Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)
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terça-feira, 12 de abril de 2011

Gênesis 45 a 48 (dia 12)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 45

José conta quem é

José não conseguiu mais controlar a sua emoção diante dos seus empregados, de modo que gritou:
- Saiam todos daqui!

Por isso, nenhum dos empregados estava ali quando José contou aos irmãos quem ele era. Ele começou a chorar tão alto, que os egípcios ouviram, e a notícia chegou até o palácio do rei.

José disse aos irmãos:
- Eu sou José. O meu pai ainda está vivo?

Quando os irmãos ouviram isso, ficaram tão assustados, que não puderam responder nada.

E José disse:
- Cheguem mais perto de mim, por favor.


Eles chegaram, e ele continuou:
- Eu sou o seu irmão José, aquele que vocês venderam a fim de ser trazido para o Egito. Agora não fiquem tristes nem aborrecidos com vocês mesmos por terem me vendido a fim de ser trazido para cá. Foi para salvar vidas que Deus me enviou na frente de vocês. Já houve dois anos de fome no mundo, e ainda haverá mais cinco anos em que ninguém vai preparar a terra, nem colher. Deus me enviou na frente de vocês a fim de que ele, de um modo maravilhoso, salvasse a vida de vocês aqui neste país e garantisse que teriam descendentes. Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá, mas foi Deus. Ele me pôs como o mais alto ministro do rei. Eu tomo conta do palácio dele e sou o governador de todo o Egito.

- Agora voltem depressa para casa e digam ao meu pai que o seu filho José manda lhe dizer o seguinte: "Deus me fez governador de todo o Egito. Venha me ver logo; não demore. O senhor morará na região de Gosém e assim ficará perto de mim - o senhor, os seus filhos, os seus netos, as suas ovelhas, as suas cabras, o seu gado e tudo o que é seu. A fome ainda vai durar mais cinco anos, e em Gosém eu darei mantimentos ao senhor, à sua família e aos seus animais. Assim não lhes faltará nada."

José continuou:
- Todos vocês e Benjamim, o meu irmão, podem ver que sou eu mesmo, José, quem está falando. Contem ao meu pai como sou poderoso aqui no Egito, contem tudo o que têm visto. Vão depressa e tragam o meu pai para cá.

José abraçou o seu irmão Benjamim e começou a chorar. E, abraçado com José, Benjamim também chorou. Então, ainda chorando, José abraçou e beijou cada um dos seus irmãos. Depois disso, os irmãos começaram a falar com ele.

A notícia de que os irmãos de José tinham vindo chegou até o palácio do rei do Egito, e ele e os seus servidores ficaram contentes com isso.

O rei disse a José:
- Diga aos seus irmãos que carreguem os animais e voltem para a terra de Canaã. E me tragam o pai deles e as famílias deles. Eu lhes darei as melhores terras que há no Egito, e eles comerão o que este país produz de melhor. Que os seus irmãos levem daqui do Egito carretas para trazerem as mulheres, as crianças pequenas e também o pai deles. E não se preocupem por deixarem para trás as coisas que têm, pois o melhor que há na terra do Egito será deles.

Os filhos de Jacó fizeram isso. José lhes deu carretas, como o rei havia mandado, e mantimento para a viagem. Também lhes deu roupas novas, mas a Benjamim deu trezentas barras de prata e cinco mudas de roupas. Para o pai, José mandou dez jumentos carregados das melhores coisas do Egito e dez jumentos carregados de trigo, pão e outros mantimentos para a viagem.

Os irmãos se despediram, e na hora de partir José aconselhou:
- Não briguem pelo caminho.

Eles saíram do Egito e, quando chegaram a Canaã, foram à casa de Jacó, o seu pai.

Então lhe disseram:
- José está vivo! Ele é o governador de todo o Egito!

Jacó quase desmaiou e não podia acreditar. Porém, quando lhe contaram tudo o que José tinha dito, e quando viu as carretas que havia mandado para levá-lo para o Egito, Jacó ficou muito animado.

E disse:
- Já chega! O meu filho José ainda está vivo. Quero vê-lo antes de eu morrer.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 46

Jacó e a sua família vão para o Egito

Jacó partiu com tudo o que tinha e foi até Berseba, onde ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, o seu pai.

Naquela noite, Deus falou com ele numa visão e o chamou assim:
- Jacó, Jacó!

- Eu estou aqui - respondeu ele.

Deus disse:
- Eu sou Deus, o Deus do seu pai. Não tenha medo de ir para o Egito, pois ali eu farei com que os seus descendentes se tornem uma grande nação. Eu irei para o Egito com você e trarei os seus descendentes de volta para esta terra. E, quando você morrer, José estará ao seu lado.

Então Jacó partiu de Berseba.

Nas carretas que o rei do Egito havia mandado, os filhos de Jacó levaram o pai, as esposas deles e os seus filhos pequenos. Jacó e todos os seus foram para o Egito, levando o seu gado e todas as coisas que haviam conseguido em Canaã. Jacó levou consigo todos os seus descendentes, isto é, filhos e filhas, netos e netas.
 

 
Os israelitas que foram para o Egito, isto é, Jacó e os seus descendentes, são os seguintes:



* Rúben, o filho mais velho de Jacó, e os filhos de Rúben: Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.

* Simeão e os seus filhos Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, que era filho de uma mulher de Canaã.

* Levi e os seus filhos Gérson, Coate e Merari.

* Judá e os seus filhos Selá, Peres e Zera (Os outros dois filhos, Er e Onã, haviam morrido em Canaã.). Os filhos de Peres foram Hezrom e Hamul.

* Issacar e os seus filhos Tolá, Puá, Jasube e Sinrom.

* Zebulom e os seus filhos Serede, Elom e Jaleel.

Esses foram os filhos que Léia deu a Jacó na Mesopotâmia, além da sua filha Dina. Os descendentes de Jacó e Léia eram trinta e três.



* Gade e os seus filhos Zifião, Hagui, Suni, Esbom, Eri, Arodi e Areli.

* Aser e os seus filhos Imna, Isva, Isvi e Berias e a irmã deles, que se chamava Sera. Os filhos de Berias eram Héber e Malquiel.

Esses dezesseis foram os descendentes de Jacó e Zilpa, a escrava que Labão deu à sua filha Léia.



Raquel, mulher de Jacó, lhe tinha dado dois filhos:

* José e

* Benjamim.

Os filhos de José com Asenate foram Manassés e Efraim, que nasceram no Egito. Asenate era filha de Potífera, sacerdote da cidade de Heliópolis.

Os filhos de Benjamim foram Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã, Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.

Esses catorze foram os descendentes de Jacó e Raquel.



* e o seu filho Husim.

* Naftali e os seus filhos Jazeel, Guni, Jezer e Silém.

Esses sete foram os descendentes de Jacó e Bila, a escrava que Labão deu à sua filha Raquel.



Ao todo foram para o Egito sessenta e seis descendentes diretos de Jacó, sem contar as mulheres dos seus filhos.

Os dois filhos de José nasceram no Egito. Assim, foi de setenta o total de pessoas da família de Jacó que foram para o Egito.



A chegada ao Egito

Jacó mandou que Judá fosse na frente para pedir a José que viesse encontrá-los em Gosém.

Quando eles chegaram, José mandou aprontar o seu carro e foi para Gosém a fim de se encontrar com o pai.

Quando se encontraram, José o abraçou e chorou abraçado com ele por muito tempo.


Então Jacó disse:
- Já posso morrer, agora que já vi você e sei que está vivo!

Depois José disse aos irmãos e à família do pai:
- Eu vou falar com o rei do Egito e vou lhe dar a notícia de que os meus irmãos e os parentes do meu pai, que moravam em Canaã, vieram para ficar comigo. Vou dizer ao rei que vocês são criadores de ovelhas e cabras e cuidam de gado. Direi que trouxeram as suas ovelhas, o gado e tudo o que têm. Quando o rei lhes perguntar qual é a profissão de vocês, digam que a vida inteira vocês têm sido criadores de ovelhas, como foram os seus antepassados. Assim, vocês poderão ficar morando na região de Gosém, pois os egípcios detestam os pastores de ovelhas.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 47

Então José foi dar a notícia ao rei.

Ele disse:
- O meu pai e os meus irmãos vieram da terra de Canaã e estão na região de Gosém com as suas ovelhas e cabras, o seu gado e tudo o que têm.

Depois levou cinco dos seus irmãos e os apresentou ao rei.

O rei perguntou:
- Qual é o trabalho de vocês?

Eles responderam:
- Senhor, nós somos criadores de ovelhas, como foram os nossos antepassados. Viemos morar neste país porque na terra de Canaã não há pastos para os animais, e a fome lá está terrível. Por favor, deixe que a gente fique morando na região de Gosém.

O rei disse a José:
- Agora que o seu pai e os seus irmãos vieram ficar com você, a terra do Egito está às ordens deles. Dê a eles a região de Gosém, que é a melhor do país, para que fiquem morando lá. E, se na sua opinião houver entre eles homens capazes, ponha-os como chefes dos que cuidam do meu gado.

Depois José levou Jacó, o seu pai, e o apresentou ao rei.

Jacó deu a sua bênção ao rei, e este perguntou:
- Qual é a sua idade?

Jacó respondeu:
- Já estou com cento e trinta anos de idade e sempre tenho andado de um lado para outro. A minha vida tem passado rapidamente, e muitos anos foram difíceis. E eu não tenho conseguido viver tanto quanto os meus antepassados, que tiveram uma vida tão dura como a que eu tive.

Jacó deu a sua bênção ao rei e foi embora. E José deu ao pai e aos irmãos terras na melhor região do Egito, perto da cidade de Ramessés, como o rei havia ordenado. Essas terras se tornaram propriedade deles, e eles ficaram morando ali. José dava mantimentos ao pai, aos irmãos e aos parentes, conforme as necessidades de cada família.



José como governador do Egito

Não havia alimento em lugar nenhum, e a fome aumentava cada vez mais. Os moradores do Egito e de Canaã ficaram fracos de tanto passar fome. O povo comprava mantimentos, e José ajuntava todo o dinheiro e o levava para o palácio.

Quando acabou todo o dinheiro do Egito e de Canaã, os egípcios foram falar com José.

Eles disseram:
- Por favor, nos dê comida! Não nos deixe morrer só porque o nosso dinheiro acabou!

José respondeu:
- Se vocês não têm mais dinheiro, tragam o seu gado, que eu trocarei por mantimento.

Os egípcios levaram a José cavalos, ovelhas, cabras, bois e jumentos, e em troca ele lhes deu mantimento durante todo aquele ano.

O ano passou, e no ano seguinte foram dizer a José:
- Senhor, não podemos esconder o fato de que o nosso dinheiro acabou e que os nossos animais agora são seus. Não temos mais nada para entregar a não ser os nossos corpos e as nossas terras. Não deixe a gente morrer. Compre a nós e as nossas terras em troca de alimentos. Seremos escravos do rei, e ele será dono das nossas terras. Dê-nos mantimento para que possamos viver e também sementes para plantarmos, e assim a terra não se tornará um deserto.

Então José comprou todas as terras do Egito para o rei. Todos os egípcios tiveram de vender as suas terras, pois a fome era terrível. Assim, a terra ficou sendo do rei, e José fez dos egípcios escravos no país inteiro.

José só não comprou as terras dos sacerdotes. Eles não tiveram de vendê-las, pois o rei lhes dava certa quantidade de alimentos; e assim eles tinham o que comer.

Então José disse ao povo:
- Agora vocês e as suas terras são do rei, pois eu os comprei para ele. Peguem aqui sementes para semearem nos campos. Do que colherem, dêem a quinta parte ao rei; usem as outras quatro partes para semear e para alimentar vocês, os seus filhos e as pessoas que moram com vocês.

Eles responderam:
- O senhor salvou a nossa vida e tem sido bom para nós. Seremos escravos do rei.

