Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)
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terça-feira, 12 de abril de 2011

Gênesis 45 a 48 (dia 12)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 45

José conta quem é

José não conseguiu mais controlar a sua emoção diante dos seus empregados, de modo que gritou:
- Saiam todos daqui!

Por isso, nenhum dos empregados estava ali quando José contou aos irmãos quem ele era. Ele começou a chorar tão alto, que os egípcios ouviram, e a notícia chegou até o palácio do rei.

José disse aos irmãos:
- Eu sou José. O meu pai ainda está vivo?

Quando os irmãos ouviram isso, ficaram tão assustados, que não puderam responder nada.

E José disse:
- Cheguem mais perto de mim, por favor.


Eles chegaram, e ele continuou:
- Eu sou o seu irmão José, aquele que vocês venderam a fim de ser trazido para o Egito. Agora não fiquem tristes nem aborrecidos com vocês mesmos por terem me vendido a fim de ser trazido para cá. Foi para salvar vidas que Deus me enviou na frente de vocês. Já houve dois anos de fome no mundo, e ainda haverá mais cinco anos em que ninguém vai preparar a terra, nem colher. Deus me enviou na frente de vocês a fim de que ele, de um modo maravilhoso, salvasse a vida de vocês aqui neste país e garantisse que teriam descendentes. Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá, mas foi Deus. Ele me pôs como o mais alto ministro do rei. Eu tomo conta do palácio dele e sou o governador de todo o Egito.

- Agora voltem depressa para casa e digam ao meu pai que o seu filho José manda lhe dizer o seguinte: "Deus me fez governador de todo o Egito. Venha me ver logo; não demore. O senhor morará na região de Gosém e assim ficará perto de mim - o senhor, os seus filhos, os seus netos, as suas ovelhas, as suas cabras, o seu gado e tudo o que é seu. A fome ainda vai durar mais cinco anos, e em Gosém eu darei mantimentos ao senhor, à sua família e aos seus animais. Assim não lhes faltará nada."

José continuou:
- Todos vocês e Benjamim, o meu irmão, podem ver que sou eu mesmo, José, quem está falando. Contem ao meu pai como sou poderoso aqui no Egito, contem tudo o que têm visto. Vão depressa e tragam o meu pai para cá.

José abraçou o seu irmão Benjamim e começou a chorar. E, abraçado com José, Benjamim também chorou. Então, ainda chorando, José abraçou e beijou cada um dos seus irmãos. Depois disso, os irmãos começaram a falar com ele.

A notícia de que os irmãos de José tinham vindo chegou até o palácio do rei do Egito, e ele e os seus servidores ficaram contentes com isso.

O rei disse a José:
- Diga aos seus irmãos que carreguem os animais e voltem para a terra de Canaã. E me tragam o pai deles e as famílias deles. Eu lhes darei as melhores terras que há no Egito, e eles comerão o que este país produz de melhor. Que os seus irmãos levem daqui do Egito carretas para trazerem as mulheres, as crianças pequenas e também o pai deles. E não se preocupem por deixarem para trás as coisas que têm, pois o melhor que há na terra do Egito será deles.

Os filhos de Jacó fizeram isso. José lhes deu carretas, como o rei havia mandado, e mantimento para a viagem. Também lhes deu roupas novas, mas a Benjamim deu trezentas barras de prata e cinco mudas de roupas. Para o pai, José mandou dez jumentos carregados das melhores coisas do Egito e dez jumentos carregados de trigo, pão e outros mantimentos para a viagem.

Os irmãos se despediram, e na hora de partir José aconselhou:
- Não briguem pelo caminho.

Eles saíram do Egito e, quando chegaram a Canaã, foram à casa de Jacó, o seu pai.

Então lhe disseram:
- José está vivo! Ele é o governador de todo o Egito!

Jacó quase desmaiou e não podia acreditar. Porém, quando lhe contaram tudo o que José tinha dito, e quando viu as carretas que havia mandado para levá-lo para o Egito, Jacó ficou muito animado.

E disse:
- Já chega! O meu filho José ainda está vivo. Quero vê-lo antes de eu morrer.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 46

Jacó e a sua família vão para o Egito

Jacó partiu com tudo o que tinha e foi até Berseba, onde ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, o seu pai.

