vivia sossegado no meu palácio, e tudo ia muito bem. 5 Mas certa noite tive um sonho que me deixou preocupado. Enquanto dormia, ideias e visões horrorosas tomaram conta de mim. 6 Por isso, mandei chamar todos os sábios da Babilônia, para que eles me explicassem o sonho. 7 Vieram então os sábios, os adivinhos, os astrólogos e os feiticeiros, e eu lhes contei o sonho, mas nenhum deles pôde explicá-lo. 8 Finalmente, apresentou-se Daniel, conhecido também como Beltessazar, nome que recebeu em honra do meu deus. O espírito dos santos deuses está nele, e por isso eu lhe contei o meu sonho. Eu disse: 9 “Beltessazar, chefe dos adivinhos, eu sei que o espírito dos santos deuses está em você e que não há mistério que você não possa explicar. Por isso vou lhe contar o sonho e quero que você explique o que ele quer dizer. 10 Eu estava deitado na cama e, de repente, tive uma visão. Nela vi uma árvore muito alta, plantada no centro da terra. 11 A árvore cresceu e cresceu até tocar o céu e era tão grande, que podia ser vista de qualquer lugar do mundo. 12 As suas folhas eram belas, e ela dava tantas frutas, que o mundo todo podia se alimentar delas. Animais selvagens descansavam na sombra da árvore, as aves faziam ninhos nos seus galhos, e todos os seres vivos se alimentavam das suas frutas. 13 Eu ainda estava sonhando, quando, de repente, vi um anjo-vigia que descia do céu 14 e dizia em voz muito alta:



‘Derrubem a árvore, cortem os seus galhos,
tirem as folhas e joguem fora as frutas.
Espantem os animais que estão descansando na sua sombra
e as aves que estão nos seus galhos.
15 Mas deixem ficar o toco e as suas raízes
e o amarrem com correntes de ferro e de bronze,
no meio do capim bravo, no campo.
Assim o sereno cairá sobre esse toco — esse homem —,
e ele comerá capim como os animais.
16 Ele perderá o juízo
e começará a pensar como animal;
sete anos viverá assim.
17 Esta é a sentença dada pelos anjos,
pelos anjos-vigias do céu,
a fim de que todos saibam
que o Deus Altíssimo domina todos os reinos do mundo.
Ele dá esses reinos a quem quer,
mesmo ao mais humilde de todos os homens.’ ”



18 E Nabucodonosor terminou, dizendo:

— Foi esse o sonho que eu tive, e nenhum dos meus sábios pôde me explicar o que ele quer dizer. Mas você, Beltessazar, pode dar a explicação porque o espírito dos santos deuses está em você. Portanto, explique o que o sonho quer dizer.






Daniel explica o sonho


19 Ao ouvir isso, Daniel, também conhecido como Beltessazar, ficou espantado e por alguns instantes não sabia o que pensar. O rei lhe disse:
— Beltessazar, não se preocupe com o sonho nem com o que ele quer dizer.


Mas Daniel respondeu:
— Ó rei, quem dera que o sonho e a sua mensagem não fossem a respeito do senhor, mas a respeito dos seus inimigos! 20 O senhor viu uma árvore que cresceu e cresceu até tocar o céu e que era tão grande, que podia ser vista de qualquer lugar do mundo. 21 As suas folhas eram belas, e ela dava tantas frutas, que o mundo todo podia se alimentar delas. Animais selvagens descansavam na sombra da árvore, e as aves faziam ninhos nos seus galhos.


22 — Aquela árvore, ó rei, é o senhor. Pois o senhor se tornou poderoso, e o seu poder aumentou tanto, que chegou até o céu, e o seu domínio se estendeu pelo mundo inteiro. 23 E o senhor viu também um anjo-vigia descendo do céu e dizendo: “Derrubem a árvore e quebrem todos os seus galhos, mas deixem ficar o toco e as suas raízes e o amarrem com correntes de ferro e de bronze, para que fique no meio do capim bravo, no campo. Assim o sereno cairá sobre esse homem, e ele terá de comer o que os animais comem. Sete anos ele viverá assim.”