Assim, José fez uma lei que existe até hoje. A lei é a seguinte: em todo o Egito a quinta parte das colheitas pertence ao rei. Só as terras dos sacerdotes não ficaram para o rei.



O último pedido de Jacó

Os israelitas ficaram vivendo no Egito, na região de Gosém, onde compraram terras e tiveram muitos filhos.

Jacó viveu dezessete anos no Egito, chegando à idade de cento e quarenta e sete anos.

Quando sentiu que ia morrer, Jacó mandou chamar o seu filho José e disse:
- Se lhe posso pedir um favor, ponha a mão por baixo da minha coxa e jure que será fiel e honesto comigo nisto que vou pedir: não me sepulte no Egito. Quando eu morrer, tire o meu corpo do Egito e me coloque na sepultura dos meus antepassados, a fim de que eu descanse com eles.

José respondeu:
- Eu farei o que o senhor está pedindo.

- Então jure - disse Jacó.

José jurou, e aí Jacó se inclinou sobre a cabeceira da cama e orou.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 48

Jacó abençoa José e os seus filhos

Algum tempo depois, disseram a José que o seu pai estava doente.

Então José foi visitá-lo, levando consigo os seus dois filhos, Efraim e Manassés.

Alguém foi dizer a Jacó:
- O seu filho José veio visitá-lo.

Jacó fez um esforço e se sentou na cama.

Aí disse a José:
- O Deus Todo-Poderoso me apareceu na cidade de Luz, lá na terra de Canaã, e me abençoou. Ele me disse: "Eu farei com que você tenha muitos filhos, e os seus descendentes formarão muitas nações. Eu darei esta terra aos seus descendentes para ser propriedade deles para sempre."

E Jacó continuou dizendo a José:
- Agora, os seus filhos Efraim e Manassés, que nasceram aqui no Egito antes de eu vir para cá, esses dois me pertencem. Efraim e Manassés são meus tanto como Rúben e Simeão. Se você tiver outros filhos, eles serão seus e, por serem irmãos de Efraim e de Manassés, terão parte na herança deles. Estou fazendo isso por causa de Raquel, a sua mãe. Nós estávamos voltando da Mesopotâmia, quando, para minha infelicidade, ela morreu no país de Canaã, pouco antes de chegarmos a Efrata. Eu a sepultei ali, na beira do caminho (Efrata é agora conhecida como Belém.).

Quando Jacó viu os filhos de José, perguntou:
- E esses, quem são?

- São os filhos que Deus me deu aqui no Egito - respondeu José.

Jacó disse:
- Ponha-os perto de mim para que eu lhes dê a minha bênção.

Por causa da velhice, a vista de Jacó estava fraca, e ele não podia ver bem.

José levou os rapazes para perto dele, e ele os abraçou e beijou.

Jacó disse a José:
- Eu pensei que nunca mais ia ver você, e agora Deus me deixou ver até os seus filhos.

Então José tirou os dois do colo do seu pai, ajoelhou-se e encostou o rosto no chão. Em seguida, pegou Efraim com a mão direita e Manassés com a mão esquerda e fez com que ficassem perto de Jacó. Dessa maneira, Efraim ficou do lado esquerdo de Jacó, e Manassés, do seu lado direito.

Jacó estendeu os braços e cruzou-os, pondo a mão direita sobre a cabeça de Efraim, embora fosse o mais moço, e a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, que era o mais velho.

Em seguida deu a sua bênção a José, dizendo assim:
"Ó Deus, a quem os meus pais Abraão e Isaque serviram, abençoa estes rapazes. Abençoa-os, ó Deus, tu que me tens guiado como um pastor durante toda a minha vida até hoje. Que os abençoe o Anjo que me tem livrado de todo mal! Que o meu nome seja lembrado por meio deles e também o nome dos meus pais Abraão e Isaque! Que eles tenham muitos filhos e muitos descendentes neste mundo!"

José não gostou quando viu o seu pai colocar a mão direita sobre a cabeça de Efraim; por isso pegou a mão dele para tirá-la da cabeça de Efraim e colocá-la sobre a de Manassés.

E explicou:
- Não, pai; assim não. Este aqui é o filho mais velho; ponha a mão direita sobre a cabeça dele.

Mas Jacó não quis e disse:
- Eu sei, filho, eu sei. Os descendentes de Manassés também serão um grande povo. Mas o irmão mais moço será mais importante do que ele, e os seus descendentes formarão muitas nações.

Desse modo, Jacó os abençoou naquele dia, dizendo:
- Os israelitas usarão os nomes de vocês para dar a bênção. Eles vão dizer assim: "Que Deus faça com você como fez com Efraim e com Manassés."

Dessa maneira Jacó pôs Efraim antes de Manassés.

Aí disse a José:
- Como você está vendo, eu vou morrer. Mas Deus estará com vocês e os levará de volta para a terra dos seus antepassados. Eu dou Siquém a você e não aos seus irmãos. Siquém é aquela região que tomei dos amorreus, lutando com a minha espada e o meu arco.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Gênesis 41 a 44 (dia 11)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 41

José explica os sonhos do rei

Dois anos se passaram.

Um dia, o rei do Egito sonhou que estava de pé na beira do rio Nilo. De repente, saíram do rio sete vacas bonitas e gordas, que começaram a comer o capim da beira do rio. Logo em seguida, saíram do rio outras sete vacas, feias e magras, que foram ficar perto das primeiras vacas, na beira do rio. E as vacas feias e magras engoliram as bonitas e gordas. Aí o rei acordou.

Mas tornou a dormir e teve outro sonho. Desta vez ele viu sete espigas de trigo que saíam de um mesmo pé; elas eram boas e cheias de grãos. Depois saíram sete espigas secas e queimadas pelo vento quente do deserto e elas engoliram as sete espigas cheias e boas. O rei acordou: tinha sido um sonho.



De manhã ele estava muito preocupado e, por isso, mandou chamar todos os adivinhos e todos os sábios do Egito. O rei contou os seus sonhos, mas nenhum dos sábios foi capaz de dar a explicação.

Então o chefe dos copeiros disse ao rei:
- Chegou a hora de confessar um erro que cometi. Um dia o senhor ficou com raiva de mim e do chefe dos padeiros e nos mandou para a cadeia, na casa do capitão da guarda. Certa noite, cada um de nós teve um sonho, e cada sonho queria dizer uma coisa. Lá na cadeia estava com a gente um moço hebreu, que era escravo do capitão da guarda. Contamos a esse moço os nossos sonhos, e ele explicou o que queriam dizer. E tudo deu certo, exatamente como ele havia falado. Eu voltei para o meu serviço, e o padeiro foi enforcado.

Então o rei mandou chamar José, e foram depressa tirá-lo da cadeia. Ele fez a barba, trocou de roupa e se apresentou ao rei.

Então o rei disse:
- Eu tive um sonho que ninguém conseguiu explicar. Ouvi dizer que você é capaz de explicar sonhos.

- Isso não depende de mim - respondeu José. - É Deus quem vai dar uma resposta para o bem do senhor, ó rei.

Aí o rei disse:
- Sonhei que estava de pé na beira do rio Nilo. De repente, saíram do rio sete vacas bonitas e gordas, que começaram a comer o capim da beira do rio. Depois saíram do rio outras sete vacas, mas estas eram feias e magras. Em toda a minha vida eu nunca vi no Egito vacas tão feias como aquelas. E as vacas feias e magras engoliram as bonitas e gordas, mas nem dava para notar isso, pois elas continuavam tão feias como antes. Então eu acordei. Depois tive outro sonho. Eu vi sete espigas de trigo boas e cheias de grãos, as quais saíam de um mesmo pé. Depois saíram sete espigas secas e queimadas pelo vento quente do deserto e elas engoliram as sete espigas cheias e boas. Eu contei os sonhos aos adivinhos, mas nenhum deles foi capaz de explicá-los.

Então José disse ao rei:
- Os dois sonhos querem dizer a mesma coisa. Por meio deles Deus está dizendo ao senhor o que ele vai fazer. As sete vacas bonitas são sete anos, e as sete espigas boas também são. Os dois sonhos querem dizer uma coisa só. As sete vacas magras e feias que saíram do rio depois das bonitas e também as sete espigas secas e queimadas pelo vento quente do deserto são sete anos em que vai faltar comida. É exatamente como eu disse: Deus mostrou ao senhor, ó rei, o que ele vai fazer. Virão sete anos em que vai haver muito alimento em todo o Egito. Depois virão sete anos de fome. E a fome será tão terrível, que ninguém lembrará do tempo em que houve muito alimento no Egito. A repetição do sonho quer dizer que Deus resolveu fazer isso e vai fazer logo.



E José continuou:
- Portanto, será bom que o senhor, ó rei, escolha um homem inteligente e sábio e o ponha para dirigir o país. O rei também deve escolher homens que ficarão encarregados de viajar por todo o país para recolher a quinta parte de todas as colheitas, durante os sete anos em que elas forem boas. Durante os anos bons que estão chegando, esses homens ajuntarão todo o trigo que puderem e o guardarão em armazéns nas cidades, sendo tudo controlado pelo senhor. Assim, o mantimento servirá para abastecer o país durante os sete anos de fome no Egito, e o povo não morrerá de fome.



José como governador do Egito

O conselho de José agradou ao rei e aos seus funcionários.

E o rei lhes disse:
- Não poderíamos achar ninguém melhor para dirigir o país do que José, um homem em quem está o Espírito de Deus.

Depois virou-se para José e disse:
- Deus lhe mostrou tudo isso, e assim está claro que não há ninguém que tenha mais capacidade e sabedoria do que você. Você vai ficar encarregado do meu palácio, e todo o meu povo obedecerá às suas ordens. Só eu terei mais autoridade do que você, pois sou o rei. Neste momento, eu o ponho como governador de todo o Egito.

Então o rei tirou do dedo o seu anel-sinete e o colocou no dedo de José. Em seguida mandou que o vestissem com roupas de linho fino e pôs uma corrente de ouro no pescoço dele. Depois fez com que José subisse no carro reservado para a maior autoridade do Egito depois do rei e mandou que os seus homens fossem na frente dele, gritando: "Abram caminho!". Assim, José foi posto como governador de todo o Egito.

O rei disse a José:
- Eu sou o rei, mas sem a sua licença ninguém poderá fazer nada em toda a terra do Egito.

O rei pôs em José o nome de Zafenate Panéia e lhe deu como esposa Asenate, filha de Potífera, que era sacerdote da cidade de Heliópolis. José tinha trinta anos quando entrou para o serviço do rei do Egito. Ele saiu da presença do rei e viajou por todo o Egito.

Durante os sete anos de fartura a terra produziu cereais em grande quantidade. E José ajuntou todos os cereais e os guardou em armazéns nas cidades, ficando em cada cidade os cereais colhidos nos campos vizinhos. José ajuntou tanto mantimento, que desistiu de pesar, pois não dava mais: parecia a areia da praia do mar.

Antes de começarem os anos de fome, José teve dois filhos com a sua mulher Asenate.

* Pôs no primeiro o nome de Manassés e explicou assim: "Deus me fez esquecer todos os meus sofrimentos e toda a família do meu pai."

* No segundo filho pôs o nome de Efraim e disse: "Deus me deu filhos no país onde tenho sofrido."

Então acabaram-se os sete anos de fartura no Egito, e como José tinha dito, começaram os sete anos de fome. Nos outros países o povo passava fome, mas em todo o Egito havia o que comer. Quando os egípcios começaram a passar fome, foram pedir alimentos ao rei.

Ele disse:
- Vão falar com José e façam o que ele disser.

Quando a fome aumentou no país inteiro, José abriu todos os armazéns e começou a vender cereais aos egípcios. E de todos os países vinha gente ao Egito para comprar cereais de José, pois no mundo inteiro havia uma grande falta de alimentos.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 42

Os irmãos de José vão até o Egito

Quando Jacó soube que havia mantimentos no Egito, disse aos filhos:
- Por que vocês estão aí de braços cruzados? Ouvi dizer que no Egito há mantimentos. Vão até lá e comprem cereais para não morrermos de fome.