Naquela noite, Deus falou com ele numa visão e o chamou assim:
- Jacó, Jacó!

- Eu estou aqui - respondeu ele.

Deus disse:
- Eu sou Deus, o Deus do seu pai. Não tenha medo de ir para o Egito, pois ali eu farei com que os seus descendentes se tornem uma grande nação. Eu irei para o Egito com você e trarei os seus descendentes de volta para esta terra. E, quando você morrer, José estará ao seu lado.

Então Jacó partiu de Berseba.

Nas carretas que o rei do Egito havia mandado, os filhos de Jacó levaram o pai, as esposas deles e os seus filhos pequenos. Jacó e todos os seus foram para o Egito, levando o seu gado e todas as coisas que haviam conseguido em Canaã. Jacó levou consigo todos os seus descendentes, isto é, filhos e filhas, netos e netas.
 

 
Os israelitas que foram para o Egito, isto é, Jacó e os seus descendentes, são os seguintes:



* Rúben, o filho mais velho de Jacó, e os filhos de Rúben: Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.

* Simeão e os seus filhos Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, que era filho de uma mulher de Canaã.

* Levi e os seus filhos Gérson, Coate e Merari.

* Judá e os seus filhos Selá, Peres e Zera (Os outros dois filhos, Er e Onã, haviam morrido em Canaã.). Os filhos de Peres foram Hezrom e Hamul.

* Issacar e os seus filhos Tolá, Puá, Jasube e Sinrom.

* Zebulom e os seus filhos Serede, Elom e Jaleel.

Esses foram os filhos que Léia deu a Jacó na Mesopotâmia, além da sua filha Dina. Os descendentes de Jacó e Léia eram trinta e três.



* Gade e os seus filhos Zifião, Hagui, Suni, Esbom, Eri, Arodi e Areli.

* Aser e os seus filhos Imna, Isva, Isvi e Berias e a irmã deles, que se chamava Sera. Os filhos de Berias eram Héber e Malquiel.

Esses dezesseis foram os descendentes de Jacó e Zilpa, a escrava que Labão deu à sua filha Léia.



Raquel, mulher de Jacó, lhe tinha dado dois filhos:

* José e

* Benjamim.

Os filhos de José com Asenate foram Manassés e Efraim, que nasceram no Egito. Asenate era filha de Potífera, sacerdote da cidade de Heliópolis.

Os filhos de Benjamim foram Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã, Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.

Esses catorze foram os descendentes de Jacó e Raquel.



* e o seu filho Husim.

* Naftali e os seus filhos Jazeel, Guni, Jezer e Silém.

Esses sete foram os descendentes de Jacó e Bila, a escrava que Labão deu à sua filha Raquel.



Ao todo foram para o Egito sessenta e seis descendentes diretos de Jacó, sem contar as mulheres dos seus filhos.

Os dois filhos de José nasceram no Egito. Assim, foi de setenta o total de pessoas da família de Jacó que foram para o Egito.



A chegada ao Egito

Jacó mandou que Judá fosse na frente para pedir a José que viesse encontrá-los em Gosém.

Quando eles chegaram, José mandou aprontar o seu carro e foi para Gosém a fim de se encontrar com o pai.

Quando se encontraram, José o abraçou e chorou abraçado com ele por muito tempo.


Então Jacó disse:
- Já posso morrer, agora que já vi você e sei que está vivo!

Depois José disse aos irmãos e à família do pai:
- Eu vou falar com o rei do Egito e vou lhe dar a notícia de que os meus irmãos e os parentes do meu pai, que moravam em Canaã, vieram para ficar comigo. Vou dizer ao rei que vocês são criadores de ovelhas e cabras e cuidam de gado. Direi que trouxeram as suas ovelhas, o gado e tudo o que têm. Quando o rei lhes perguntar qual é a profissão de vocês, digam que a vida inteira vocês têm sido criadores de ovelhas, como foram os seus antepassados. Assim, vocês poderão ficar morando na região de Gosém, pois os egípcios detestam os pastores de ovelhas.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 47

Então José foi dar a notícia ao rei.

Ele disse:
- O meu pai e os meus irmãos vieram da terra de Canaã e estão na região de Gosém com as suas ovelhas e cabras, o seu gado e tudo o que têm.

