Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Jó 13 a 16 (dia 113)

Jó 13

Quero falar com Deus


1 “Eu vi tudo isso com os meus próprios olhos;
escutei tudo com os meus ouvidos e entendi.

2 Meus amigos, eu não sou menos do que vocês:
eu também sei o que vocês sabem.

3 Mas quero falar com o Deus Todo-Poderoso
e discutir com ele a minha questão.

4 Vocês disfarçam a sua ignorância com mentiras;
são como médicos que não curam ninguém.

5 Ah! Se vocês ficassem calados,
poderiam passar por sábios!



Vocês pensam que podem enganar a Deus?

6 “Escutem agora a minha defesa,
prestem atenção às minhas razões.

7 Será que para defender a Deus vocês vão dizer mentiras?
Vão falar palavras enganosas a favor dele?

8 Será que vocês vão ficar do lado dele?
Vão defender a causa dele no tribunal?

9 Por acaso, seria bom que ele os examinasse?
Vocês pensam que podem enganar a Deus como enganam as pessoas?

10 Se vocês forem injustos, mesmo em segredo,
ele certamente os repreenderá;

11 a sua grandeza os encherá de medo,
e os seus terrores cairão sobre vocês.

12 As explicações antigas que vocês lembram
são como cinza, não valem nada;
as suas defesas são fracas como torres de barro.



Defenderei minha causa diante de Deus

13 “Fiquem calados, que eu vou falar,
aconteça o que acontecer.

14 Estou pronto para arriscar a vida,
pronto para enfrentar a morte.

15 Não tenho mais esperança, pois Deus me matará;
mas assim mesmo defenderei a minha causa diante dele.

16 Talvez esta coragem venha a salvar-me,
pois nenhuma pessoa má iria até a presença dele.

17 Ouçam com atenção o que estou dizendo;
escutem as minhas explicações.

18 Estou pronto para defender a minha causa
e sei que estou com a razão.



Ó Deus, por que me persegues?

19 “Mas, se Deus disser: ‘Quem se atreve a discutir comigo no tribunal?’,
então terei de me calar e morrer.

20 Ó Deus, eu te peço apenas duas coisas
e assim não me esconderei de ti:

21 não me castigues mais
e não me faças sentir tanto medo.

22 “Ó Deus, chama-me ao tribunal, e eu responderei;
ou eu falarei primeiro, e tu responderás.

23 Quantas faltas e pecados cometi?
De que erros e pecados sou acusado?

24 “Por que te escondes de mim?
Por que me tratas como inimigo?

25 Eu sou como a folha levada pelo vento:
por que me assustas?
Sou como a palha seca:
por que me persegues?

26 “Tu escreves duras acusações contra mim
e queres que eu pague pelos erros da minha mocidade.

27 Prendes os meus pés com correntes,
vigias todos os meus passos
e examinas os rastos que deixo no caminho.

28 Assim, vou me acabando como madeira bichada,
como uma roupa comida pela traça.



Jó 14

A nossa vida é curta


1 “Todos somos fracos desde o nascimento;
a nossa vida é curta e muito agitada.

2 O ser humano é como a flor que se abre e logo murcha;
como uma sombra ele passa e desaparece.

3 Nada somos; então por que nos dás atenção?
E quem sou eu para que me leves ao tribunal?

4 O ser humano, que é impuro,
nunca produz nada que seja puro.

5 Tu já marcaste quantos meses e dias cada um vai viver;
isso está resolvido,
e ninguém pode mudar.

6 Para de olhar para nós
e deixa-nos em paz,
até que o nosso dia chegue ao fim,
como chega ao fim o dia de um trabalhador.

7 “Para uma árvore há esperança;
se for cortada, brota de novo
e torna a viver.

8 Mesmo que as suas raízes envelheçam,
e o seu toco morra na terra,

9 basta um pouco de água, e ela brota,
soltando galhos como uma planta nova.