Então os dez irmãos de José por parte de pai foram até o Egito para comprar mantimentos. Mas Jacó não deixou que Benjamim, o irmão de José por parte de pai e de mãe, fosse com eles; ele tinha medo de que lhe acontecesse alguma desgraça. Os filhos de Jacó foram comprar mantimentos junto com outras pessoas, pois em todo o país de Canaã havia fome.

Como governador do Egito, era José quem vendia cereais às pessoas que vinham de outras terras. Quando os irmãos de José chegaram, eles se ajoelharam na frente dele e encostaram o rosto no chão. Logo que José viu os seus irmãos, ele os reconheceu, mas fez de conta que não os conhecia.

E lhes perguntou com voz dura:
- Vocês, de onde vêm?

- Da terra de Canaã - responderam. - Queremos comprar mantimentos.

José reconheceu os seus irmãos, mas eles não o reconheceram.

Então José lembrou dos sonhos que tinha tido a respeito deles e disse:
- Vocês são espiões que vieram para ver os pontos fracos do nosso país.

Eles responderam:
- De modo nenhum, senhor. Nós, os seus criados, viemos para comprar mantimentos. Somos filhos de um mesmo pai. Nós não somos espiões, senhor! Somos gente honesta.

- Não acredito - disse José. - Vocês vieram para ver os pontos fracos do nosso país.

Eles disseram:
- Nós moramos em Canaã. Somos ao todo doze irmãos, filhos do mesmo pai. Mas um irmão desapareceu, e o mais novo está neste momento com o nosso pai.

José respondeu:
- É como eu disse: vocês são espiões. E o jeito de provar que vocês estão dizendo a verdade é este: enquanto o irmão mais moço de vocês não vier para cá, vocês não sairão daqui. Isso eu juro pela vida do rei! Um de vocês irá buscá-lo, mas os outros ficarão presos até que fique provado se estão ou não dizendo a verdade. Se não estão, é que vocês são espiões. Juro pela vida do rei!

E os pôs na cadeia por três dias.

No terceiro dia, José disse a eles:
- Eu sou uma pessoa que teme a Deus. Vou deixar que vocês fiquem vivos, mas com uma condição. Se, de fato, são pessoas honestas, que um de vocês fique aqui na cadeia, e que os outros voltem para casa, levando mantimentos para matar a fome das suas famílias. Depois tragam aqui o seu irmão mais moço. Isso provará se vocês estão ou não dizendo a verdade; e, se estiverem, não serão mortos.

Eles concordaram e disseram uns aos outros:
- De fato, nós agora estamos sofrendo por causa daquilo que fizemos com o nosso irmão. Nós vimos a sua aflição quando pedia que tivéssemos pena dele, porém não nos importamos. Por isso agora é a nossa vez de ficarmos aflitos.

E Rúben disse assim:
- Eu bem que disse que não maltratassem o rapaz, mas vocês não quiseram me ouvir. Por isso agora estamos pagando pela morte dele.

Eles não sabiam que José estava entendendo o que diziam, pois ele tinha estado falando com eles por meio de um intérprete. José saiu de perto deles e começou a chorar.

Quando pôde falar outra vez, voltou, separou Simeão e mandou que fosse amarrado na presença deles.



Os irmãos de José voltam para Canaã

José mandou que os empregados enchessem de mantimentos os sacos que os irmãos haviam trazido e que devolvessem o dinheiro de cada um, colocando-o nos sacos de mantimentos. E também que lhes dessem comida para a viagem. E assim foi feito.

Os irmãos de José carregaram os jumentos com os mantimentos que haviam comprado e foram embora. Quando chegaram ao lugar onde iam passar a noite, um deles abriu um saco para dar comida ao seu animal e viu que o seu dinheiro estava ali na boca do saco de mantimentos.

Ele disse aos irmãos:
- Vejam só! O meu dinheiro está aqui no meu saco de mantimentos! Eles devolveram!

Todos ficaram muito assustados e, tremendo de medo, perguntavam uns aos outros:
- O que será isso que Deus fez com a gente?

Quando chegaram a Canaã, contaram a Jacó, o seu pai, tudo o que havia acontecido com eles.

E disseram:
- Aquele homem, o governador do Egito, tratou a gente com brutalidade e nos acusou de termos ido ao seu país como espiões. Nós respondemos: "Somos homens honestos; não somos espiões. Somos ao todo doze irmãos, filhos do mesmo pai. Mas um dos nossos irmãos desapareceu, e o mais novo está neste momento com o nosso pai em Canaã." O governador respondeu: "Eu tenho um jeito de descobrir se vocês são homens honestos. Um de vocês ficará aqui comigo, e os outros vão voltar, levando um pouco de mantimento para as suas famílias, que estão passando fome. Mas tragam aqui para mim o seu irmão mais novo. Assim, eu ficarei sabendo que vocês não são espiões, mas homens honestos. Aí entregarei o irmão de vocês, e vocês poderão ficar aqui negociando."

Aconteceu que, quando despejaram os mantimentos, cada um achou na boca do saco um saquinho com o seu dinheiro. Quando eles e o seu pai viram o dinheiro, ficaram com medo.

Então Jacó disse:
- Vocês querem que eu perca todos os meus filhos? José não está com a gente, e Simeão também não está. Agora vocês querem levar Benjamim, e quem sofre com tudo isso sou eu!

Aí Rúben disse ao pai:
- Deixe que eu tome conta de Benjamim; eu o trarei de volta para o senhor. Se não trouxer, o senhor pode matar os meus dois filhos.

Jacó respondeu:
- O meu filho não vai com vocês. José, o irmão dele, está morto, e só ficou Benjamim. Alguma coisa poderia acontecer com ele na viagem que vão fazer, e assim vocês matariam de tristeza este velho.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 43

Os irmãos de José voltam ao Egito

A fome continuava muito grande em Canaã.

Quando as famílias de Jacó e dos seus filhos comeram todo o mantimento que tinha sido trazido do Egito, Jacó disse aos filhos:
- Voltem ao Egito e comprem mais um pouco de alimento para nós.

Mas Judá lembrou:
- Aquele homem deixou bem claro que, se o nosso irmão não fosse junto com a gente, ele não nos receberia. Se o senhor deixar que ele vá, nós iremos comprar mantimentos para o senhor. Se o senhor não deixar, não iremos. Aquele homem disse assim: "Eu só os receberei se vocês trouxerem o seu irmão mais novo."

Jacó disse:
- Por que vocês fizeram cair tamanha desgraça sobre mim? Por que foram dizer ao tal homem que tinham outro irmão?

Eles responderam:
- Aquele homem fez muitas perguntas a respeito de nós e da nossa família. Ele perguntou: "O pai de vocês ainda está vivo? Vocês têm mais um irmão?" Nós tivemos de responder às perguntas dele. Por acaso podíamos adivinhar que ele ia pedir que levássemos o nosso irmão?

Aí Judá disse ao pai:
- Deixe o rapaz por minha conta. Nós partiremos agora mesmo, e assim ninguém morrerá: nem nós, nem o senhor, nem os nossos filhinhos. Eu fico responsável por Benjamim. Se eu não o trouxer de volta são e salvo, o senhor poderá pôr a culpa em mim. Serei culpado diante do senhor pelo resto da minha vida. Se não tivéssemos demorado tanto, já teríamos ido e voltado duas vezes.

Então o pai disse:
- Já que não existe outro jeito, façam o seguinte: ponham nos sacos alguns presentes para aquele homem. Levem os melhores produtos desta terra: um pouco de bálsamo, um pouco de mel, especiarias, nozes e amêndoas. Levem também o dinheiro em dobro, pois vocês precisam devolver a quantia que foi encontrada na boca dos sacos de mantimentos que vocês trouxeram. Deve ter havido algum engano. Levem o irmão de vocês e vão depressa encontrar-se outra vez com aquele homem. Que o Deus Todo-Poderoso faça com que ele tenha pena de vocês e deixe que o seu outro irmão e Benjamim voltem para casa. Quanto a mim, se tenho de perder os meus filhos, o que é que eu posso fazer?

Assim, os filhos de Jacó pegaram os presentes e o dinheiro em dobro e foram para o Egito, levando Benjamim.

Logo que chegaram, foram falar com José.

Quando José viu que Benjamim estava com eles, disse ao funcionário administrador da sua casa:
- Leve esses homens até a minha casa. Mate um animal e prepare tudo, pois eles vão almoçar comigo hoje, ao meio-dia.

O administrador cumpriu a ordem e levou os irmãos até a casa de José.

Quando chegaram lá, eles ficaram com medo e disseram uns aos outros:
- Trouxeram a gente para cá por causa do dinheiro que da outra vez foi colocado de volta nos sacos de mantimentos. Com certeza eles vão nos atacar, vão tomar de nós os nossos jumentos e obrigar a gente a trabalhar como escravos.

Assim que chegaram à porta da casa, disseram ao administrador:
- Por favor, senhor! Já viemos aqui uma vez para comprar mantimentos. Porém, quando chegamos ao lugar onde íamos passar a noite, abrimos os sacos de mantimentos, e na boca dos sacos cada um encontrou o seu dinheiro, sem faltar nada. Trouxemos esse dinheiro de volta e também temos mais dinheiro aqui para comprar mantimentos. Nós não sabemos quem colocou o dinheiro nos sacos de mantimentos.

Aí o administrador respondeu:
- Fiquem tranqüilos, não tenham medo. O Deus de vocês e do seu pai deve ter posto o dinheiro nos sacos de mantimentos para vocês, pois eu recebi o dinheiro que pagaram.

O administrador trouxe Simeão ao lugar onde eles estavam. Depois os levou para dentro da casa, deu água para lavarem os pés e também deu de comer aos jumentos. Os irmãos prepararam os presentes que iam entregar a José quando ele viesse ao meio-dia, pois já sabiam que iam almoçar ali.

Quando José chegou à sua casa, eles lhe entregaram os presentes que haviam trazido, se ajoelharam na frente dele e encostaram o rosto no chão.

José perguntou como iam passando e depois disse:
- E como vai o pai de vocês, aquele velho de quem me falaram? Ele ainda vive?

Eles responderam:
- O seu humilde criado, o nosso pai, ainda está vivo e vai passando bem.

José olhou em volta e, quando viu Benjamim, o seu irmão por parte de pai e mãe, disse:
- É esse o irmão mais moço de vocês, de quem me falaram? Que Deus o abençoe, meu filho!

Ao ver o seu irmão, José ficou tão emocionado, que teve vontade de chorar. Então foi para o seu quarto e ali chorou.

Quando conseguiu se controlar, lavou o rosto e saiu. E disse:
- Sirvam o almoço.

Serviram o almoço a José numa mesa e aos seus irmãos em outra. E havia ainda outra mesa para os egípcios que estavam ali, pois estes, por motivos religiosos, eram proibidos de comer junto com os israelitas.

Os irmãos se sentaram de frente para José. Eles foram colocados por ordem de idade, desde o mais velho até o mais moço. Quando viram isso, eles começaram a olhar uns para os outros, muito admirados. Serviram a eles da mesma comida que foi servida a José e deram a Benjamim cinco vezes mais comida do que aos outros. E eles beberam com José até ficarem alegres.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 44

O copo de José

Depois disso, José deu ao administrador da sua casa a seguinte ordem:
- Encha de mantimento os sacos que esses homens trouxeram, o quanto puderem carregar, e ponha na boca dos sacos o dinheiro de cada um. E, na boca do saco de mantimentos que pertence ao irmão mais moço, ponha o meu copo de prata, junto com o dinheiro que ele pagou pelo seu mantimento. O administrador fez tudo como José havia mandado.

De manhã bem cedo, os irmãos de José saíram de viagem, com os seus jumentos.