Depois levou cinco dos seus irmãos e os apresentou ao rei.

O rei perguntou:
- Qual é o trabalho de vocês?

Eles responderam:
- Senhor, nós somos criadores de ovelhas, como foram os nossos antepassados. Viemos morar neste país porque na terra de Canaã não há pastos para os animais, e a fome lá está terrível. Por favor, deixe que a gente fique morando na região de Gosém.

O rei disse a José:
- Agora que o seu pai e os seus irmãos vieram ficar com você, a terra do Egito está às ordens deles. Dê a eles a região de Gosém, que é a melhor do país, para que fiquem morando lá. E, se na sua opinião houver entre eles homens capazes, ponha-os como chefes dos que cuidam do meu gado.

Depois José levou Jacó, o seu pai, e o apresentou ao rei.

Jacó deu a sua bênção ao rei, e este perguntou:
- Qual é a sua idade?

Jacó respondeu:
- Já estou com cento e trinta anos de idade e sempre tenho andado de um lado para outro. A minha vida tem passado rapidamente, e muitos anos foram difíceis. E eu não tenho conseguido viver tanto quanto os meus antepassados, que tiveram uma vida tão dura como a que eu tive.

Jacó deu a sua bênção ao rei e foi embora. E José deu ao pai e aos irmãos terras na melhor região do Egito, perto da cidade de Ramessés, como o rei havia ordenado. Essas terras se tornaram propriedade deles, e eles ficaram morando ali. José dava mantimentos ao pai, aos irmãos e aos parentes, conforme as necessidades de cada família.



José como governador do Egito

Não havia alimento em lugar nenhum, e a fome aumentava cada vez mais. Os moradores do Egito e de Canaã ficaram fracos de tanto passar fome. O povo comprava mantimentos, e José ajuntava todo o dinheiro e o levava para o palácio.

Quando acabou todo o dinheiro do Egito e de Canaã, os egípcios foram falar com José.

Eles disseram:
- Por favor, nos dê comida! Não nos deixe morrer só porque o nosso dinheiro acabou!

José respondeu:
- Se vocês não têm mais dinheiro, tragam o seu gado, que eu trocarei por mantimento.

Os egípcios levaram a José cavalos, ovelhas, cabras, bois e jumentos, e em troca ele lhes deu mantimento durante todo aquele ano.

O ano passou, e no ano seguinte foram dizer a José:
- Senhor, não podemos esconder o fato de que o nosso dinheiro acabou e que os nossos animais agora são seus. Não temos mais nada para entregar a não ser os nossos corpos e as nossas terras. Não deixe a gente morrer. Compre a nós e as nossas terras em troca de alimentos. Seremos escravos do rei, e ele será dono das nossas terras. Dê-nos mantimento para que possamos viver e também sementes para plantarmos, e assim a terra não se tornará um deserto.

Então José comprou todas as terras do Egito para o rei. Todos os egípcios tiveram de vender as suas terras, pois a fome era terrível. Assim, a terra ficou sendo do rei, e José fez dos egípcios escravos no país inteiro.

José só não comprou as terras dos sacerdotes. Eles não tiveram de vendê-las, pois o rei lhes dava certa quantidade de alimentos; e assim eles tinham o que comer.

Então José disse ao povo:
- Agora vocês e as suas terras são do rei, pois eu os comprei para ele. Peguem aqui sementes para semearem nos campos. Do que colherem, dêem a quinta parte ao rei; usem as outras quatro partes para semear e para alimentar vocês, os seus filhos e as pessoas que moram com vocês.

Eles responderam:
- O senhor salvou a nossa vida e tem sido bom para nós. Seremos escravos do rei.

Assim, José fez uma lei que existe até hoje. A lei é a seguinte: em todo o Egito a quinta parte das colheitas pertence ao rei. Só as terras dos sacerdotes não ficaram para o rei.



O último pedido de Jacó

Os israelitas ficaram vivendo no Egito, na região de Gosém, onde compraram terras e tiveram muitos filhos.

Jacó viveu dezessete anos no Egito, chegando à idade de cento e quarenta e sete anos.