10 Mas, quando alguém morre, está acabado;
depois de entregar a alma, para onde vai?

11 “Como lagoas que secam,
como rios que deixam de correr,

12 assim, enquanto o céu existir,
todos vamos morrer.
Vamos dormir o sono da morte,
para nunca mais levantar.



Eu esperarei por melhores tempos

13 “Ah! Se tu me pusesses no mundo dos mortos
e ali me escondesses até que a tua ira passasse
e então marcasses um prazo para lembrares de mim!

14 Mas será que alguém tornará a viver depois de ter morrido?
Eu, porém, esperarei por melhores tempos,
até que as minhas lutas acabem.

15 Então me chamarás, e eu responderei;
e tu ficarás contente comigo, pois me criaste.

16 Cuidarás para que eu não erre,
em vez de ficares espiando para me veres pecar.

17 Esquecerás os meus pecados
e apagarás os meus erros.



Tu acabas com a nossa esperança

18 “Mas assim como as montanhas vão se desmoronando,
e as rochas saem dos seus lugares;

19 e assim como as águas escavam as pedras,
e as correntezas levam a terra,
assim tu acabas com a esperança do ser humano.

20 Tu o derrotas, ele se vai para sempre,
e mudas a sua aparência quando o despedes deste mundo.

21 Se os seus filhos recebem homenagens, ele não fica sabendo
e, se caem na desgraça, ele não tem notícia.

22 Ele sente apenas as dores do seu próprio corpo
e a agonia do seu espírito.”



Jó 15

Segundo diálogo
(Caps. 15—21)

Segunda fala de Elifaz
(Cap. 15)


Você fala assim por causa do seu pecado

1 Então Elifaz, da região de Temã, em resposta disse:

2 “Jó, um sábio não responde com palavras ocas,
não fica inchado com opiniões que não valem nada.

3 Um sábio não falaria palavras inúteis,
nem se defenderia com argumentos sem valor.

4 Mas você quer acabar com o sentimento religioso;
se dependesse de você, ninguém oraria a Deus.

5 Você fala assim por causa do seu pecado
e procura enganar os outros com as suas palavras.

6 Eu não preciso acusá-lo,
pois as suas próprias palavras o condenam.

7 “Você está pensando que é o primeiro ser humano que nasceu?
Por acaso, você veio ao mundo antes das montanhas?

8 Será que você conhece os planos secretos de Deus?
Será que só você é sábio?

9 Será que você sabe o que nós não sabemos
ou compreende as coisas melhor do que nós?

10 O que sabemos nós aprendemos com pessoas idosas,
que nasceram antes do seu pai.

11 “Por que você não quer aceitar o consolo que Deus lhe oferece?
Em nome dele nós falamos delicadamente com você.

12 Por que você se deixa levar pelo seu coração?
Por que esses olhares de ódio?

13 Por que essa revolta, essa ira contra Deus?
Por que você se queixa assim?

14 “Será que alguém pode ser puro?
Poderá alguma pessoa ser correta diante de Deus?

15 Se Deus não confia nos anjos,
e se nem o céu é puro aos seus olhos,

16 que diremos do ser humano, imundo e nojento,
que bebe o pecado como se fosse água?



Quem é mau sofre a vida inteira

17 “Escute, Jó, que eu vou explicar;
vou contar aquilo que tenho visto.

18 Os sábios ensinam verdades
que aprenderam com os seus pais,

19 e estes moravam numa terra
que não recebeu a influência de estrangeiros.

20 “Aquele que é mau, que persegue os outros,
sofre atormentado a vida inteira.