Quando eles já tinham saído da cidade, mas ainda não estavam longe, José disse ao seu administrador:
- Vá depressa atrás daqueles homens e, quando os alcançar, diga o seguinte: "Por que vocês pagaram o bem com o mal? Por que roubaram o copo de prata do meu patrão? Ele usa esse copo para beber e para adivinhar as coisas. Vocês cometeram um crime."

Quando o administrador os alcançou e disse o que José havia ordenado, eles responderam:
- Por que o senhor está falando desse jeito? Nós não seríamos capazes de fazer uma coisa dessas! Nós lhe trouxemos de volta do país de Canaã o dinheiro que encontramos na boca dos sacos de mantimentos de cada um de nós. Então por que iríamos roubar prata ou ouro da casa do seu patrão? Se o senhor encontrar o copo com algum de nós, ele será morto, e nós ficaremos seus escravos.

O administrador disse:
- Concordo com vocês, mas só aquele com quem estiver o copo é que será meu escravo; os outros poderão ir embora.

Então eles puseram depressa os sacos de mantimentos no chão, e cada um abriu o seu.

O administrador de José procurou em cada saco de mantimentos, começando pelo do mais velho até o do mais moço; e o copo foi encontrado na boca do saco de mantimentos de Benjamim.

Então os irmãos rasgaram as suas roupas em sinal de tristeza, colocaram de novo as cargas em cima dos jumentos e voltaram para a cidade.

Quando Judá e os seus irmãos chegaram à casa de José, ele ainda estava ali. Eles se ajoelharam na frente dele e encostaram o rosto no chão.

Aí José perguntou:
- Por que foi que vocês fizeram isso? Vocês não sabiam que um homem como eu é capaz de adivinhar as coisas?



Judá respondeu:
- Senhor, o que podemos falar ou responder? Como podemos provar que somos inocentes? Deus descobriu o nosso pecado. Aqui estamos e somos todos seus escravos, nós e aquele com quem estava o copo.

José disse:
- De jeito nenhum! Eu nunca faria uma coisa dessas! Só aquele que estava com o meu copo é que será meu escravo. Os outros podem voltar em paz para a casa do pai.



Judá pede em favor de Benjamim

Então Judá chegou perto de José e disse:
- Senhor, me dê licença para lhe falar com franqueza. Não fique aborrecido comigo, pois o senhor é como se fosse o próprio rei. O senhor perguntou: "Vocês têm pai ou outro irmão?" Nós respondemos assim: "Temos pai, já velho, e um irmão mais moço, que nasceu quando o nosso pai já estava velho. O irmão do rapazinho morreu. Agora ele é o único filho da sua mãe que está vivo, e o seu pai o ama muito." Aí o senhor nos disse para trazer o rapazinho porque desejava vê-lo. Nós respondemos que ele não podia deixar o seu pai, pois, se deixasse, o seu pai morreria. Mas o senhor disse que, se ele não viesse, o senhor não nos receberia.

- Quando chegamos à nossa casa, contamos ao nosso pai tudo o que o senhor tinha dito. Depois ele nos mandou voltar para comprarmos mais mantimentos. Nós respondemos: "Não podemos ir; não seremos recebidos por aquele homem se o nosso irmão mais moço não for com a gente. Nós só vamos se o nosso irmão mais moço for junto." Então o nosso pai disse: "Vocês sabem que a minha mulher Raquel me deu dois filhos. Um deles já me deixou; eu nunca mais o vi. Deve ter sido despedaçado por animais selvagens. E, se agora vocês me tirarem este também, e alguma desgraça acontecer com ele, vocês matarão de tristeza este velho."

- Agora, senhor - continuou Judá - se eu voltar para casa sem o rapaz, logo que o meu pai perceber isso, vai morrer. A vida dele está ligada com a vida do rapaz, e nós seríamos culpados de matar de tristeza o nosso pai, que está velho. E tem mais: eu garanti ao meu pai que seria responsável pelo rapaz. Eu disse assim: "Se eu não lhe trouxer o rapaz de volta, serei culpado diante do senhor pelo resto da minha vida." Por isso agora eu peço ao senhor que me deixe ficar aqui como seu escravo em lugar do rapaz. E permita que ele volte com os seus irmãos. Como posso voltar para casa se o rapaz não for comigo? Eu não quero ver essa desgraça cair sobre o meu pai.

domingo, 10 de abril de 2011

Gênesis 37 a 40 (dia 10)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 37

José e seus irmãos

Jacó ficou morando na terra de Canaã, onde o seu pai tinha vivido.

Esta é a história da família de Jacó. Quando José era um jovem de dezessete anos, cuidava das ovelhas e das cabras, junto com os seus irmãos, os filhos de Bila e de Zilpa, que eram mulheres do seu pai. E José contava ao pai as coisas erradas que os seus irmãos faziam.

Jacó já era velho quando José nasceu e por isso ele o amava mais do que a todos os seus outros filhos. Jacó mandou fazer para José uma túnica longa, de mangas compridas. Os irmãos viam que o pai amava mais a José do que a eles e por isso tinham ódio dele e eram grosseiros quando falavam com ele.

Certa vez, José teve um sonho e o contou aos seus irmãos.

Aí é que ficaram com mais raiva dele, porque ele disse assim:
- Escutem, que eu vou contar o sonho que tive. Sonhei que estávamos no campo amarrando feixes de trigo. De repente, o meu feixe ficou de pé, e os feixes de vocês se colocaram em volta do meu e se curvavam diante dele.

Então os irmãos perguntaram:
- Quer dizer que você vai ser nosso rei e que vai mandar em nós?

E ficaram com mais ódio dele ainda por causa dos seus sonhos e do jeito que ele os contava.

Depois José sonhou outra vez e contou também esse sonho aos seus irmãos.

Ele disse assim:
- Eu tive outro sonho. Desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvaram diante de mim.

Quando José contou esse sonho ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e disse:
- O que quer dizer esse sonho que você teve? Por acaso a sua mãe, os seus irmãos e eu vamos nos ajoelhar diante de você e encostar o rosto no chão?

Os irmãos de José tinham inveja dele, mas o seu pai ficou pensando no caso.



José é vendido e levado ao Egito

Um dia, os irmãos de José levaram as ovelhas e as cabras do seu pai até os pastos que ficavam perto da cidade de Siquém.

Então Jacó disse a José:
- Venha cá. Vou mandar você até Siquém, onde os seus irmãos estão cuidando das ovelhas e das cabras.

- Estou pronto para ir - respondeu José.

Jacó disse:
- Vá lá e veja se os seus irmãos e os animais vão bem e me traga notícias.

Então dali, do vale de Hebrom, Jacó mandou que José fosse até Siquém, e ele foi.

Quando chegou lá, ele foi andando pelo campo.

Aí um homem o viu e perguntou:
- O que você está procurando?

- Estou procurando os meus irmãos - respondeu José. - Eles estão por aí, em algum pasto, cuidando das ovelhas e das cabras. O senhor sabe aonde foram?

O homem respondeu:
- Eles já foram embora daqui. Eu ouvi quando disseram que iam para Dotã.

Aí José foi procurar os seus irmãos e os achou em Dotã. Eles viram José de longe e, antes que chegasse perto, começaram a fazer planos para matá-lo.

Eles disseram:
- Lá vem o sonhador! Venham, vamos matá-lo agora. Depois jogaremos o corpo num poço seco e diremos que um animal selvagem o devorou. Assim, veremos no que vão dar os sonhos dele.

Quando Rúben ouviu isso, quis salvá-lo dos seus irmãos e disse:
- Não vamos matá-lo. Não derramem sangue. Vocês podem jogá-lo neste poço, aqui no deserto, mas não o machuquem.

Rúben disse isso porque planejava salvá-lo dos irmãos e mandá-lo de volta ao pai.

Quando José chegou ao lugar onde os seus irmãos estavam, eles arrancaram dele a túnica longa, de mangas compridas, que ele estava vestindo. Depois o pegaram e o jogaram no poço, que estava vazio e seco. E sentaram-se para comer.

De repente, viram que ia passando uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade e ia para o Egito. Os seus camelos estavam carregados de perfumes e de especiarias.

Aí Judá disse aos irmãos:
- O que vamos ganhar se matarmos o nosso irmão e depois escondermos a sua morte? Em vez de o matarmos, vamos vendê-lo a esses ismaelitas. Afinal de contas, ele é nosso irmão, é do nosso sangue.

Os irmãos concordaram.

Quando alguns negociantes midianitas passaram por ali, os irmãos de José o tiraram do poço e o venderam aos ismaelitas por vinte barras de prata. E os ismaelitas levaram José para o Egito.



Quando Rúben voltou ao poço e viu que José não estava lá dentro, rasgou as suas roupas em sinal de tristeza.

Ele voltou para o lugar onde os seus irmãos estavam e disse:
- O rapaz não está mais lá! E agora, o que é que eu vou fazer?

Então os irmãos mataram um cabrito e com o sangue mancharam a túnica de José.

Depois levaram a túnica ao pai e disseram:
- Achamos isso aí. Será que é a túnica do seu filho?

Jacó a reconheceu e disse:
- Sim, é a túnica do meu filho! Certamente algum animal selvagem o despedaçou e devorou.

Então, em sinal de tristeza, Jacó rasgou as suas roupas e vestiu roupa de luto. E durante muito tempo ficou de luto pelo seu filho.

Todos os seus filhos e filhas tentaram consolá-lo, mas ele não quis ser consolado e disse:
- Vou ficar de luto por meu filho até que vá me encontrar com ele no mundo dos mortos.

E continuou de luto por seu filho José.

Enquanto isso, os midianitas venderam José a Potifar, oficial e capitão da guarda do rei do Egito.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 38

Judá e Tamar

Por esse tempo, Judá se separou dos seus irmãos e foi morar na casa de um homem chamado Hira, que era da cidade de Adulã.

Ali Judá ficou conhecendo a filha de um cananeu chamado Sua. Judá casou com ela, e ela lhe deu um filho, a quem ele chamou de Er. Ela ficou grávida outra vez e teve outro filho, a quem ela deu o nome de Onã. Depois ela teve mais um filho, em quem ela pôs o nome de Selá. Judá estava em Quezibe quando esse menino nasceu.

Judá casou Er, o seu filho mais velho, com uma mulher chamada Tamar. O SENHOR Deus não gostava da vida perversa que Er levava e por isso o matou.

Então Judá disse a Onã:
- Vá e tenha relações com a viúva do seu irmão. Assim, você cumprirá o seu dever de cunhado para que o seu irmão tenha descendentes por meio de você.

Ora, Onã sabia que o filho que nascesse não seria considerado como seu. Por isso, cada vez que tinha relações com a viúva do seu irmão, ele deixava que o esperma caísse no chão para que o seu irmão não tivesse descendentes por meio dele.

O SENHOR ficou desgostoso com o que Onã estava fazendo e o matou também.

Então Judá disse a Tamar, a sua nora:
- Volte para a casa do seu pai e continue viúva até que o meu filho Selá fique adulto.

Ele disse isso porque tinha medo que Selá fosse morto, como havia acontecido com os seus irmãos. Assim, Tamar foi morar na casa do pai dela.

Passado algum tempo, a mulher de Judá morreu. Quando acabou o luto, Judá foi até Timnate, onde estavam cortando a lã das suas ovelhas. E o seu amigo Hira, de Adulã, foi com ele.

Alguém contou a Tamar que o seu sogro ia a Timnate a fim de cortar a lã das suas ovelhas. Então ela trocou de roupa, deixando de lado as suas roupas de viúva, cobriu o rosto com um véu e se disfarçou. Em seguida foi e se sentou perto da entrada da cidade de Enaim, que fica no caminho para Timnate. Ela fez isso porque sabia muito bem que Selá já era homem feito, mas Judá não havia mandado que ele casasse com ela.

Quando Judá a viu, pensou que era uma prostituta, pois ela estava com o rosto coberto. Ele foi falar com ela na beira do caminho, sem saber que era a sua nora.

Ele disse:
- Você quer ir para a cama comigo?