Quando sentiu que ia morrer, Jacó mandou chamar o seu filho José e disse:
- Se lhe posso pedir um favor, ponha a mão por baixo da minha coxa e jure que será fiel e honesto comigo nisto que vou pedir: não me sepulte no Egito. Quando eu morrer, tire o meu corpo do Egito e me coloque na sepultura dos meus antepassados, a fim de que eu descanse com eles.

José respondeu:
- Eu farei o que o senhor está pedindo.

- Então jure - disse Jacó.

José jurou, e aí Jacó se inclinou sobre a cabeceira da cama e orou.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 48

Jacó abençoa José e os seus filhos

Algum tempo depois, disseram a José que o seu pai estava doente.

Então José foi visitá-lo, levando consigo os seus dois filhos, Efraim e Manassés.

Alguém foi dizer a Jacó:
- O seu filho José veio visitá-lo.

Jacó fez um esforço e se sentou na cama.

Aí disse a José:
- O Deus Todo-Poderoso me apareceu na cidade de Luz, lá na terra de Canaã, e me abençoou. Ele me disse: "Eu farei com que você tenha muitos filhos, e os seus descendentes formarão muitas nações. Eu darei esta terra aos seus descendentes para ser propriedade deles para sempre."

E Jacó continuou dizendo a José:
- Agora, os seus filhos Efraim e Manassés, que nasceram aqui no Egito antes de eu vir para cá, esses dois me pertencem. Efraim e Manassés são meus tanto como Rúben e Simeão. Se você tiver outros filhos, eles serão seus e, por serem irmãos de Efraim e de Manassés, terão parte na herança deles. Estou fazendo isso por causa de Raquel, a sua mãe. Nós estávamos voltando da Mesopotâmia, quando, para minha infelicidade, ela morreu no país de Canaã, pouco antes de chegarmos a Efrata. Eu a sepultei ali, na beira do caminho (Efrata é agora conhecida como Belém.).

Quando Jacó viu os filhos de José, perguntou:
- E esses, quem são?

- São os filhos que Deus me deu aqui no Egito - respondeu José.

Jacó disse:
- Ponha-os perto de mim para que eu lhes dê a minha bênção.

Por causa da velhice, a vista de Jacó estava fraca, e ele não podia ver bem.

José levou os rapazes para perto dele, e ele os abraçou e beijou.

Jacó disse a José:
- Eu pensei que nunca mais ia ver você, e agora Deus me deixou ver até os seus filhos.

Então José tirou os dois do colo do seu pai, ajoelhou-se e encostou o rosto no chão. Em seguida, pegou Efraim com a mão direita e Manassés com a mão esquerda e fez com que ficassem perto de Jacó. Dessa maneira, Efraim ficou do lado esquerdo de Jacó, e Manassés, do seu lado direito.

Jacó estendeu os braços e cruzou-os, pondo a mão direita sobre a cabeça de Efraim, embora fosse o mais moço, e a mão esquerda sobre a cabeça de Manassés, que era o mais velho.

Em seguida deu a sua bênção a José, dizendo assim:
"Ó Deus, a quem os meus pais Abraão e Isaque serviram, abençoa estes rapazes. Abençoa-os, ó Deus, tu que me tens guiado como um pastor durante toda a minha vida até hoje. Que os abençoe o Anjo que me tem livrado de todo mal! Que o meu nome seja lembrado por meio deles e também o nome dos meus pais Abraão e Isaque! Que eles tenham muitos filhos e muitos descendentes neste mundo!"

José não gostou quando viu o seu pai colocar a mão direita sobre a cabeça de Efraim; por isso pegou a mão dele para tirá-la da cabeça de Efraim e colocá-la sobre a de Manassés.

E explicou:
- Não, pai; assim não. Este aqui é o filho mais velho; ponha a mão direita sobre a cabeça dele.

Mas Jacó não quis e disse:
- Eu sei, filho, eu sei. Os descendentes de Manassés também serão um grande povo. Mas o irmão mais moço será mais importante do que ele, e os seus descendentes formarão muitas nações.

Desse modo, Jacó os abençoou naquele dia, dizendo:
- Os israelitas usarão os nomes de vocês para dar a bênção. Eles vão dizer assim: "Que Deus faça com você como fez com Efraim e com Manassés."