24 E Daniel continuou:
— E agora vou dar a explicação. Este sonho trata da sentença do Deus Altíssimo contra o senhor, ó rei. 25 O senhor será expulso do meio dos seres humanos e ficará morando com os animais selvagens. O senhor comerá capim como os bois, dormirá ao ar livre e ficará molhado pelo sereno. Isso durará sete anos, até que o senhor reconheça que o Deus Altíssimo domina todos os reinos do mundo e coloca como rei o homem que ele quer. 26 A ordem do anjo para que deixassem ficar o toco da árvore com as raízes quer dizer que o senhor será rei de novo, mas só quando confessar que Deus domina o mundo inteiro. 27 Ó rei, aceite o meu conselho. Deixe de pecar e faça o que é certo; acabe com as suas maldades e ajude os pobres. Assim talvez o senhor possa continuar a viver em paz e felicidade.


28 E, de fato, tudo isso aconteceu com o rei Nabucodonosor. 29 Doze meses mais tarde, ele estava passeando no terraço do seu palácio na cidade de Babilônia 30 e disse:
— Como é grande a cidade de Babilônia! Com o meu grande poder, eu a construí para ser a capital do meu reino, a fim de mostrar a todos a minha grandeza e a minha glória.


31 O rei ainda estava falando quando veio uma voz do céu, que disse:
— Preste atenção, rei Nabucodonosor! Este reino não é mais seu. 32 Você será expulso do meio dos seres humanos, ficará morando com os animais selvagens e comerá capim como os bois. Isso durará sete anos, até que você reconheça que o Deus Altíssimo domina todos os reinos do mundo e coloca como rei quem ele quer.


33 Naquele mesmo instante, cumpriu-se a sentença contra Nabucodonosor. Ele foi expulso do meio dos seres humanos e começou a comer capim como os bois. Dormia ao ar livre e ficava molhado pelo sereno. O seu cabelo ficou comprido, parecido com penas de águia, e as suas unhas cresceram tanto, que pareciam garras de um gavião.






O rei Nabucodonosor louva o Deus Altíssimo


34 O rei disse:
— Depois de passados os sete anos, eu olhei para o céu, e o meu juízo voltou. Aí agradeci ao Deus Altíssimo e dei louvor e glória àquele que vive para sempre. Eu disse:



“O poder do Altíssimo é eterno;
o seu reino não terá fim.
35 Para ele, os seres humanos não têm nenhum valor;
ele governa todos os anjos do céu e todos os moradores da terra.
Não há ninguém que possa impedi-lo de fazer o que quer;
não há ninguém que possa obrigá-lo a explicar o que faz.”



36 — Logo que o meu juízo voltou — continuou Nabucodonosor —, eu recebi outra vez a minha honra, a minha majestade e a glória do meu reino. Os meus conselheiros e as altas autoridades do meu governo me receberam de volta. Fui rei de novo, com mais poder do que antes. 37 Portanto, eu, o rei Nabucodonosor, agradeço ao Rei do céu e lhe dou louvor e glória. Tudo o que ele faz é certo e justo, e ele pode humilhar qualquer pessoa orgulhosa.






DANIEL 5

O banquete do rei Belsazar


1 Certa noite, o rei Belsazar, da Babilônia, deu um banquete, convidou mil autoridades do país e começou a beber vinho com os convidados. 2 Depois de beber bastante, mandou que trouxessem os copos de ouro e de prata que Nabucodonosor, o seu pai, havia tirado do Templo de Jerusalém. Belsazar queria os copos para que ele, os seus convidados de honra, as suas mulheres e as suas concubinas os usassem para beber vinho. 3 Trouxeram os copos de ouro e todos começaram a beber vinho neles 4 e a louvar os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra.