Ela perguntou:
- Quanto é que você me paga?

Ele respondeu:
- Eu lhe mando um cabrito do meu rebanho.

- Está bem - disse ela. - Mas deixe alguma coisa comigo como garantia de que você vai mandar o cabrito.

Judá perguntou:
- O que você quer que eu deixe?

Ela respondeu:
- O seu sinete com o cordão e também o bastão que você tem na mão.

Então Judá entregou os objetos. Ele teve relações com ela, e ela ficou grávida. Tamar voltou para casa, tirou o véu e vestiu as suas roupas de viúva.

Mais tarde, Judá mandou o seu amigo Hira levar o cabrito e trazer de volta os objetos que havia deixado com ela, mas Hira não a encontrou. Ele perguntou aos homens de Enaim se sabiam onde estava a prostituta que costumava ficar na beira da estrada.

- Aqui não esteve nenhuma prostituta - foi a resposta deles.

Hira voltou e disse a Judá:
- Não encontrei a mulher. E os homens do lugar disseram que ali nunca havia estado nenhuma prostituta.

Então Judá disse:
- Pois ela que fique com as minhas coisas. Assim, ninguém vai zombar de nós. Eu mandei o cabrito, mas você não encontrou a mulher.

Passados uns três meses, foram dizer a Judá:
- A sua nora agiu como prostituta e agora está grávida.

Aí Judá disse:
- Tragam essa mulher para fora a fim de ser queimada!

Quando a estavam tirando da sua casa, ela mandou dizer ao seu sogro:
"Quem me engravidou foi o dono destas coisas. Examine e veja de quem são o sinete com o cordão e o bastão."

Judá reconheceu as coisas e disse:
- Ela tem mais razão do que eu; pois prometi casá-la com o meu filho Selá, mas não cumpri a promessa. E nunca mais teve relações com ela.

Na hora de Tamar dar à luz, descobriram que ia ter gêmeos.

Quando ela estava no trabalho de parto, um dos gêmeos pôs uma das mãos para fora. A parteira pegou uma fita vermelha e amarrou na mão dele.

E disse:
- Este saiu primeiro.

Mas ele puxou a mão, e o irmão gêmeo nasceu primeiro.

Então a parteira disse:
- Como você abriu caminho! E puseram nele o nome de Peres.

Depois nasceu o outro, o que estava com a fita vermelha amarrada na mão, e ele recebeu o nome de Zera.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 39

José na casa de Potifar

José foi levado para o Egito, onde os ismaelitas o venderam a um egípcio chamado Potifar, um oficial que era o capitão da guarda do palácio.

O SENHOR Deus estava com José. Ele morava na casa do seu dono e ia muito bem em tudo. O dono de José viu que o SENHOR estava com ele e o abençoava em tudo o que fazia. Assim, José ganhou a simpatia do seu dono, que o pôs como seu ajudante particular. Potifar deu a José a responsabilidade de cuidar da sua casa e tomar conta de tudo o que era seu.

Dali em diante, por causa de José, o SENHOR abençoou o lar do egípcio e também tudo o que ele tinha em casa e no campo. Potifar entregou nas mãos de José tudo o que tinha e não se preocupava com nada, a não ser com a comida que comia. José era um belo tipo de homem e simpático.

Algum tempo depois, a mulher do seu dono começou a cobiçar José.

Um dia ela disse:
- Venha, vamos para a cama.

Ele recusou, dizendo assim:
- Escute! O meu dono não precisa se preocupar com nada nesta casa, pois eu estou aqui. Ele me pôs como responsável por tudo o que tem. Nesta casa eu mando tanto quanto ele. Aqui eu posso ter o que quiser, menos a senhora, pois é mulher dele. Sendo assim, como poderia eu fazer uma coisa tão imoral e pecar contra Deus?

Todos os dias ela insistia que ele fosse para a cama com ela, mas José não concordava e também evitava estar perto dela. Mas um dia, como de costume, ele entrou na casa para fazer o seu trabalho, e nenhum empregado estava ali.

Então ela o agarrou pela capa e disse:
- Venha, vamos para a cama.

Mas ele escapou e correu para fora, deixando a capa nas mãos dela.

Quando notou que, ao fugir, ele havia deixado a capa nas suas mãos, a mulher chamou os empregados da casa e disse:
- Vejam só! Este hebreu, que o meu marido trouxe para casa, está nos insultando. Ele entrou no meu quarto e quis ter relações comigo, mas eu gritei o mais alto que pude. Logo que comecei a gritar bem alto, ele fugiu, deixando a sua capa no meu quarto.

Ela guardou a capa até que o dono de José voltou.

Aí contou a mesma história, assim:
- Esse escravo hebreu, que você trouxe para casa, entrou no meu quarto e quis abusar de mim. Mas eu gritei bem alto, e ele correu para fora, deixando a sua capa no meu quarto. Veja só de que jeito o seu escravo me tratou!

Quando ouviu essa história, o dono de José ficou com muita raiva. Ele agarrou José e o pôs na cadeia onde ficavam os presos do rei. E José ficou ali.

Mas o SENHOR estava com ele e o abençoou, de modo que ele conquistou a simpatia do carcereiro. Este pôs José como encarregado de todos os outros presos, e era ele quem mandava em tudo o que se fazia na cadeia. O carcereiro não se preocupava com nada do que estava entregue a José, pois o SENHOR estava com ele e o abençoava em tudo o que fazia.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 40

José explica dois sonhos

Passado algum tempo, o rei do Egito foi ofendido por dois dos seus servidores, isto é, o chefe dos copeiros, que era encarregado de servir vinho, e o chefe dos padeiros.

O rei ficou furioso com os dois e mandou que fossem postos na cadeia que ficava na casa do capitão da guarda, no mesmo lugar onde José estava preso. Eles ficaram muito tempo ali, e o capitão deu a José a tarefa de cuidar deles.

Certa noite, ali na cadeia, o copeiro e o padeiro tiveram um sonho cada um. E cada sonho queria dizer alguma coisa. Quando José veio vê-los de manhã, notou que estavam preocupados.

Então perguntou:
- Por que vocês estão com essa cara tão triste hoje?

Eles responderam:
- Cada um de nós teve um sonho, e não há ninguém que saiba explicar o que esses sonhos querem dizer.

- É Deus quem dá à gente a capacidade de explicar os sonhos - disse José. - Vamos, contem o que sonharam.

Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho.

Ele disse:
- Sonhei que na minha frente havia uma parreira que tinha três galhos. Assim que as folhas saíam, apareciam as flores, e estas viravam uvas maduras. Eu estava segurando o copo do rei; espremia as uvas no copo e o entregava ao rei.

José disse:
- A explicação é a seguinte: os três galhos são três dias. Daqui a três dias o rei vai mandar soltá-lo. Você vai voltar ao seu trabalho e servirá vinho ao rei, como fazia antes. Porém, quando você estiver muito bem lá, lembre de mim e por favor tenha a bondade de falar a meu respeito com o rei, ajudando-me assim a sair desta cadeia. A verdade é que foi à força que me tiraram da terra dos hebreus e me trouxeram para o Egito; e mesmo aqui no Egito não fiz nada para vir parar na cadeia.

Quando o chefe dos padeiros viu que a explicação era boa, disse:
- Eu também tive um sonho. Sonhei que estava carregando na cabeça três cestos de pão. No cesto de cima havia todo tipo de comidas assadas que os padeiros fazem para o rei. E as aves vinham e comiam dessas comidas.

José explicou assim:
- O seu sonho quer dizer isto: os três cestos são três dias. Daqui a três dias o rei vai soltá-lo e vai mandar cortar a sua cabeça. Depois o seu corpo será pendurado num poste de madeira, e as aves comerão a sua carne.

Três dias depois, o rei comemorou o seu aniversário, oferecendo um banquete a todos os seus funcionários. Ele mandou soltar o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros e deu ordem para que viessem ao banquete.

E aconteceu exatamente o que José tinha dito: o rei fez com que o copeiro voltasse ao seu antigo trabalho de servir vinho ao rei e mandou que o padeiro fosse executado. Porém o chefe dos copeiros não lembrou de José; esqueceu dele completamente.

sábado, 9 de abril de 2011

Gênesis 33 a 36 (dia 9)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 33

Jacó se encontra com Esaú

Quando Jacó viu que Esaú vinha chegando com os seus quatrocentos homens, dividiu os seus filhos em grupos, que ficaram com Léia, com Raquel e com as duas escravas.

As escravas e os seus filhos ficaram na frente, depois Léia com os seus filhos e por último Raquel e José. Depois Jacó passou e ficou na frente; sete vezes ele se ajoelhou e encostou o rosto no chão, até que chegou perto de Esaú. Porém Esaú saiu correndo ao encontro de Jacó e o abraçou; ele pôs os braços em volta do seu pescoço e o beijou. E os dois choraram.
 
 

 
Quando Esaú olhou em volta e viu as mulheres e as crianças, perguntou:
- Quem são esses que estão com você?

- São os filhos que Deus, na sua bondade, deu a este seu criado - respondeu Jacó.

Então as escravas e os seus filhos chegaram perto de Esaú e se curvaram na frente dele. Depois vieram Léia e os seus filhos e também se curvaram. Por último José e Raquel vieram e se curvaram.

Depois Esaú perguntou:
- E o que são aqueles grupos que encontrei pelo caminho?

Jacó respondeu:
- Por meio deles pensei em ganhar a boa vontade do senhor.

Aí Esaú disse:
- Eu já tenho bastante, meu irmão; fique com o que é seu.

Mas Jacó insistiu:
- Não recuse. Se é que mereço um favor seu, aceite o meu presente. Para mim, ver o seu rosto é como ver o rosto de Deus, pois o senhor me recebeu tão bem. Por favor, aceite este presente que eu trouxe para o senhor. Deus tem sido bom para mim e me tem dado tudo o que preciso.

E Jacó insistiu até que Esaú aceitou.

Então Esaú disse:
- Bem, vamos embora; eu vou na frente.

Jacó respondeu:
- Meu patrão, o senhor sabe que as crianças são fracas, e eu tenho de pensar nas ovelhas e vacas com crias. Se forem forçados a andar depressa demais, nem que seja por um dia só, todos os animais poderão morrer. É melhor que o meu patrão vá na frente deste seu criado. Eu vou atrás devagar, conforme o passo dos animais e dos meninos, até que chegue a Edom, onde o senhor mora.

Esaú disse:
- Então deixe que alguns dos meus empregados fiquem com você para acompanhá-lo.

Jacó respondeu:
- Não é preciso. Eu só quero conquistar a amizade do meu patrão.

Naquele dia, Esaú voltou pelo mesmo caminho para a região de Edom. Jacó, por sua vez, foi para Sucote. Ali construiu uma casa para si e abrigos para o gado. Por isso puseram naquele lugar o nome de Sucote.

Assim, Jacó voltou da Mesopotâmia para Canaã; ele chegou são e salvo à cidade de Siquém e armou o seu acampamento ali perto. Por cem barras de prata comprou terras dos filhos de Hamor, o pai de Siquém, e nelas armou o seu acampamento. Ali ele construiu um altar e pôs nele o nome de El, o Deus de Israel.




LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 34

Dina é desonrada

Certa vez Dina, a filha de Jacó e de Léia, foi fazer uma visita a algumas moças daquele lugar.



Hamor, o heveu, que era chefe daquela região, tinha um filho chamado Siquém. Este viu Dina, pegou-a e a forçou a ter relações com ele. E ele a achou tão atraente, que se apaixonou por ela e procurou fazer com que ela o amasse.

Depois disse ao seu pai:
- Peça esta moça em casamento para mim.

Jacó ficou sabendo que Siquém havia desonrado a sua filha Dina. Porém, como os seus filhos estavam no campo com o gado, não disse nada até que eles voltaram para casa. Enquanto isso, Hamor, o pai de Siquém, foi falar com Jacó.