Dessa maneira Jacó pôs Efraim antes de Manassés.

Aí disse a José:
- Como você está vendo, eu vou morrer. Mas Deus estará com vocês e os levará de volta para a terra dos seus antepassados. Eu dou Siquém a você e não aos seus irmãos. Siquém é aquela região que tomei dos amorreus, lutando com a minha espada e o meu arco.

domingo, 10 de abril de 2011

Gênesis 37 a 40 (dia 10)

LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 37

José e seus irmãos

Jacó ficou morando na terra de Canaã, onde o seu pai tinha vivido.

Esta é a história da família de Jacó. Quando José era um jovem de dezessete anos, cuidava das ovelhas e das cabras, junto com os seus irmãos, os filhos de Bila e de Zilpa, que eram mulheres do seu pai. E José contava ao pai as coisas erradas que os seus irmãos faziam.

Jacó já era velho quando José nasceu e por isso ele o amava mais do que a todos os seus outros filhos. Jacó mandou fazer para José uma túnica longa, de mangas compridas. Os irmãos viam que o pai amava mais a José do que a eles e por isso tinham ódio dele e eram grosseiros quando falavam com ele.

Certa vez, José teve um sonho e o contou aos seus irmãos.

Aí é que ficaram com mais raiva dele, porque ele disse assim:
- Escutem, que eu vou contar o sonho que tive. Sonhei que estávamos no campo amarrando feixes de trigo. De repente, o meu feixe ficou de pé, e os feixes de vocês se colocaram em volta do meu e se curvavam diante dele.

Então os irmãos perguntaram:
- Quer dizer que você vai ser nosso rei e que vai mandar em nós?

E ficaram com mais ódio dele ainda por causa dos seus sonhos e do jeito que ele os contava.

Depois José sonhou outra vez e contou também esse sonho aos seus irmãos.

Ele disse assim:
- Eu tive outro sonho. Desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvaram diante de mim.

Quando José contou esse sonho ao pai e aos irmãos, o pai o repreendeu e disse:
- O que quer dizer esse sonho que você teve? Por acaso a sua mãe, os seus irmãos e eu vamos nos ajoelhar diante de você e encostar o rosto no chão?

Os irmãos de José tinham inveja dele, mas o seu pai ficou pensando no caso.



José é vendido e levado ao Egito

Um dia, os irmãos de José levaram as ovelhas e as cabras do seu pai até os pastos que ficavam perto da cidade de Siquém.

Então Jacó disse a José:
- Venha cá. Vou mandar você até Siquém, onde os seus irmãos estão cuidando das ovelhas e das cabras.

- Estou pronto para ir - respondeu José.

Jacó disse:
- Vá lá e veja se os seus irmãos e os animais vão bem e me traga notícias.

Então dali, do vale de Hebrom, Jacó mandou que José fosse até Siquém, e ele foi.

Quando chegou lá, ele foi andando pelo campo.

Aí um homem o viu e perguntou:
- O que você está procurando?

- Estou procurando os meus irmãos - respondeu José. - Eles estão por aí, em algum pasto, cuidando das ovelhas e das cabras. O senhor sabe aonde foram?

O homem respondeu:
- Eles já foram embora daqui. Eu ouvi quando disseram que iam para Dotã.

Aí José foi procurar os seus irmãos e os achou em Dotã. Eles viram José de longe e, antes que chegasse perto, começaram a fazer planos para matá-lo.

Eles disseram:
- Lá vem o sonhador! Venham, vamos matá-lo agora. Depois jogaremos o corpo num poço seco e diremos que um animal selvagem o devorou. Assim, veremos no que vão dar os sonhos dele.

Quando Rúben ouviu isso, quis salvá-lo dos seus irmãos e disse:
- Não vamos matá-lo. Não derramem sangue. Vocês podem jogá-lo neste poço, aqui no deserto, mas não o machuquem.

Rúben disse isso porque planejava salvá-lo dos irmãos e mandá-lo de volta ao pai.

Quando José chegou ao lugar onde os seus irmãos estavam, eles arrancaram dele a túnica longa, de mangas compridas, que ele estava vestindo. Depois o pegaram e o jogaram no poço, que estava vazio e seco. E sentaram-se para comer.