5 De repente, apareceu a mão de um homem e ela começou a escrever na parede branca do salão do banquete, num lugar iluminado pela luz do candelabro. Ao ver a mão, o rei 6 não sabia o que pensar; ficou pálido de medo e começou a tremer da cabeça aos pés.

 


 

7 Depois, gritando, ordenou que chamassem os adivinhos, os sábios e os astrólogos. Logo que eles chegaram, Belsazar disse:
— Aquele que ler o que está escrito na parede e me explicar o que quer dizer será vestido com roupas de púrpura, receberá uma corrente de ouro para pôr no pescoço e será a terceira autoridade mais importante no meu reino.


8 Todos os sábios entraram no salão, mas nenhum deles pôde ler o que estava escrito na parede, nem explicar ao rei o que aquilo queria dizer. 9 O rei se assustou ainda mais, e o seu rosto ficou mais pálido ainda. E nenhuma das altas autoridades sabia o que fazer.


10 Então a rainha-mãe, que tinha ouvido os gritos do rei e dos seus convidados de honra, entrou no salão e disse ao rei:
— Que o rei viva para sempre! Não se assuste, nem fique pálido assim, 11 pois aqui no seu reino há um homem que tem o espírito dos santos deuses. Quando Nabucodonosor, o seu pai, era rei, esse homem provou que era ajuizado, inteligente e sábio, tão sábio como os deuses. E o rei Nabucodonosor pôs esse homem como chefe dos sábios, adivinhos, feiticeiros e astrólogos. 12 Pois Daniel, esse homem a quem o rei deu o nome de Beltessazar, pensa com muita clareza; ele é sábio e inteligente e pode interpretar sonhos, explicar coisas misteriosas e resolver assuntos difíceis. Portanto, chame Daniel, e ele explicará o que está escrito na parede.






Daniel explica as palavras misteriosas


13 Levaram Daniel até a presença do rei, e este perguntou:
— Você é mesmo aquele Daniel, um dos judeus que o meu pai, o rei Nabucodonosor, trouxe de Judá como prisioneiros? 14 Já me disseram que o espírito dos deuses está em você e que você pensa com muita clareza e é muito inteligente e sábio. 15 Há pouco, estiveram aqui os sábios e os astrólogos, que eu mandei chamar para que lessem as palavras que estão escritas na parede e me explicassem o que elas querem dizer. Porém eles não puderam dar nenhuma explicação. 16 Mas alguém me disse que você pode explicar mistérios e resolver assuntos difíceis. Portanto, se você puder ler o que está escrito e me explicar o que quer dizer, você será vestido com roupas de púrpura, receberá uma corrente de ouro para pôr no pescoço e será a terceira autoridade mais importante do meu reino.


17 Daniel respondeu:
— O senhor pode ficar com os seus presentes ou então dá-los a outra pessoa. Mesmo assim, eu vou ler as palavras que estão escritas na parede e vou explicar ao senhor o que elas querem dizer. 18 Ó rei, o Deus Altíssimo deu o reino ao seu pai, o rei Nabucodonosor, e lhe deu também poder, glória e majestade. 19 O poder que Deus lhe deu era tão grande, que todos os povos do mundo tremiam de medo na presença dele. Se ele queria, matava uma pessoa; ou, se queria, deixava que vivesse. Elevava uns e rebaixava outros. 20 Mas ele ficou tão vaidoso, tão teimoso e tão cheio de si, que foi derrubado do poder e perdeu toda a sua glória. 21 Foi expulso do meio dos seres humanos, perdeu o juízo e agia como um animal. Morava com jumentos selvagens, comia capim como os bois e dormia ao ar livre, ficando molhado pelo sereno. Isso durou até que ele reconheceu que o Deus Altíssimo domina todos os reinos do mundo e coloca como rei quem ele quer.