Quando os filhos de Jacó chegaram do campo e souberam do caso, ficaram indignados e furiosos, pois Siquém havia feito uma coisa vergonhosa em Israel, desonrando a filha de Jacó. Isso era uma coisa que não se devia fazer.

Mas Hamor lhes disse:
- O meu filho Siquém está apaixonado pela filha de vocês. Eu peço que vocês deixem que ela case com ele. Fiquemos parentes; nós casaremos com as filhas de vocês, e vocês casarão com as nossas. Fiquem aqui com a gente, morando na nossa região. Comprem terras onde quiserem e façam negócios por aqui.

Depois Siquém disse ao pai e aos irmãos de Dina:
- Façam este favor para mim, e eu lhes darei o que quiserem. Peçam os presentes que quiserem e digam quanto querem que eu pague pela moça, mas deixem que ela case comigo.

Como Siquém havia desonrado a irmã deles, os filhos de Jacó foram falsos na resposta que deram a ele e ao seu pai Hamor.

Eles disseram assim:
- Não podemos deixar que a nossa irmã case com um homem que não tenha sido circuncidado, pois isso seria uma vergonha para nós. Só podemos aceitar com esta condição: que vocês fiquem como nós, quer dizer, que todos os seus homens sejam circuncidados. Aí, sim, vocês poderão casar com as nossas filhas, e nós casaremos com as filhas de vocês. Nós viveremos no meio de vocês, e seremos todos um povo só. Mas, se vocês não aceitarem a nossa condição e não quiserem ser circuncidados, nós iremos embora e levaremos a nossa irmã.

Hamor e o seu filho Siquém concordaram com a condição. Sem perda de tempo, o moço foi circuncidado, pois estava apaixonado pela filha de Jacó. E Siquém era a pessoa mais respeitada na família do seu pai.

Depois Hamor e o seu filho Siquém foram até o portão da cidade, onde eram tratados os negócios, e disseram aos moradores da cidade:
- Essa gente é amiga. Vamos deixar que eles fiquem morando e negociando aqui, pois há terras que chegam para eles. Nós poderemos casar com as filhas deles, e eles poderão casar com as nossas. Mas eles só concordam em viver entre nós e se tornar um só povo com a gente se aceitarmos esta condição: todos os nossos homens precisam ser circuncidados, como eles são. E será que não ficaremos com todo o gado deles e com tudo o que eles têm? É só aceitarmos a condição, e eles ficarão morando entre nós.

Todos os homens maiores de idade concordaram com Hamor e com o seu filho Siquém e foram circuncidados.

Três dias depois, quando os homens sentiam fortes dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Dina, pegaram as suas espadas, entraram na cidade sem ninguém notar e mataram todos os homens. Hamor e Siquém também foram mortos. Em seguida Simeão e Levi tiraram Dina da casa de Siquém e saíram.

Depois da matança, os outros filhos de Jacó roubaram as coisas de valor que havia na cidade para se vingar da desonra da sua irmã. Eles levaram as ovelhas e as cabras, o gado, os jumentos e tudo o que havia na cidade e no campo. Tiraram das casas todas as coisas de valor e levaram como prisioneiras as mulheres e as crianças.

Então Jacó disse a Simeão e a Levi:
- Vocês me puseram numa situação difícil. Agora os cananeus, os perizeus e todos os moradores destas terras vão ficar com ódio de mim. Eu não tenho muitos homens. Se eles se ajuntarem e me atacarem, a minha família inteira será morta.

Mas eles responderam:
- Nós não podíamos deixar que a nossa irmã fosse tratada como uma prostituta.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 35

Bênção em Betel

Deus disse a Jacó:
- Apronte-se, vá para Betel e fique morando lá. Em Betel construa um altar e o dedique a mim, o Deus que lhe apareceu quando você estava fugindo do seu irmão Esaú.

Então Jacó disse à sua família e a todos os que estavam com ele:
- Joguem fora todas as imagens dos deuses estrangeiros que vocês têm. Purifiquem-se e vistam roupas limpas. Aprontem-se, que nós vamos para Betel. Ali vou fazer um altar dedicado ao Deus que me ajudou no tempo da minha aflição e que tem estado comigo em todos os lugares por onde tenho andado.

Eles entregaram as imagens dos deuses estrangeiros que tinham e os brincos que usavam nas orelhas. E Jacó enterrou tudo debaixo da árvore sagrada que fica perto de Siquém.

Quando eles foram embora, Deus fez com que os moradores das cidades vizinhas ficassem com um medo terrível, e por isso eles não perseguiram Jacó. Assim, Jacó e toda a sua gente chegaram a Luz, cidade que também é conhecida pelo nome de Betel e que fica na terra de Canaã.

Ali ele construiu um altar e pôs naquele lugar o nome de "O Deus de Betel" porque ali Deus havia aparecido a ele, quando estava fugindo do seu irmão.

Naquele lugar morreu Débora, a mulher que havia sido babá de Rebeca. Ela foi sepultada debaixo da árvore sagrada que fica ao sul de Betel. E puseram naquele lugar o nome de "Árvore Sagrada das Lágrimas".



Quando Jacó voltou da Mesopotâmia, Deus lhe apareceu outra vez e o abençoou, dizendo:

"Você se chama Jacó, porém esse não será mais o seu nome; agora o seu nome será Israel."

Assim, Deus pôs nele o nome de Israel.



E disse também:

"Eu sou o Deus Todo-Poderoso. Tenha muitos filhos e muitos descendentes. Uma nação e muitos povos sairão de você, e entre os seus descendentes haverá reis. A terra que dei a Abraão e a Isaque darei também a você e depois a darei aos seus descendentes."

Quando acabou de falar com Jacó, Deus subiu e foi embora daquele lugar. Então Jacó pegou uma pedra e a colocou como pilar no lugar onde Deus havia falado com ele. Ele a separou para Deus, derramando vinho e azeite em cima. E pôs naquele lugar o nome de Betel.



A morte de Raquel

Jacó e a sua família saíram de Betel; e, quando estavam chegando perto de Efrata, Raquel começou a sentir dores de parto. E o parto foi difícil.

Quando as dores estavam no ponto mais forte, a parteira disse:
- Não tenha medo; você vai ter outro filho homem.

Porém ela estava morrendo. E, antes de dar o último suspiro, chamou o menino de Benoni. Mas o pai pôs nele o nome de Benjamim.

Assim, Raquel morreu e foi sepultada na beira do caminho de Efrata, que agora se chama Belém. Jacó pôs sobre a sepultura uma pedra como pilar, e ela marca o lugar da sepultura até hoje.

Depois Jacó saiu dali e armou o seu acampamento do outro lado da torre de Éder.



Os filhos de Jacó
(1 Crônicas 2:1-2)

Um dia, quando Jacó estava morando naquele lugar, o seu filho Rúben teve relações com Bila, que era concubina de Jacó. Quando ele soube disso, ficou furioso.

Os filhos de Jacó eram doze.



* Os que teve com Léia foram Rúben (o filho mais velho de Jacó), Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom.

* Com Raquel ele teve José e Benjamim.

* Com Bila, a escrava de Raquel, ele teve e Naftali.

* Com Zilpa, a escrava de Léia, ele teve Gade e Aser.

Esses filhos de Jacó nasceram na Mesopotâmia.



A morte de Isaque

Jacó foi morar com Isaque, o seu pai, em Manre, a cidade que também se chama Arba e que fica perto de Hebrom, onde Abraão e Isaque haviam morado.

Aos cento e oitenta anos de idade, quando já era muito velho, Isaque morreu, indo reunir-se assim com os seus antepassados no mundo dos mortos.

E os seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 36

Os descendentes de Esaú
(1 Crônicas 1:34-37)

São estes os descendentes de Esaú, também chamado de Edom.

Esaú casou com duas mulheres do país de Canaã, isto é, com Ada, filha de Elom, o heteu; e com Oolibama, filha de Aná e neta de Zibeão, o heveu. Esaú casou também com Basemate, filha de Ismael e irmã de Nebaiote.

* Ada foi mãe de Elifaz,

* Basemate foi mãe de Reuel,

* e Oolibama foi mãe de Jeús, Jalã e Corá.

Esses foram os filhos de Esaú que nasceram quando ele estava morando na terra de Canaã.

Depois Esaú foi para outro lugar com as suas mulheres, os seus filhos, as suas filhas e toda a gente da sua casa, separando-se assim do seu irmão Jacó. Esaú levou consigo todas as suas ovelhas e cabras, todo o seu gado e tudo o que havia conseguido no país de Canaã.

Esaú saiu dali porque a terra em que ele e Jacó estavam morando era pequena demais para os dois; eles tinham muito gado e por isso não podiam ficar juntos. Portanto, Esaú, também chamado de Edom, foi morar na região montanhosa de Seir.



Segue a lista dos descendentes de Esaú, o antepassado dos edomitas, que vivem na região montanhosa de Edom, também chamada de Seir.



* Ada, mulher de Esaú, teve um filho chamado Elifaz;

* os filhos de Elifaz foram cinco: Temã, Omar, Zefo, Gaetã e Quenaz. Com a sua concubina Timna, Elifaz teve Amaleque.



* Basemate, outra mulher de Esaú, teve um filho chamado Reuel;

* e Reuel foi pai de quatro filhos: Naate, Zera, Sama e Miza.



* Esaú tinha outra mulher chamada Oolibama, filha de Aná e neta de Zibeão. Os filhos dela foram Jeús, Jalã e Corá.



Segue a lista das tribos que descendem de Esaú.

* De Elifaz, o filho mais velho de Esaú, descendem as seguintes tribos: Temã, Omar, Zefo, Quenaz, Corá, Gaetã e Amaleque. Estes foram descendentes de Ada, mulher de Esaú.

* De Reuel descendem as seguintes tribos: Naate, Zera, Sama e Miza. Estes foram descendentes de Basemate, outra mulher de Esaú.

* De Esaú com sua outra mulher chamada Oolibama, filha de Aná, descendem as seguintes tribos: Jeús, Jalã e Corá.

Todas essas tribos são descendentes de Esaú.



Os descendentes de Seir
(1 Crônicas 1:38-42)

As primeiras tribos que moraram na terra de Edom eram descendentes de Lotã, Sobal, Zibeão, Aná, Disom, Eser e Disã, todos eles filhos de Seir, o horeu.

* Lotã foi o pai dos grupos de famílias de Hori e de Homã. Lotã tinha uma irmã chamada Timna.

* Sobal foi o antepassado dos grupos de famílias de Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.

* Zibeão foi pai de dois filhos: Aías e Aná. Este foi o Aná que descobriu as fontes de água quente no deserto, quando estava tomando conta dos jumentos do pai.
** Aná foi o pai de Disom, que foi o pai dos grupos de famílias de Hendã, Esbã, Itrã e Querã. Aná também foi pai de uma filha chamada Oolibama.

* Eser foi o pai dos grupos de famílias de Bilã, Zaavã e Acã.

* Disã foi o pai dos grupos de famílias de Uz e Arã.

São estas, portanto, as tribos dos horeus na terra de Edom: Lotã, Sobal, Zibeão, Aná, Disom, Eser e Disã.



Os reis de Edom
(1 Crônicas 1:43-54)

Os seguintes reis governaram a terra de Edom, um depois do outro, no tempo em que Israel ainda não tinha rei:

* Belá, filho de Beor, da cidade de Dinaba.
* Jobabe, filho de Zera, de Bosra.
* Husã, da região de Temã.
* Hadade, filho de Bedade, da cidade de Avite. Ele derrotou os midianitas numa batalha na terra de Moabe.
* Samlá, da cidade de Masreca.
* Saul, de Reobote-do-Rio-Eufrates.
* Baal-Hanã, filho de Acbor.
* Hadade, da cidade de Paú (o nome da mulher dele era Meetabel, filha de Matrede e neta de Me-Zaabe).



De Esaú vieram as seguintes tribos edomitas:

* Timna,
* Alva,
* Jetete,
* Oolibama,
* Elá,
* Pinom,
* Quenaz,
* Temã,
* Mibsar,
* Magdiel e
* Irão.