De repente, viram que ia passando uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade e ia para o Egito. Os seus camelos estavam carregados de perfumes e de especiarias.

Aí Judá disse aos irmãos:
- O que vamos ganhar se matarmos o nosso irmão e depois escondermos a sua morte? Em vez de o matarmos, vamos vendê-lo a esses ismaelitas. Afinal de contas, ele é nosso irmão, é do nosso sangue.

Os irmãos concordaram.

Quando alguns negociantes midianitas passaram por ali, os irmãos de José o tiraram do poço e o venderam aos ismaelitas por vinte barras de prata. E os ismaelitas levaram José para o Egito.



Quando Rúben voltou ao poço e viu que José não estava lá dentro, rasgou as suas roupas em sinal de tristeza.

Ele voltou para o lugar onde os seus irmãos estavam e disse:
- O rapaz não está mais lá! E agora, o que é que eu vou fazer?

Então os irmãos mataram um cabrito e com o sangue mancharam a túnica de José.

Depois levaram a túnica ao pai e disseram:
- Achamos isso aí. Será que é a túnica do seu filho?

Jacó a reconheceu e disse:
- Sim, é a túnica do meu filho! Certamente algum animal selvagem o despedaçou e devorou.

Então, em sinal de tristeza, Jacó rasgou as suas roupas e vestiu roupa de luto. E durante muito tempo ficou de luto pelo seu filho.

Todos os seus filhos e filhas tentaram consolá-lo, mas ele não quis ser consolado e disse:
- Vou ficar de luto por meu filho até que vá me encontrar com ele no mundo dos mortos.

E continuou de luto por seu filho José.

Enquanto isso, os midianitas venderam José a Potifar, oficial e capitão da guarda do rei do Egito.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 38

Judá e Tamar

Por esse tempo, Judá se separou dos seus irmãos e foi morar na casa de um homem chamado Hira, que era da cidade de Adulã.

Ali Judá ficou conhecendo a filha de um cananeu chamado Sua. Judá casou com ela, e ela lhe deu um filho, a quem ele chamou de Er. Ela ficou grávida outra vez e teve outro filho, a quem ela deu o nome de Onã. Depois ela teve mais um filho, em quem ela pôs o nome de Selá. Judá estava em Quezibe quando esse menino nasceu.

Judá casou Er, o seu filho mais velho, com uma mulher chamada Tamar. O SENHOR Deus não gostava da vida perversa que Er levava e por isso o matou.

Então Judá disse a Onã:
- Vá e tenha relações com a viúva do seu irmão. Assim, você cumprirá o seu dever de cunhado para que o seu irmão tenha descendentes por meio de você.

Ora, Onã sabia que o filho que nascesse não seria considerado como seu. Por isso, cada vez que tinha relações com a viúva do seu irmão, ele deixava que o esperma caísse no chão para que o seu irmão não tivesse descendentes por meio dele.

O SENHOR ficou desgostoso com o que Onã estava fazendo e o matou também.

Então Judá disse a Tamar, a sua nora:
- Volte para a casa do seu pai e continue viúva até que o meu filho Selá fique adulto.

Ele disse isso porque tinha medo que Selá fosse morto, como havia acontecido com os seus irmãos. Assim, Tamar foi morar na casa do pai dela.

Passado algum tempo, a mulher de Judá morreu. Quando acabou o luto, Judá foi até Timnate, onde estavam cortando a lã das suas ovelhas. E o seu amigo Hira, de Adulã, foi com ele.

Alguém contou a Tamar que o seu sogro ia a Timnate a fim de cortar a lã das suas ovelhas. Então ela trocou de roupa, deixando de lado as suas roupas de viúva, cobriu o rosto com um véu e se disfarçou. Em seguida foi e se sentou perto da entrada da cidade de Enaim, que fica no caminho para Timnate. Ela fez isso porque sabia muito bem que Selá já era homem feito, mas Judá não havia mandado que ele casasse com ela.

Quando Judá a viu, pensou que era uma prostituta, pois ela estava com o rosto coberto. Ele foi falar com ela na beira do caminho, sem saber que era a sua nora.

Ele disse:
- Você quer ir para a cama comigo?