22 — E o senhor, ó rei Belsazar, filho de Nabucodonosor, sabia de tudo isso, mas mesmo assim não tem sido humilde. 23 Pelo contrário, o senhor desafiou o Rei do céu e mandou trazer os copos que foram tirados do Templo dele, a fim de que o senhor, os seus convidados de honra, as suas mulheres e as suas concubinas bebessem vinho neles. Além disso, o senhor deu louvores a deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem e não sabem nada. Mas o senhor não deu glória a Deus, aquele que tem o poder de matar ou de deixar viver e que decide tudo o que acontece com o senhor. 24 É por isso que ele mandou essa mão escrever na parede estas palavras: 25 “Mene, Mene, Tequel e Parsim”.


26 — E agora a explicação. Mene quer dizer que Deus contou o número dos dias do reinado do senhor e resolveu terminá-lo. 27 Tequel quer dizer que o senhor foi pesado na balança e pesou muito pouco. 28 Peres quer dizer que o seu reino será dividido e entregue aos medos e aos persas.


29 Aí o rei Belsazar mandou que vestissem Daniel com roupas de púrpura, pusessem uma corrente de ouro no seu pescoço e anunciassem que dali em diante ele seria a terceira autoridade mais importante do Reino da Babilônia.


30 Naquela mesma noite, Belsazar, o rei da Babilônia, foi morto, 31 e Dario, o rei do país da Média, que tinha sessenta e dois anos de idade, começou a reinar no seu lugar.






DANIEL 6

Daniel na cova dos leões


1 O rei Dario resolveu dividir o país em cento e vinte províncias e escolher cento e vinte homens para governá-las. 2 A fim de que tudo corresse bem, e não houvesse prejuízo, o rei nomeou três ministros para controlarem os cento e vinte governadores. Um desses ministros era Daniel, 3 e ele mostrou logo que era mais competente do que os outros ministros e governadores. Ele tinha tanta capacidade, que o rei pensou em colocá-lo como a mais alta autoridade do reino. 4 Aí os outros ministros e os governadores procuraram achar um motivo para acusar Daniel de ser mau administrador, mas não encontraram. Daniel era honesto e direito, e ninguém podia acusá-lo de ter feito qualquer coisa errada. 5 Então eles disseram uns aos outros:

— Nunca encontraremos motivo para acusar Daniel, a não ser que seja alguma coisa que tenha a ver com a religião dele.


6 Então foram todos juntos falar com o rei e disseram:
— Que o rei Dario viva para sempre! 7 Todos nós que ocupamos posições de autoridade no reino, isto é, os ministros, os governadores, os prefeitos e as outras autoridades, nos reunimos e concordamos em pedir ao senhor que dê uma ordem que não poderá ser desobedecida. Ordene que durante trinta dias todos façam os seus pedidos somente ao senhor. Se durante esse tempo alguém fizer um pedido a qualquer deus ou a qualquer outro homem, essa pessoa será jogada na cova dos leões. 8 Portanto, ó rei, dê a ordem e a assine, a fim de que não possa ser anulada. De acordo com a lei dos medos e dos persas, essa ordem não poderá ser anulada.


9 O rei concordou; assinou a ordem e mandou que fosse publicada.


10 Quando Daniel soube que o rei tinha assinado a ordem, voltou para casa. No andar de cima havia um quarto com janelas que davam para Jerusalém. Daniel abriu as janelas, ajoelhou-se e orou, dando graças ao seu Deus. Ele costumava fazer isso três vezes por dia.


11 Os inimigos de Daniel foram juntos até a casa dele e o encontraram orando ao seu Deus. 12 Então foram procurar o rei a fim de falar com ele a respeito da ordem. Eles disseram:
— Ó rei, o senhor assinou uma ordem que proíbe que durante trinta dias se façam pedidos a qualquer deus ou a qualquer outro homem, a não ser ao senhor. E a ordem diz também que quem desobedecer será jogado na cova dos leões. Não é verdade?


O rei respondeu:
— É verdade, e a ordem deve ser obedecida. De acordo com a lei dos medos e dos persas, ela não pode ser anulada.


13 Aí eles disseram ao rei:
— Mas Daniel, um dos prisioneiros que vieram da terra de Judá, não respeita o senhor, nem se importa com a ordem, pois ora ao Deus dele três vezes por dia.