A região em que morava cada uma dessas tribos recebeu o nome da sua tribo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Gênesis 29 a 32 (dia 8)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 29

O encontro com Raquel

Jacó continuou a sua viagem e chegou à terra do Oriente.

De repente, ele olhou e viu no campo um poço; em volta dele estavam três pastores, cada um com as suas ovelhas e cabras. A água para os animais era tirada desse poço, que era tapado com uma grande pedra. Quando todos os pastores se ajuntavam ali com os seus animais, então tiravam a pedra para dar água às ovelhas e cabras. Depois tornavam a pôr a pedra na boca do poço.

Jacó perguntou aos pastores:
- De onde são vocês, meus amigos?

- Somos de Harã - responderam eles.

Em seguida perguntou:
- Vocês conhecem Labão, filho de Naor?

- Conhecemos, sim - disseram.

- Ele vai bem? - perguntou Jacó.

Eles responderam:
- Sim, vai bem. Olhe! Raquel, a filha dele, vem vindo aí com as ovelhas.



Então Jacó disse:
- Ainda é dia, e é muito cedo para recolher as ovelhas. Por que vocês não lhes dão água e as levam de volta para pastar?

Eles responderam:
- Não podemos. Temos de esperar que todas as ovelhas e cabras estejam aqui e a pedra seja tirada da boca do poço. Aí daremos água para elas.

Jacó ainda estava falando com eles quando Raquel, que era pastora de ovelhas, chegou com os animais do seu pai. logo que Jacó a viu com as ovelhas e cabras do seu tio Labão, ele foi, e tirou a pedra da boca do poço, e deu água para os animais. Depois ele beijou Raquel e, muito emocionado, começou a chorar.

E disse:
- Eu sou parente do seu pai; sou filho de Rebeca.

Raquel foi correndo contar tudo ao pai. Ele ouviu as novidades a respeito do seu sobrinho e logo saiu correndo. Quando encontrou Jacó, Labão o abraçou, e beijou, e o levou para casa.

Jacó lhe contou tudo o que havia acontecido, e aí Labão disse:
- Sim, de fato, você é da minha própria carne e sangue.

Jacó ficou na casa do seu tio um mês inteiro.



Jacó casa com Leia e com Raquel

Aí Labão disse:
- Não está certo você trabalhar de graça para mim só porque é meu parente. Quanto você quer ganhar?

Acontece que Labão tinha duas filhas. A mais velha se chamava Léia, e a mais moça, Raquel. Léia tinha olhos meigos, mas Raquel era bonita de rosto e de corpo.

Como Jacó estava apaixonado por Raquel, respondeu:
- Trabalharei sete anos para o senhor a fim de poder casar com Raquel.

Labão disse:
- Eu prefiro dá-la a você em vez de a um estranho. Fique aqui comigo.

Assim, Jacó trabalhou sete anos para poder ter Raquel. Mas, porque ele a amava, esses anos pareceram poucos dias.



Quando passaram os sete anos, Jacó disse a Labão:
- Dê-me a minha mulher. O tempo combinado já passou, e eu quero casar com ela.

Labão deu uma festa de casamento e convidou toda a gente do lugar. Mas naquela noite, Labão pegou Léia e a entregou a Jacó, e ele teve relações com ela (Labão tinha dado a sua escrava Zilpa a Léia para ser escrava dela.). Só na manhã seguinte Jacó descobriu que havia dormido com Léia. Por isso foi reclamar com Labão.

Ele disse:
- Por que o senhor me fez uma coisa dessas? Eu trabalhei para ficar com Raquel. Por que foi que o senhor me enganou?

Labão respondeu:
- Aqui na nossa terra não é costume a filha mais moça casar antes da mais velha. Espere até que termine a semana de festas do casamento. Aí, se você prometer que vai trabalhar para mim outros sete anos, eu lhe darei Raquel.

Jacó concordou, e, quando terminou a semana de festas do casamento de Léia, Labão lhe deu a sua filha Raquel como esposa (Labão tinha dado a sua escrava Bila a Raquel para ser escrava dela.).

Jacó também teve relações com Raquel; e ele amava Raquel muito mais do que amava Léia. E ficou trabalhando para Labão mais sete anos.



Os filhos de Jacó

Quando o SENHOR Deus viu que Jacó desprezava Léia, fez com que ela pudesse ter filhos, mas Raquel não podia ter filhos. Léia ficou grávida e deu à luz um filho; e pôs nele o nome de Rúben.

Ela explicou assim:
- O SENHOR viu que eu estava triste, mas agora o meu marido vai me amar.



Léia ficou grávida outra vez e teve outro filho, a quem deu o nome de Simeão.

E disse:
- O SENHOR ouviu que eu era desprezada e por isso me deu mais este filho.



Léia engravidou ainda outra vez e teve mais um filho, a quem chamou de Levi, pois disse assim:
- Agora o meu marido ficará mais unido comigo, pois já lhe dei três filhos.



Léia ficou grávida mais uma vez e teve outro filho.

A esse deu o nome de Judá e disse:
- Desta vez louvarei a Deus, o SENHOR.

Depois disso não teve mais filhos.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 30

Quando Raquel percebeu que não podia ter filhos, ficou com inveja da sua irmã Léia e disse ao marido:
- Dê-me filhos; senão, eu morro!

Jacó ficou zangado com Raquel e disse:
- Você está pensando que eu sou Deus? É ele quem não deixa você ter filhos.

Então Raquel disse:
- Aqui está a minha escrava Bila; tenha relações com ela. Quando ela tiver um filho, será como se fosse meu. Desse modo eu serei mãe por meio dela.

Assim, Raquel deu a Jacó a sua escrava Bila para ser sua concubina, e ele teve relações com ela. Bila ficou grávida e deu a Jacó um filho.

Então Raquel disse:
- Este menino vai se chamar porque Deus foi justo comigo. Ele ouviu a minha oração e me deu um filho.



Bila ficou grávida outra vez e deu a Jacó outro filho.

Aí Raquel disse:
- O nome deste menino será Naftali porque lutei muito contra minha irmã e venci.



Quando Léia percebeu que não ia ter mais filhos, deu a sua escrava Zilpa a Jacó para ser sua concubina. E Zilpa deu a Jacó um filho.

Então Léia disse:
- Que sorte! Este menino vai se chamar Gade.



Depois Zilpa deu a Jacó outro filho, e Léia disse:
- Como sou feliz! Agora as mulheres dirão que sou feliz. Por isso o menino se chamará Aser.



Um dia, no tempo da colheita do trigo, Rúben foi ao campo. Ali achou umas mandrágoras e as levou para Léia, a sua mãe.

Quando Raquel viu isso, disse a Léia:
- Por favor, dê-me algumas das mandrágoras que o seu filho trouxe.

Léia respondeu:
- Será que você acha que tomar o meu marido de mim ainda é pouco? Agora vai querer tomar também as mandrágoras que o meu filho me deu?

Aí Raquel disse:
- Vamos fazer uma troca: você me dá as mandrágoras, e eu deixo que você durma com Jacó esta noite.

De tardinha, quando Jacó chegou do campo, Léia foi encontrar-se com ele e disse:
- Esta noite você vai dormir comigo porque eu paguei para isso com as mandrágoras que o meu filho achou.

Naquela noite, Jacó teve relações com ela. Deus ouviu a oração de Léia, e ela ficou grávida e deu a Jacó um quinto filho.

Então Léia disse:
- Este menino se chamará Issacar, pois Deus me recompensou por ter dado a minha escrava ao meu marido.



Depois Léia engravidou pela sexta vez e deu a Jacó mais um filho.

E disse:
- Deus me deu um belo presente. Agora o meu marido vai ficar comigo porque lhe dei seis filhos. Por isso ela pôs nele o nome de Zebulom.



Por último, Léia teve uma filha e lhe deu o nome de Dina.



Então Deus lembrou de Raquel. Ele ouviu a sua oração e fez com que ela pudesse ter filhos. Ela engravidou e deu à luz um filho.

Então disse:
- Deus não deixou que eu continuasse envergonhada por não ter filhos. Que o SENHOR Deus me dê mais um filho. Por isso ela pôs nele o nome de José.



Jacó e Labão fazem um trato

Depois do nascimento de José, Jacó disse a Labão:
- Deixe-me voltar para a minha terra. Dê-me os meus filhos e as minhas mulheres, que eu ganhei trabalhando para o senhor, e eu irei embora. O senhor sabe muito bem quanto eu o tenho servido.

Labão respondeu:
- Fique comigo, por favor, pois por meio de adivinhações fiquei sabendo que o SENHOR Deus está me abençoando por causa de você. Diga quanto quer ganhar, que eu pagarei.

Então Jacó disse:
- O senhor sabe como tenho trabalhado e como tenho cuidado dos seus animais. Antes de eu chegar, o senhor tinha pouco, mas depois tudo aumentou muito. E Deus tem abençoado o senhor em todos os lugares por onde eu tenho andado. Mas agora preciso cuidar da minha própria família.

- Quanto você quer que eu lhe pague? - insistiu Labão.

Jacó respondeu:
- Não quero salário. Eu continuarei a cuidar das suas ovelhas se o senhor concordar com a proposta que vou fazer. Hoje vou passar por todo o seu rebanho a fim de separar para mim todos os carneirinhos pretos e todos os cabritos malhados e com manchas. É só isso que eu quero como salário. No futuro será fácil o senhor saber se eu tenho sido honesto. Na hora de conferir o meu salário, se houver no meu rebanho carneirinhos que não sejam pretos e cabritos que não sejam malhados ou não tenham manchas, o senhor saberá que fui eu que roubei.

Labão concordou, dizendo:
- Está bem. Aceito a sua proposta.

Mas naquele mesmo dia, Labão separou para si todos os cabritos que tinham listas ou manchas, todas as cabras malhadas e as manchadas ou que tinham algum branco e todos os carneirinhos pretos. Ele os entregou aos seus filhos para cuidarem deles e se afastou de Jacó a uma distância de três dias de viagem. E Jacó ficou cuidando dos outros animais de Labão.

Então Jacó pegou galhos verdes de choupo, de amendoeira e de plátano e descascou-os, fazendo aparecer listas brancas. Ele pôs esses galhos na frente dos animais, nos bebedouros onde iam beber. Ele fez isso porque eles cruzavam quando iam beber. E, como cruzavam diante dos galhos, as ovelhas davam crias listadas, com manchas e malhadas.

Jacó separou as ovelhas dos bodes e fez com que olhassem na direção dos animais listados e dos animais pretos do rebanho de Labão. Assim, Jacó foi formando o seu próprio rebanho, separando-o dos animais de Labão.

Quando os animais fortes estavam cruzando, Jacó punha os galhos das árvores na frente deles nos bebedouros, e assim eles cruzavam perto dos galhos.

Mas na frente dos animais fracos Jacó não punha os galhos. Por isso os animais fracos ficavam para Labão, e os mais fortes ficavam para Jacó. Desse modo ele ficou muito rico e chegou a ter muitas ovelhas e cabras, escravos, escravas, camelos e jumentos.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 31

Jacó foge de Labão

Jacó ficou sabendo que os filhos de Labão andavam dizendo o seguinte:
- Jacó está tirando tudo o que é do nosso pai. É às custas do nosso pai que ele está ficando rico.

Jacó também notou que Labão já não se mostrava tão amigo como antes.

Então o SENHOR Deus disse a Jacó:
- Volte para a terra dos seus pais, onde estão os seus parentes. Eu estarei com você.

Aí Jacó mandou chamar Raquel e Léia para que viessem ao campo, onde ele estava com as suas ovelhas e cabras.