Ela perguntou:
- Quanto é que você me paga?

Ele respondeu:
- Eu lhe mando um cabrito do meu rebanho.

- Está bem - disse ela. - Mas deixe alguma coisa comigo como garantia de que você vai mandar o cabrito.

Judá perguntou:
- O que você quer que eu deixe?

Ela respondeu:
- O seu sinete com o cordão e também o bastão que você tem na mão.

Então Judá entregou os objetos. Ele teve relações com ela, e ela ficou grávida. Tamar voltou para casa, tirou o véu e vestiu as suas roupas de viúva.

Mais tarde, Judá mandou o seu amigo Hira levar o cabrito e trazer de volta os objetos que havia deixado com ela, mas Hira não a encontrou. Ele perguntou aos homens de Enaim se sabiam onde estava a prostituta que costumava ficar na beira da estrada.

- Aqui não esteve nenhuma prostituta - foi a resposta deles.

Hira voltou e disse a Judá:
- Não encontrei a mulher. E os homens do lugar disseram que ali nunca havia estado nenhuma prostituta.

Então Judá disse:
- Pois ela que fique com as minhas coisas. Assim, ninguém vai zombar de nós. Eu mandei o cabrito, mas você não encontrou a mulher.

Passados uns três meses, foram dizer a Judá:
- A sua nora agiu como prostituta e agora está grávida.

Aí Judá disse:
- Tragam essa mulher para fora a fim de ser queimada!

Quando a estavam tirando da sua casa, ela mandou dizer ao seu sogro:
"Quem me engravidou foi o dono destas coisas. Examine e veja de quem são o sinete com o cordão e o bastão."

Judá reconheceu as coisas e disse:
- Ela tem mais razão do que eu; pois prometi casá-la com o meu filho Selá, mas não cumpri a promessa. E nunca mais teve relações com ela.

Na hora de Tamar dar à luz, descobriram que ia ter gêmeos.

Quando ela estava no trabalho de parto, um dos gêmeos pôs uma das mãos para fora. A parteira pegou uma fita vermelha e amarrou na mão dele.

E disse:
- Este saiu primeiro.

Mas ele puxou a mão, e o irmão gêmeo nasceu primeiro.

Então a parteira disse:
- Como você abriu caminho! E puseram nele o nome de Peres.

Depois nasceu o outro, o que estava com a fita vermelha amarrada na mão, e ele recebeu o nome de Zera.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 39

José na casa de Potifar

José foi levado para o Egito, onde os ismaelitas o venderam a um egípcio chamado Potifar, um oficial que era o capitão da guarda do palácio.

O SENHOR Deus estava com José. Ele morava na casa do seu dono e ia muito bem em tudo. O dono de José viu que o SENHOR estava com ele e o abençoava em tudo o que fazia. Assim, José ganhou a simpatia do seu dono, que o pôs como seu ajudante particular. Potifar deu a José a responsabilidade de cuidar da sua casa e tomar conta de tudo o que era seu.

Dali em diante, por causa de José, o SENHOR abençoou o lar do egípcio e também tudo o que ele tinha em casa e no campo. Potifar entregou nas mãos de José tudo o que tinha e não se preocupava com nada, a não ser com a comida que comia. José era um belo tipo de homem e simpático.

Algum tempo depois, a mulher do seu dono começou a cobiçar José.

Um dia ela disse:
- Venha, vamos para a cama.

Ele recusou, dizendo assim:
- Escute! O meu dono não precisa se preocupar com nada nesta casa, pois eu estou aqui. Ele me pôs como responsável por tudo o que tem. Nesta casa eu mando tanto quanto ele. Aqui eu posso ter o que quiser, menos a senhora, pois é mulher dele. Sendo assim, como poderia eu fazer uma coisa tão imoral e pecar contra Deus?

Todos os dias ela insistia que ele fosse para a cama com ela, mas José não concordava e também evitava estar perto dela. Mas um dia, como de costume, ele entrou na casa para fazer o seu trabalho, e nenhum empregado estava ali.

Então ela o agarrou pela capa e disse:
- Venha, vamos para a cama.

Mas ele escapou e correu para fora, deixando a capa nas mãos dela.