14 Ao ouvir isso, o rei ficou muito triste e resolveu salvar Daniel. Até o pôr do sol daquele dia, ele fez tudo o que pôde para salvá-lo. 15 Os inimigos de Daniel foram falar de novo com o rei e disseram:
— O senhor sabe muito bem que, de acordo com a lei dos medos e dos persas, nenhuma ordem ou lei assinada pelo rei pode ser anulada.


16 Então o rei mandou que trouxessem Daniel e o jogassem na cova dos leões. E o rei disse a Daniel:
— Espero que o seu Deus, a quem você serve com tanta dedicação, o salve.


17 Trouxeram uma pedra e com ela taparam a boca da cova. O rei selou a pedra com o seu próprio anel e com o anel das altas autoridades do reino, para que, mesmo no caso de Daniel, a lei fosse cumprida ao pé da letra. 18 O rei voltou para o palácio, mas não comeu nada, nem se divertiu como de costume. E naquela noite não pôde dormir.


19 De manhã, cedinho, ele se levantou e foi depressa até a cova dos leões. 20 Ali, com voz muito triste, ele disse:
— Daniel, servo do Deus vivo! Será que o seu Deus, a quem você serve com tanta dedicação, conseguiu salvá-lo dos leões?


21 Daniel respondeu:
— Que o rei viva para sempre! 22 O meu Deus mandou o seu Anjo, e este fechou a boca dos leões para que não me ferissem. Pois Deus sabe que não fiz nada contra ele. E também não cometi nenhum crime contra o senhor.


 


 

23 O rei, muito alegre, mandou que tirassem Daniel da cova. Assim ele foi tirado, e viram que nenhum mal havia acontecido com ele, pois havia confiado em Deus. 24 Em seguida, o rei mandou que trouxessem os homens que tinham acusado Daniel. Todos eles, junto com as suas mulheres e os seus filhos, foram jogados na cova. E, antes mesmo de chegarem ao fundo, os leões os atacaram e os despedaçaram.


25 Então o rei Dario escreveu uma carta para os povos de todas as nações, raças e línguas do mundo. A carta dizia o seguinte:


“Felicidade e paz para todos!

26 Eu ordeno que todas as pessoas do meu reino respeitem e honrem o Deus que Daniel adora.

Pois ele é o Deus vivo,
que vive para sempre.
O seu reino nunca será destruído;
o seu poder nunca terá fim.
27 Ele socorre e salva;
no céu e na terra, ele faz milagres e maravilhas.
Foi ele quem salvou Daniel,
livrando-o das garras dos leões.”




28 E Daniel continuou a ser uma alta autoridade no governo durante o reinado de Dario e depois durante o reinado de Ciro, da Pérsia.






DANIEL 7

A visão dos quatro monstros


1 Certa noite, durante o primeiro ano de Belsazar como rei da Babilônia, Daniel se deitou na sua cama e sonhou e no sonho teve visões. Quando acordou, ele escreveu aquilo que tinha sonhado.


2 Aqui está o que ele escreveu:


No sonho que tive naquela noite, eu vi os ventos soprando de todas as direções e agitando as águas do mar imenso. 3 De repente, saíram do mar quatro monstros enormes, diferentes uns dos outros.

 

 

4 O primeiro parecia um leão, mas tinha asas de águia. Enquanto eu olhava, as suas asas foram arrancadas, e ele foi posto de pé para que andasse como homem. E foi dada a ele uma mente humana.

5 O segundo monstro era parecido com um urso. Ele se levantou nas patas de trás e segurava três costelas na boca. E uma voz lhe dizia: “Vá e coma muita carne.”

6 Depois, vi o terceiro monstro, e este era parecido com um leopardo. Ele tinha quatro cabeças e nas costas tinha quatro asas, como asas de ave. A este animal foi dada a autoridade para reinar.