Quando chegaram, ele disse:
- Tenho reparado que o pai de vocês já não se mostra tão meu amigo como antes; mas o Deus do meu pai tem estado comigo. Vocês sabem muito bem que tenho me esforçado muito, trabalhando para o pai de vocês. Mas ele me tem enganado e já mudou o meu salário umas dez vezes. Porém Deus não deixou que ele me prejudicasse. Quando ele dizia: "Os cabritos com manchas serão o seu salário", aí as fêmeas tinham crias manchadas. E, quando ele dizia: "Os cabritos listados serão o seu salário", aí as crias saíam todas listadas. Foi assim que Deus tirou os rebanhos do pai de vocês e os deu a mim.

- Um dia, quando os animais estavam no tempo do cruzamento, eu tive um sonho. Eu vi que os bodes que cobriam as fêmeas eram listados, malhados e manchados. O Anjo de Deus me chamou pelo nome, e eu respondi: "Aqui estou." Então ele continuou: "Veja! Todos os bodes que estão cruzando são listados, malhados e manchados. Eu estou fazendo com que isso aconteça porque tenho visto o que Labão está fazendo com você. Eu sou o Deus que apareceu a você em Betel, onde você me dedicou uma pedra, derramando azeite sobre ela, e onde você me fez uma promessa. Agora prepare-se, saia desta terra e volte para a terra onde você nasceu."

Então Raquel e Léia responderam:
- Não sobrou nada para herdarmos do nosso pai. Ele nos trata como se fôssemos estrangeiras. ele até nos vendeu e depois gastou todo o dinheiro que recebeu como pagamento. Toda a riqueza que Deus tirou do nosso pai é nossa e dos nossos filhos. Portanto, faça tudo o que Deus mandou.

Jacó se preparou para voltar a Canaã, onde morava Isaque, o seu pai. Fez com que os seus filhos e as suas mulheres montassem os camelos, ajuntou tudo o que tinha e partiu, levando todos os animais que havia conseguido com o seu trabalho na Mesopotâmia.

Labão, o pai de Raquel, havia ido para outro lugar a fim de cortar a lã das suas ovelhas; e, enquanto ele estava fora, Raquel roubou as imagens dos deuses da casa dele.



Foi assim que Jacó, sem avisar que ia embora, enganou Labão, o arameu, fugindo com tudo o que tinha. Atravessou o rio Eufrates e foi na direção da região montanhosa de Gileade.



Labão vai atrás de Jacó

Três dias depois, Labão ficou sabendo que Jacó havia fugido. Ele reuniu os seus parentes e foi atrás de Jacó. Sete dias depois, Labão alcançou Jacó na região montanhosa de Gileade.

Naquela noite, Deus apareceu num sonho a Labão, o arameu, e disse:
- Cuidado! Não faça nada a Jacó.

Labão alcançou Jacó na região montanhosa de Gileade, onde ele estava acampado. E Labão e os seus parentes acamparam no mesmo lugar.

Aí Labão disse a Jacó:
- Por que foi que você me enganou, levando as minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra? Por que você me enganou, fugindo desse jeito, sem me dizer nada? Se você tivesse falado comigo, eu teria preparado uma festa alegre de despedida, com canções acompanhadas de pandeiros e de liras. Você nem me deixou beijar os meus netos e as minhas filhas. O que você fez foi coisa de gente sem juízo. Eu poderia ter feito muito mal a vocês, mas na noite passada o Deus do seu pai me disse assim: "Cuidado! Não faça nada a Jacó." Eu sei que você foi embora porque tinha saudades de casa. Mas por que foi que você roubou as imagens dos deuses da minha casa?

Jacó respondeu:
- Eu fiquei com medo, pois pensei que o senhor ia me tirar as suas filhas à força. Mas, se o senhor achar as suas imagens com alguém aqui, essa pessoa será morta. Os nossos parentes são testemunhas: se o senhor encontrar aqui qualquer coisa que seja sua, pode levar.

Acontece que Jacó não sabia que Raquel havia roubado as imagens.

Labão entrou na barraca de Jacó, depois na de Léia e depois na das duas escravas, porém não encontrou as suas imagens. Então foi para a barraca de Raquel. Aí ele procurou em toda parte, porém não achou nada, pois Raquel havia posto as imagens numa sela de camelo e estava sentada em cima.

Ela disse ao pai:
- O senhor não fique zangado comigo por eu não me levantar, mas é que estou menstruada.

Foi assim que Labão procurou as suas imagens, sem as encontrar.

Aí Jacó ficou zangado. Ele disse a Labão:
- O que foi que eu fiz de errado? Qual foi a lei que eu quebrei para o senhor me perseguir com tanta raiva? Agora que mexeu em todas as minhas coisas, será que encontrou alguns objetos que são seus? Pois ponha esses objetos aqui, na frente dos meus parentes e dos seus, para que eles julguem qual de nós dois está com a razão. Durante os vinte anos que trabalhei para o senhor, as suas ovelhas e as suas cabras nunca tiveram abortos, e eu não comi um só carneiro do seu rebanho. Nunca lhe trouxe os animais que as feras mataram, mas eu mesmo pagava o prejuízo. O senhor me cobrava qualquer animal que fosse roubado de dia ou de noite. A minha vida era assim: de dia o calor me castigava, e de noite eu morria de frio. E quantas noites eu passei sem dormir! Fiquei vinte anos na sua casa. Trabalhei catorze anos para conseguir as suas duas filhas e seis anos para conseguir os seus animais. E, ainda por cima, o senhor mudou o meu salário umas dez vezes. Se o Deus dos meus antepassados - o Deus de Abraão, o Deus a quem Isaque temia - não tivesse estado comigo, o senhor teria me mandado embora com as mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho que tive e ontem à noite ele resolveu a questão.



Jacó e Labão fazem um trato

Labão respondeu a Jacó assim:
- Estas filhas são minhas, os netos são meus, estes animais são meus, e tudo o que você está vendo é meu. Agora, como não posso fazer nada para ficar com as minhas filhas e com os filhos que elas tiveram, estou disposto a fazer um trato com você. Vamos fazer aqui um montão de pedras para que lembremos desse trato.

Então Jacó pegou uma pedra e a pôs de pé como se fosse um pilar. Depois disse aos seus parentes que ajuntassem e amontoassem pedras. Eles fizeram um montão de pedras e depois tomaram uma refeição ali do lado dele. Labão pôs naquele lugar o nome de Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou de Galeede.

Depois Labão disse:
- Este montão de pedras servirá para que nós dois lembremos desse trato.

Foi por isso que aquele lugar recebeu o nome de Galeede.

E também teve o nome de Mispa porque Labão disse:
- Que o SENHOR Deus fique nos vigiando quando estivermos separados um do outro! Se você maltratar as minhas filhas ou se você casar com outras mulheres, mesmo que eu não saiba o que está acontecendo, lembre que Deus está nos vigiando. Aqui estão as pedras e o pilar que coloquei entre nós dois. O montão de pedras e o pilar são para lembrarmos desse trato. Eu nunca passarei para lá deste pilar para atacá-lo, e você não passará para cá deste montão de pedras e deste pilar para me atacar. O Deus de Abraão e o Deus de Naor será juiz entre nós.

Então Jacó fez um juramento em nome do Deus a quem Isaque, o seu pai, temia. Ele ofereceu um animal em sacrifício ali na montanha e convidou os seus parentes para uma refeição. Naquela noite eles comeram e dormiram ali na montanha.

Na manhã seguinte, Labão se levantou bem cedo, beijou as suas filhas e os seus netos e os abençoou. E depois foi embora, voltando para a sua terra.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 32

Jacó faz planos para o encontro com Esaú

Jacó estava continuando a sua viagem quando alguns anjos de Deus foram encontrar-se com ele.

Quando Jacó os viu, disse:
- Este é o acampamento de Deus.

Por isso pôs naquele lugar o nome de Maanaim.

Jacó mandou mensageiros para a região de Seir, também chamada de Edom, a fim de se encontrarem com Esaú e lhe darem esta mensagem:

"Eu, Jacó, estou às suas ordens para servi-lo. Durante todo esse tempo morei com Labão. Tenho gado, jumentos, ovelhas, cabras, escravos e escravas. Estou mandando este recado ao senhor, esperando ser bem recebido."

Os mensageiros voltaram e disseram:
- Estivemos com Esaú, o seu irmão. Ele já vem vindo para se encontrar com o senhor. E vem com quatrocentos homens.

Quando Jacó ouviu isso, teve muito medo e ficou preocupado. Então dividiu em dois grupos a gente que estava com ele e também as ovelhas, as cabras, o gado e os camelos. Ele pensou que, se Esaú viesse e atacasse um grupo, o outro poderia escapar.

Depois Jacó fez esta oração:
- Ouve-me, ó SENHOR, Deus do meu avô Abraão e de Isaque, o meu pai! Tu me mandaste voltar para a minha terra e para os meus parentes, prometendo que tudo correria bem para mim. Eu, teu servo, não mereço toda a bondade e fidelidade com que me tens tratado. Quando atravessei o rio Jordão, eu tinha apenas um bastão e agora estou voltando com estes dois grupos de pessoas e animais. Ó SENHOR, eu te peço que me salves do meu irmão Esaú. Tenho medo de que ele venha e me mate e também as mulheres e as crianças. Lembra que prometeste que tudo me correria bem e que os meus descendentes seriam como a areia da praia, tantos que ninguém poderia contar.

 

Naquela noite Jacó dormiu ali. Depois ele escolheu alguns dos seus animais para dar de presente a Esaú. Escolheu duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros, trinta camelas com as suas crias, que ainda mamavam, quarenta vacas e dez touros, e vinte jumentas e dez jumentos. Jacó dividiu esses animais em grupos e pôs um empregado para tomar conta de cada grupo.

E deu esta ordem:
- Vocês vão na frente, deixando um espaço entre os grupos.

Jacó disse ao primeiro empregado:
- Quando o meu irmão Esaú se encontrar com você, ele vai perguntar: "Quem é o seu patrão? Aonde você vai? E de quem são esses animais que você vai levando?" Então responda assim: "Estes animais são do seu criado Jacó. São um presente que ele está enviando ao seu patrão Esaú. E ele também vem vindo aí atrás."

Também ao segundo, e ao terceiro, e a todos os outros que tomavam conta dos grupos, Jacó disse:
- Quando vocês se encontrarem com Esaú, digam a mesma coisa. E não esqueçam de dizer isto: "O seu criado Jacó vem vindo aí atrás."

É que Jacó estava pensando assim: "Vou acalmar Esaú com os presentes que irão na minha frente. E, quando nos encontrarmos, talvez ele me perdoe."

Desse modo, Jacó mandou os presentes na frente e passou aquela noite no acampamento.



A luta de Jacó em Peniel

Naquela mesma noite, Jacó se levantou e atravessou o rio Jaboque, levando consigo as suas duas mulheres, as suas duas concubinas e os seus onze filhos.

Depois que as pessoas passaram, Jacó fez com que também passasse tudo o que era seu; mas ele ficou para trás, sozinho. Aí veio um homem que lutou com ele até o dia amanhecer. Quando o homem viu que não podia vencer, deu um golpe na junta da coxa de Jacó, de modo que ela ficou fora do lugar.

Então o homem disse:
- Solte-me, pois já está amanhecendo.

- Não solto enquanto o senhor não me abençoar - respondeu Jacó.



Aí o homem perguntou:
- Como você se chama?

- Jacó - respondeu ele.

Então o homem disse:
- O seu nome não será mais Jacó. Você lutou com Deus e com os homens e venceu; por isso o seu nome será Israel.

- Agora diga-me o seu nome - pediu Jacó.

O homem respondeu:
- Por que você quer saber o meu nome?

E ali ele abençoou Jacó.

Então Jacó disse:
- Eu vi Deus face a face, mas ainda estou vivo.

Por isso ele pôs naquele lugar o nome de Peniel.

O sol nasceu quando Jacó estava saindo de Peniel, e ele ia mancando por causa do golpe que havia levado na coxa.

Até hoje os descendentes de Israel não comem o músculo que fica na junta da coxa, pois foi nessa parte do corpo que ele recebeu o golpe.