Quando notou que, ao fugir, ele havia deixado a capa nas suas mãos, a mulher chamou os empregados da casa e disse:
- Vejam só! Este hebreu, que o meu marido trouxe para casa, está nos insultando. Ele entrou no meu quarto e quis ter relações comigo, mas eu gritei o mais alto que pude. Logo que comecei a gritar bem alto, ele fugiu, deixando a sua capa no meu quarto.

Ela guardou a capa até que o dono de José voltou.

Aí contou a mesma história, assim:
- Esse escravo hebreu, que você trouxe para casa, entrou no meu quarto e quis abusar de mim. Mas eu gritei bem alto, e ele correu para fora, deixando a sua capa no meu quarto. Veja só de que jeito o seu escravo me tratou!

Quando ouviu essa história, o dono de José ficou com muita raiva. Ele agarrou José e o pôs na cadeia onde ficavam os presos do rei. E José ficou ali.

Mas o SENHOR estava com ele e o abençoou, de modo que ele conquistou a simpatia do carcereiro. Este pôs José como encarregado de todos os outros presos, e era ele quem mandava em tudo o que se fazia na cadeia. O carcereiro não se preocupava com nada do que estava entregue a José, pois o SENHOR estava com ele e o abençoava em tudo o que fazia.



LIVRO DE GÊNESIS - CAPÍTULO 40

José explica dois sonhos

Passado algum tempo, o rei do Egito foi ofendido por dois dos seus servidores, isto é, o chefe dos copeiros, que era encarregado de servir vinho, e o chefe dos padeiros.

O rei ficou furioso com os dois e mandou que fossem postos na cadeia que ficava na casa do capitão da guarda, no mesmo lugar onde José estava preso. Eles ficaram muito tempo ali, e o capitão deu a José a tarefa de cuidar deles.

Certa noite, ali na cadeia, o copeiro e o padeiro tiveram um sonho cada um. E cada sonho queria dizer alguma coisa. Quando José veio vê-los de manhã, notou que estavam preocupados.

Então perguntou:
- Por que vocês estão com essa cara tão triste hoje?

Eles responderam:
- Cada um de nós teve um sonho, e não há ninguém que saiba explicar o que esses sonhos querem dizer.

- É Deus quem dá à gente a capacidade de explicar os sonhos - disse José. - Vamos, contem o que sonharam.

Então o chefe dos copeiros contou o seu sonho.

Ele disse:
- Sonhei que na minha frente havia uma parreira que tinha três galhos. Assim que as folhas saíam, apareciam as flores, e estas viravam uvas maduras. Eu estava segurando o copo do rei; espremia as uvas no copo e o entregava ao rei.

José disse:
- A explicação é a seguinte: os três galhos são três dias. Daqui a três dias o rei vai mandar soltá-lo. Você vai voltar ao seu trabalho e servirá vinho ao rei, como fazia antes. Porém, quando você estiver muito bem lá, lembre de mim e por favor tenha a bondade de falar a meu respeito com o rei, ajudando-me assim a sair desta cadeia. A verdade é que foi à força que me tiraram da terra dos hebreus e me trouxeram para o Egito; e mesmo aqui no Egito não fiz nada para vir parar na cadeia.

Quando o chefe dos padeiros viu que a explicação era boa, disse:
- Eu também tive um sonho. Sonhei que estava carregando na cabeça três cestos de pão. No cesto de cima havia todo tipo de comidas assadas que os padeiros fazem para o rei. E as aves vinham e comiam dessas comidas.

José explicou assim:
- O seu sonho quer dizer isto: os três cestos são três dias. Daqui a três dias o rei vai soltá-lo e vai mandar cortar a sua cabeça. Depois o seu corpo será pendurado num poste de madeira, e as aves comerão a sua carne.

Três dias depois, o rei comemorou o seu aniversário, oferecendo um banquete a todos os seus funcionários. Ele mandou soltar o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros e deu ordem para que viessem ao banquete.

E aconteceu exatamente o que José tinha dito: o rei fez com que o copeiro voltasse ao seu antigo trabalho de servir vinho ao rei e mandou que o padeiro fosse executado. Porém o chefe dos copeiros não lembrou de José; esqueceu dele completamente.