21 Vozes de terror enchem os seus ouvidos,
e, quando pensa que está seguro,
os bandidos o atacam.

22 Ele não tem esperança de escapar da escuridão da morte,
pois um punhal está pronto para matá-lo.

23 Os urubus estão esperando para devorar o seu corpo;
ele sabe que o dia da escuridão está perto.

24 Ele será dominado pela angústia e pela aflição,
como acontece quando um rei espera o ataque dos inimigos.

25 Tudo isso acontece porque ele levanta a mão contra Deus
e desafia o Todo-Poderoso.

26 Ele é rebelde
e, protegido por um pesado escudo,
se joga contra Deus.

27 O seu olhar é orgulhoso,
e o seu coração é egoísta.

28 “Esse homem mau conquistou cidades
e ficou com as casas abandonadas pelos moradores,
mas essas cidades e casas virarão um monte de ruínas.

29 Ele não ficará rico por muito tempo
e perderá tudo o que tem.
Até a sua sombra vai desaparecer da terra.

30 O homem mau não escapará da escuridão.
Ele será como uma árvore cujos galhos foram queimados
e cujas flores foram levadas pelo vento.

31 Como não tem juízo e confia na mentira,
a própria mentira será a sua recompensa.

32 Ele secará antes da hora,
como um galho que seca e nunca mais fica verde.

33 Ele será como uma parreira que perde as uvas ainda verdes,
como uma oliveira que deixa cair as suas flores.

34 Os maus não terão descendentes,
e o fogo destruirá as casas dos desonestos.

35 Eles planejam a maldade, fazem o que é errado
e só pensam em enganar os outros.”



Jó 16

Resposta de Jó
(Caps. 16—17)

Um montão de palavras


1 Então em resposta Jó disse:

2 “Já ouvi tudo isso antes;
em vez de me consolarem, vocês me atormentam.

3 Será que essas palavras ocas não têm fim?
Por que vocês não param de me provocar?

4 Se vocês estivessem no meu lugar,
eu também poderia dizer o que estão dizendo.
Eu balançaria a cabeça, com um jeito de sábio,
e os esmagaria com um montão de palavras.

5 Ou poderia dizer palavras de ânimo e consolo
para diminuir os seus sofrimentos.

6 Mas, se falo, a minha dor não se acalma,
e, se me calo, o meu sofrimento não diminui.



Deus me esmagou

7 “Tu, ó Deus, me deixaste sem forças
e destruíste toda a minha família.

8 Tu me puseste numa prisão, e por isso me acusam.
Virei pele e osso,
e por isso os outros pensam que sou culpado.

9 “Na sua ira Deus me arrasou completamente;
ele olha para mim com ódio
e, como uma fera, me persegue e ameaça.

10 Todos me ameaçam,
abrem a boca para zombar de mim
e me dão bofetadas para me humilhar.

11 Deus me entregou a homens perversos;
ele me fez cair nas mãos de gente má.

12 Eu vivia em paz, mas ele me esmagou;
Deus me pegou pela garganta e me quebrou.
Ele fez de mim o seu alvo

13 e de todos os lados disparou as suas flechas;
elas atravessaram os meus rins, sem dó nem piedade,
e também a minha bílis correu pelo chão.

14 Como um soldado, ele avançou contra mim
e me arrebentou todo, com golpes e mais golpes.

15 “Em sinal de tristeza, vesti uma roupa feita de pano grosseiro
e, humilhado, sentei-me no pó.

16 Tenho chorado tanto, que o meu rosto está queimando,
e estou com olheiras fundas e escuras.

17 No entanto, nunca fui violento,
e as minhas orações sempre foram sinceras.



No céu tenho quem me defende

18 “Ó terra, não esconda as injustiças que fizeram contra mim!
Não deixe que seja abafado o meu grito pedindo justiça!

19 Eu sei que no céu tenho quem me defenda;
o meu advogado lá está.

20 Os meus amigos zombam de mim;
e eu me volto para Deus com lágrimas nos olhos.

21 Assim como alguém defende o seu amigo,
eu preciso de quem defenda o meu direito diante de Deus.

22 Os meus anos de vida estão contados,
e eu vou pelo caminho que não tem retorno.

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