7 O quarto monstro que vi naquela visão era terrível, espantoso e muito forte. Tinha enormes dentes de ferro e com eles despedaçava e devorava as suas vítimas; o que sobrava ele esmagava com as patas. Esse monstro era diferente dos outros três e tinha dez chifres. 8 Eu estava olhando os chifres com atenção e notei outro chifre, menor, que nasceu entre os outros. Três chifres foram arrancados para dar lugar a esse chifre menor, que tinha olhos, como os de gente, e uma boca que falava com muito orgulho.






A visão de Deus


9 Continuei olhando e vi que foram postos alguns tronos. Num deles, assentou-se aquele que sempre existiu. A sua roupa era branca como a neve, e os seus cabelos eram brancos como a lã. O trono e as suas rodas pareciam labaredas de fogo, 10 e de um lugar em frente do trono saía um rio de fogo. Havia ali milhares de pessoas que adoravam aquele que estava sentado no trono, e muitos milhões estavam de pé na presença dele. Começou o julgamento, e foram abertos os livros.

11 Continuei olhando, pois o chifre pequeno ainda estava dizendo palavras orgulhosas. E vi quando o quarto monstro foi morto; e o seu corpo foi despedaçado e jogado no fogo. 12 Quanto aos outros monstros, o poder que tinham foi tirado deles, mas não foram mortos; foi dado a eles mais um pouco de tempo para viverem.

13 Na mesma visão que tive naquela noite, vi um ser parecido com um homem, que vinha entre as nuvens do céu. Ele foi até o lugar onde estava aquele que sempre existiu e foi apresentado a ele. 14 Deram-lhe o poder, a honra e a autoridade de rei, a fim de que os povos de todas as nações, línguas e raças o servissem. O seu poder é eterno, e o seu reino não terá fim.






A explicação das visões


15 As visões me espantaram, e eu fiquei preocupado com o que tinha visto. 16 Cheguei perto de um dos que estavam ali e pedi que me explicasse o que eu tinha visto. Então ele explicou assim:


17 — Os quatro monstros enormes são quatro reis que vão dominar o mundo. 18 Mas o reino será dado ao povo do Deus Altíssimo, e esse povo reinará para sempre.


19 Eu quis saber também a explicação a respeito do quarto monstro, que era diferente dos outros três, que era terrível e tinha dentes de ferro e unhas de bronze, que despedaçava e devorava as suas vítimas e que esmagava com as patas aquilo que sobrava. 20 Pedi também que me explicasse os dez chifres que esse monstro tinha na cabeça e o outro chifre que havia crescido, derrubando três chifres; esse chifre, que parecia mais forte do que os outros, tinha olhos e uma boca que falava com muito orgulho. 21 Enquanto eu olhava, esse chifre começou a lutar contra o povo de Deus e estava vencendo, 22 até que chegou aquele que sempre existiu. Ele julgou a favor do povo do Deus Altíssimo, pois havia chegado o tempo de esse povo começar a reinar.


23 A explicação que recebi foi esta:

— O quarto monstro é um rei, e o reino dele será bem diferente dos outros. Ele conquistará o mundo inteiro, destruirá todas as nações e as deixará arrasadas. 24 Os dez chifres representam dez reis que governarão esse reino. Depois deles, aparecerá outro rei que será diferente dos primeiros; ele derrotará três reis. 25 Ele falará contra Deus e perseguirá o povo do Deus Altíssimo. Procurará mudar a Lei de Deus e os tempos das festas religiosas. O povo de Deus será dominado por ele durante três anos e meio. 26 Mas depois disso o tribunal o condenará, e assim ele perderá o seu reino, e o seu poder acabará para sempre. 27 Mas o reino, o poder e a glória serão dados ao povo do Deus Altíssimo, e eles governarão o mundo inteiro para sempre; todos os outros povos os servirão, todos lhes obedecerão.


28 Aqui termina a explicação. Eu continuei muito preocupado com os meus pensamentos, e o meu rosto ficou pálido. Mas eu não disse nada a ninguém.

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